loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Nacional

Nacional

Vice-presidente fica sem partido

Ouvir
Compartilhar

Brasília - O vice-presidente, José Alencar (PL), decidiu ontem deixar o PL, partido ao qual se filiou no final de 2001, pouco antes de fechar o acordo para ser vice na chapa que levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Planalto. Após comunicar sua decisão ao presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, Alencar afirmou que ainda não tinha uma nova legenda. ?Há um tempo para cada coisa??, disse a assessores. Ex-peemedebista, ele precisa escolher um novo partido até o final de setembro, um ano antes das eleições do próximo ano. Segundo Costa Neto, Alencar sai por três motivos: a decisão do partido de marcar a convenção para outubro com o propósito de reavaliar a relação com o governo do presidente Lula; a rejeição pelos parlamentares do partido (40 votos a 1) à proposta de fusão com PP e PTB; e a destituição de José Vasconcelos da presidência do PL de Minas Gerais Até dois dias atrás, o vice José Alencar afirmava que não pretendia mudar de partido, apesar de garantir que não falaria ?dessa água não beberei??. Alencar começou a analisar sua saída do PL há alguns meses, quando denúncias de corrupção e participação no suposto esquema do mensalão atingiram em cheio seu partido. Irregularidade A confissão do presidente da legenda, Valdemar da Costa Neto, de que recebeu recursos do PT e fez caixa dois, desgastaram a imagem da sigla. Após assumir a irregularidade, Valdemar renunciou ao mandato, para fugir da cassação pedida pelo PTB. Em entrevista, Valdemar chegou a envolver Alencar no acordo que selou a aliança entre PT e PL. A negociação, segundo ele, envolveu uma ajuda financeira dos petistas de R$ 10 milhões. Segundo o presidente do PL, o PT acabou não fazendo os repasses dos R$ 10 milhões durante a campanha presidencial. Parte do dinheiro (R$ 6 milhões), segundo Valdemar, acabou sendo transferido por Delúbio Soares depois da eleição, por meio do empresário Marcos Valério. A permanência de Valdemar na liderança do partido desagradou o vice-presidente, que tentou negociar uma saída do ex-deputado do posto. No início da semana, ao falar de Valdemar, Alencar afirmou que líderes partidários devem se afastar quando cometeram irregularidades. E chegou a ressaltar que é melhor ser ?incompetente do que ser corrupto??. O PL ainda tem três deputados da legenda com pedido de cassação aprovado pelas CPIs do Congresso - Carlos Rodrigues (RJ), Wanderval Santos (SP) e Sandro Mabel (GO), líder da sigla na Câmara dos Deputados. A saída de José Alencar do PL é mais uma etapa do troca-troca partidário, que já provocou a anunciada transferência do deputado Delfim Netto (PP-SP) para o PMDB. Por sinal, é no PP do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PE), que a debandada promete ser maior. Além de Delfim Netto, Pratini de Moraes, ex-ministro da Agricultura do governo Fernando Henrique Cardoso, filiou-se nesta semana ao PFL. Nas próximas semanas, Ivan Ranzolin (SC) também deve ir para o PFL. Outros que estudam convites para mudar de sigla são Ricardo Barros (PR) e Francisco Turra (RS). ### Corregedoria vai sugerir cassação Um dia depois de as CPIs dos Correios e do Mensalão acusarem formalmente 18 deputados de quebrar o decoro parlamentar, o Corregedor da Câmara, Ciro Nogueira (PP-PI), afirmou que fará um parecer pela abertura de processo de cassação contra todos eles, sendo que quatro já estão com procedimentos de perda do mandato abertos pelo Conselho de Ética da Casa. ?Não vou entrar no menor juízo de valor, todos serão remetidos para o Conselho de Ética, vai ser um rito sumário?, disse Nogueira, que se reuniu ontem com o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE). Cabe ao corregedor dar o parecer sobre a abertura ou não de processo contra os deputados. A Mesa da Câmara, formada por sete deputados, incluindo Severino e Nogueira, marcou reunião para o dia 13 para votar o parecer do corregedor. ?Na minha opinião, a Mesa vai votar por unanimidade pelo envio de todos esse parlamentares para o Conselho de Ética?, disse Nogueira. Caso renuncie ao mandato até a abertura de processo no conselho, o deputado fica livre para se candidatar nas próximas eleições e retomar o mandato. Após a abertura de processo, a renúncia não suspende o andamento do processo, que, se resultar em cassação, torna o parlamentar inelegível por oito anos contados a partir do fim da legislatura - no caso atual, até 2015. As CPIs aprovaram anteontem um relatório parcial em que acusam os 18 deputados, sendo 7 petistas, de cometer ?um amplo conjunto de crimes políticos expressivos? no chamado escândalo do mensalão. Entre eles, figuram o ex-ministro José Dirceu (SP) e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (SP). No mesmo dia em que a Mesa da Câmara votará a abertura de processo contra os deputados acusados, o plenário deve votar o primeiro parecer do Conselho de Ética pela cassação do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). ### Cassáveis não deixam chapa do partido Integrantes do Campo Majoritário do PT se reuniram ontem em São Paulo para decidir se a chapa que concorrerá no Processo de Eleição Interna (PED) manterá ou não nomes de parlamentares hoje no centro do escândalo do mensalão. Por enquanto eles ficam. O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu disse que não sairá da chapa argumentando que sua saída poderia fragilizar sua própria defesa - e de outros petistas na lista de cassáveis - no Congresso. Nenhum dos acusados de envolvimento no suposto mensalão manifestou também disposição de abandonar da chapa. Houve pressão para a saída de Dirceu, mas acabou sendo decidido que não será levado à votação a proposta de retirada do nome dele da chapa. Em resposta aos apelos dos petistas para deixar de concorrer, o ex-ministro disse que não sai de jeito nenhum. ?É pré-julgamento, é ser condenado antes do tempo.? José Dirceu se queixou da atuação do presidente interino do PT, Tarso Genro, para que deixasse a chapa. ?Não tenho função nenhuma na chapa, nenhum, cargo?. O candidato a presidente do PT pelo Campo Majoritário, o secretário-geral do partido, Ricardo Berzoini, rejeitou votação para propor a retirada do nome de Dirceu. ?É uma decisão de foro íntimo, não proponho votação em hipótese alguma. Cada um decide o que quer fazer. Sou solidário a qualquer decisão.? A Comissão de Sindicância do PT deve adiar apresentação do relatório sobre os parlamentares acusados de participar do esquema do mensalão. Dois dos três integrantes da comissão afirmaram ontem que o grande volume de documentos - dados de acusação e defesa de nove deputados, entre eles, Dirceu - pode impedir que o parecer seja apresentado e votado na reunião do Diretório Nacional, que acontece hoje em São Paulo.

Relacionadas