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Buratti reafirma propina a Palocci

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Hudson Corrêa Ranier Bragon Chico de Gois Luiz Francisco Folhapress Brasília - Em seu depoimento à CPI dos Bingos, o advogado Rogério Tadeu Buratti reafirmou ontem a acusação de que o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) recebia propina de R$ 50 mil mensais na sua segunda gestão como prefeito de Ribeirão Preto (SP), em 2001 e 2002. Buratti afirmou ainda, sem apresentar provas, que supostos R$ 2 milhões doados por empresas de jogos para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva envolveriam um acordo eleitoral que passaria pela regulamentação dos jogos e pela renovação do contrato da multinacional GTech com a Caixa Econômica Federal. Ex-secretário da primeira gestão de Palocci em Ribeirão Preto e responsável direto pela ida do ministro para o centro da crise política por seu depoimento ao Ministério Público paulista há uma semana, Buratti, 42, disse acreditar que Palocci sabia do suposto esquema da propina de R$ 50 mil, apesar de afirmar nunca tê-lo visto participando de negociações sobre o tema. ?Nenhuma empresa faz uma contribuição nem pequena nem grande sem que o patrão saiba, sem que o prefeito, o secretário, não importa quem, venha a saber. Nunca vi ele participar de reuniões confirmando isso, mas acredito que ele soubesse.? TESTEMUNHA MORTA O advogado disse que suas informações baseiam-se no que ouviu de Ralf Barquete dos Santos, morto por câncer em junho do ano passado, quando comentou ser ?lamentável tratar de uma pessoa que está morta dessa forma, que não está mais conosco nem sequer para dizer que eu estou mentindo sobre isso.? NADA DE NOMES O advogado Rogério Buratti afirmou ainda ter conhecimento do caso por sua participação na empresa Leão&Leão, da qual foi funcionário, chegando a dizer que sabia o nome das pessoas que faziam o pagamento da propina, mas recusou-se a revelá-los. Ralf Barquete dos Santos foi secretário da Fazenda de Antônio Palocci no município de Ribeirão Preto - seria o responsável por arrecadar a propina - e ex-consultor da presidência da Caixa já no governo Lula. Rogério Buratti disse que as investigações, com a conseqüente quebra dos sigilos da Leão&Leão, devem provar as acusações. ?Como eu sei que disse a verdade, tenho segurança disso.? ### Oposição defende convocação de Palocci O depoimento do advogado Rogério Tadeu Buratti ainda não havia acabado, mas senadores que fazem oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva já defendiam a convocação do ministro Antonio Palocci (Fazenda) para depor na CPI dos Correios. ?As declarações de Buratti tornam ainda mais grave a situação do governo e, especialmente, a do ministro Palocci?, disse o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). ?Não adianta falar que a situação da economia brasileira vai se afundar com a convocação do ministro Antonio Palocci. O depoimento do advogado Rogério Buratti apontou um novo rumo para as investigações. E esse rumo passa necessariamente pelo depoimento do ministro, que foi envolvido em toda essa lama?, disse o senador César Borges (PFL-BA). Também do PFL baiano, o senador Antonio Carlos Magalhães foi mais cauteloso, mas acredita que a convocação do ministro da Fazenda será inevitável. ?É um ministro de muita credibilidade, mas sua situação piorou com as revelações de Rogério Buratti.? O senador Tasso Jereissati (PSDB) também defende a convocação. ?Talvez seja cedo para ouvi-lo, mas acho que essa hora vai chegar?, afirmou. Acareação O relator da CPI, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), disse que o depoimento de Buratti não deixou de trazer indícios fortes de que havia um esquema de arrecadação entre bingos e empresas para beneficiar o PT. No entanto, ele não defende a convocação imediata de Palocci. ?A CPI deve aprofundar as investigações. Não há por que convocá-lo agora.? O senador Efraim Morais (PFL-PB), presidente da CPI dos Correios, concorda. Ao ser indagado sobre a possibilidade de realizar uma acareação entre Palocci e Buratti, o senador recomendou cautela. ?Não basta apenas nossa vontade de querer fazer, tem de haver motivos, e eu não vejo motivos, até o momento, de fazer uma acareação. Como vamos fazer uma acareação sem antes ouvirmos o ministro??. À noite, a assessoria do Ministério da Fazenda informou que Antonio Palocci não iria fazer nenhum comentário sobre o