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Salvador padroniza vendas de acaraj�
| Luiz Francisco Folhapress Salvador - Para ter o direito de comercializar o produto mais conhecido da culinária baiana, as 4.000 vendedoras de acarajé de Salvador terão de usar roupas, tabuleiros e sombreiros padronizados. Quem não atender às determinações da prefeitura não receberá a licença e terá de sair do mercado, de acordo com a Secretaria de Serviços Públicos (Sesp), órgão municipal que controla o comércio da cidade. A medida vale para todas as quituteiras, inclusive as que não são adeptas do candomblé. ?A descaracterização chegou a tal ponto que as baianas estavam vendendo acarajé com calça jeans. Os bares e barracas de praia também comercializavam o produto, o que gera uma competitividade inadequada com as quituteiras tradicionais??, disse o secretário Arnando Lessa. Segundo a Sesp, somente as baianas que usarem bata, torço e saia rodada podem vender o bolinho que, em média, custa R$ 3 (com salada e camarão). O tabuleiro (1,40 m x 0,80 m) e o sombreiro (branco de 2,5m x 2,5m) também foram padronizados. O acordo foi assinado por representantes da Associação das Baianas de Acarajé e Mingau (Abam) e a Prefeitura de Salvador, na última semana. O protocolo estabelece também que as baianas estão proibidas de vender cerveja e refrigerante em seus pontos. As quituteiras somente têm licença para comercializar acarajé, abará, cocada, passarinha, doces caseiros, lelê, peixe frito, mingau e bolinho de estudante. ?Proibimos a vinculação das baianas com o comércio das barracas de praia porque muitas vendedoras eram exploradas pelos comerciantes??, disse o secretário municipal Arnando Lessa. ### Baiana quer comercializar refrigerante Vice-presidente da Abam, Rita Santos disse que pretende convencer a prefeitura a liberar a comercialização de refrigerante e água mineral nos pontos. ?A maioria das baianas tem um filho ou marido desempregado que trabalha com elas. Acho que a prefeitura poderia conceder uma licença em separado, até mesmo em um local próximo do ponto.?? Uma das mais conhecidas baianas de acarajé de Salvador, Jaciara de Jesus Santos, 51, a Cira, disse que apóia a decisão. ?Temos de manter a tradição relacionada à origem das mulheres que vendiam o quitute, uma das oferendas sagradas para a orixá Iansã. Acho que, para vender acarajé, tem de se vestir como baiana mesmo. Foi essa tradição que herdei de minha avó e de minha mãe.?? Patrimônio Considerado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) patrimônio cultural brasileiro, o acarajé, bolinho feito de massa de feijão fradinho, teve a sua receita original tombada pelo órgão federal. De acordo com a Abam, cerca de 50 mil acarajés por dia são consumidos em Salvador. A cultura e a tradição das baianas que produzem e vendem acarajés em tabuleiros foram reconhecidas como patrimônio cultural imaterial do País deste o mês passado quando o Iphan oficializou o registro da atividade das Baianas do Acarajé no Livro dos Saberes. O registro foi aprovado em dezembro do ano passado pelo Conselho Consultivo do instituto. Também em agosto, a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos lançou o selo comemorativo do samba de roda do Recôncavo Baiano, considerado como patrimônio imaterial do Brasil desde 2004. Em 2004, a atividade das baianas de acarajé também foi reconhecida e regulamentada como profissão - somente em Salvador existem cerca de 4.000 mulheres que exercem a atividade. Outra decisão tomada pelo Iphan foi o tombamento do Terreiro de Candomblé Ilê Maroiá Láji, de Olga de Alaketu, em Brotas (centro). ?As decisões tomadas foram fundamentais para a preservação da cultura e da identidade baianas?, disse o ministro Gilberto Gil (Cultura).