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PF apreende documentos no Rural

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Paulo Peixoto Thiago Guimarães Frederico Vasconcelos José Maschio Folhapress Belo Horizonte, MG; Londrina, PR - A Polícia Federal cumpriu ontem em Minas Gerais e no Rio 19 mandados de busca e apreensão de documentos na sede do Banco Rural, na residência de um diretor, na casa de outro ex-diretor e também em casas de câmbio. A operação denominada ?Lavoura? (analogia com Rural) tem o propósito de buscar provas que demonstrem o suposto envolvimento de dirigentes do banco e de mais três empresas offshore (empresas virtuais com sede em paraísos fiscais) com remessas ilegais de dinheiro para o exterior. Essa operação é um desdobramento dos trabalhos da força-tarefa que, desde 2003, investiga remessas ilegais para o exterior pelo Banestado (já extinto). A PF buscou ontem documentos relacionados com as offshores Trade Link Bank, supostamente ligada ao Rural, Deal Financial Corporation e Radial Enterprise. Acusado de ser aliciador de ?laranjas? em esquemas de remessas ilegais, Odilon Bacellar Neto é um dos principais fornecedores de informações para autoridades. Embora sem relação direta, essa apuração pode ajudar também nas investigações sobre o mensalão, já que as três offshores investigadas estão entre as oito empresas virtuais que transferiram recursos para o exterior para o publicitário Duda Mendonça - segundo ele, remessas planejadas pelo empresário Marcos Valério de Souza, acusado de ser o operador do mensalão do PT. A Trade Link Bank é a principal origem dos repasses que abasteceram a conta de Duda, com US$ 827 mil, de acordo com os extratos apresentados pelo publicitário às CPIs dos Correios e do Mensalão. A Deal Financial enviou US$ 116 mil, e a Radial Enterprise, US$ 98 mil. No total, Duda recebeu na offshore Dusseldorf Company Ltd., nas Bahamas, supostamente aberta para essa finalidade, conforme disse, R$ 10,5 milhões do caixa dois de Valério. Remessas para Duda também foram enviadas por meio do Rural Europa e do Rural International Bank, empresas do Grupo Rural no exterior. ?Essa investigação [mensalão] não necessariamente tem a ver com o caso de agora, mas pode ter. É possível que surjam outros ilícitos decorrentes dessa operação Banestado?, disse o delegado Alexandre Leão, do setor de Comunicação da PF em Belo Horizonte. A força-tarefa do Banestado é integrada pelo Ministério Público Federal, PF e Receita Federal. O objetivo principal é estabelecer relações entre as remessas ilegais para o exterior, utilizando offshores e doleiros. Na operação de hoje, os mandados foram expedidos pela 2ª Vara da Justiça federal do Paraná, onde se concentra os trabalhos da força-tarefa e para onde toda a documentação apreendida será levada. As buscas foram coordenadas por um delegado da PF de Curitiba e outro de Brasília. A operação envolveu cerca de 70 pessoas, entre delegados, agentes e escrivães. Às 8h55, duas equipes da PF chegaram à sede do Rural, no centro de Belo Horizonte, em carros da corporação, e lá ficam por quase quatro horas. Os policiais foram direto para os andares da diretoria do banco e saíram às 12h40 sem dar informações. A PF também realizou busca na casa de Guilherme Rocha Rabello, diretor do Banco Rural. Os policiais chegaram às 9h10 em um automóvel com chapa fria e apreenderam apenas um lap-top. Enquanto os agentes faziam a busca, um policial consultava, por telefone, a sede da PF, confirmando que uma pistola do empresário estava com registro regular.

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