depoimento de Rogério Buratti nem a respeito da opinião dos senadores que defendem a sua convocação para depor na CPI. ### Planilha apresenta repasses de R$ 50 mil A CPI divulgou uma planilha apreendida na Leão&Leão na qual aparecem supostos pagamentos mensais de R$ 50 mil à Prefeitura de Ribeirão. O promotor de Justiça Aroldo Costa Filho, de Ribeirão Preto, disse que o documento pode ser uma prova do pagamento. ?O meu depoimento em Ribeirão Preto é a expressão da verdade que eu conheço, aquilo que eu disse é o que de fato eu conheço. Reafirmaria meu depoimento de Ribeirão Preto na presença do ministro?, afirmou Buratti, que ameaçou não depor argumentando razões de saúde, mas que não manifestou desconforto em nenhum momento das cinco horas e 23 minutos de depoimento. Na sexta-feira passada, ele falou pela primeira vez sobre a propina em depoimento à Polícia Civil e ao Ministério Público de Ribeirão Preto. Em troca, negociou possível redução da pena por eventuais irregularidades cometidas, a chamada ?delação premiada?. As declarações causaram reação imediata do mercado - o dólar subiu mais de 4% em determinado momento - e lançou Palocci no centro da crise. O ministro refutou todas as acusações em entrevista coletiva que concedeu no domingo. Buratti confirmou aos senadores as ligações telefônicas que fez para Palocci e para auxiliares do Ministério da Fazenda até o ano passado, mas afirmou que nunca tratou de negócios, nem fez tráfico de influências. Depois de reafirmar várias de suas declarações contrárias às de Palocci, disse que o ministro ?é um dos poucos pilares que sustentam esse governo de maneira positiva?. A oposição afirmou que pretende aprovar a convocação de Palocci para depor na CPI. Os governistas disseram não haver necessidade já que, segundo eles, Buratti não trouxe novidades ontem. ### Presença de promotor causa discórdia A presença do promotor Aroldo Costa Filho, de Ribeirão Preto, no plenário onde acontecia o depoimento de Rogério Tadeu Buratti provocou discussões de senadores. Os governistas diziam que a vinda de Costa Filho iria coagir o depoente. A oposição discordou. ?Tenho convicção de que Buratti foi constrangido em seu depoimento ao Ministério Público de Ribeirão Preto [na verdade, o depoimento foi feito na Polícia Civil, acompanhado por promotores], e a presença dele aqui pode servir para coagir o depoente?, disse o senador Tião Viana (PT-AC). Costa Filho foi um dos promotores que ouviram Buratti em Ribeirão Preto. O Ministério Público vazou, ainda durante o depoimento do advogado, trechos das informações dadas por Buratti, o que gerou críticas por parte de petistas, que apontaram ?exagero? por parte da promotoria. Costa Filho foi convidado a assistir ao depoimento pelo relator da CPI dos Bingos, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). O senador disse que convidou o promotor porque ele foi a Brasília entregar documentos referentes à investigação. Embora crítico do PT, Pedro Simon (PMDB-RS) aliou-se aos petistas. ?Não vejo nada de mais ele [Costa Filho] vir aqui, mas deveria se retirar porque pode embaraçar o depoente.? O oposicionista Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) divergiu dos petistas: ?Se Buratti vai dizer a verdade, não tem por que se incomodar com a presença do promotor?. Tasso Jereissati (PSDB-CE) foi na mesma linha. Buratti avisou que não se sentia intimidado com a presença do promotor. ?Quando estava preso, disse aos membros do Ministério Público que eles tinham feito uma idéia errada de mim; mas eu entendia que era parte de um jogo.? Depois completou: ?Estou disposto a falar exatamente o que sei. Como vai se provar não é uma obrigação [minha] e vai depender das investigações.? Reação do mercado A falta de novidades no depoimento de Rogério Tadeu Buratti e uma ata do Copom um pouco mais branda criaram um ambiente positivo no mercado: a Bovespa subiu 2,58%. Dólar, juros e risco-país caíram. Analistas viram na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, sinais de que são boas as chances de a taxa básica de juros ser reduzida em setembro. O depoimento de Buratti à CPI, que poderia ser o grande fator negativo do dia, acabou por não trazer nenhum fato extra que pudesse desestabilizar o ministro da Fazenda. O dólar voltou a ficar abaixo dos R$ 2,40. A queda de 1,68% de ontem levou a moeda norte-americana a R$ 2,398. O risco-país encerrou em baixa de 1,43%.

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