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Doleiro operou contas para Maluf

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| Folhapress São Paulo Interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça demonstram, na avaliação da Polícia Federal, que o ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf e seu filho Flávio Maluf tentaram impedir que o doleiro Vivaldo Alves contasse à polícia que operava contas de Maluf no exterior e que teria movimentado US$ 250 milhões. O dinheiro seria de corrupção, segundo a polícia. De acordo com reportagem do Jornal Nacional, o doleiro, que negociou redução de pena, disse em depoimento à polícia que a pedido de Flávio Maluf transferiu US$ 5 milhões para o publicitário Duda Mendonça em uma conta no Citibank de Nova York. Duda, que fez a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, também ajudou a eleger Maluf prefeito de São Paulo. O doleiro disse ainda que fez outras remessas a pedido de Flávio. Alves prestou depoimento no inquérito em que estão indiciados Paulo Maluf, Flávio e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta. Todos são acusados de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal, corrupção, peculato e formação de quadrilha. O doleiro também afirmou que abriu três contas em Nova York, cujas movimentações eram realizadas a pedido de Flávio Maluf. Segundo a polícia, Maluf e seu filho tentaram impedir que Alves fizesse revelações em seu depoimento, atitude interpretada como intimidação de testemunha. Esse foi um dos argumentos usados pela polícia para pedir à Justiça prisão do ex-prefeito. Nas gravações, a polícia interceptou ainda recados deixados por Maluf na caixa postal do celular do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. A assessoria do ministro afirmou que ele nunca conversou com Maluf sobre o processo. Sobre o teor dos diálogos gravados, Maluf disse que são verdadeiros, mas que não se referem ao doleiro ou ao processo que tramita contra ele na 2ª Vara Federal. No relatório que conclui três anos de investigações, a polícia afirma que Maluf, Flávio e Pitta ?pilharam? os cofres públicos da Prefeitura de São Paulo por mais de uma década em uma ação ?sem precedentes?. A assessoria de imprensa do ex-prefeito disse que o pedido de prisão é uma ?cortina de fumaça? para esconder ?maracutaias de Brasília? e que Alves tentou extorquir Maluf. O advogado de Pitta disse que ele não participou da suposta tentativa de intimidação de testemunha. Duda Mendonça disse, por meio de seu advogado, que só vai se manifestar diante das autoridades. A assessoria do ministro disse que não recebeu nenhuma solicitação de Maluf sobre o caso. PREOCUPAÇÃO As conversas telefônicas entre o ex-prefeito Paulo Maluf e o filho Flávio, interceptadas pela Polícia Federal, revelam a preocupação dos dois com o depoimento que seria prestado ao Ministério Público pelo doleiro Vivaldo Alves, conhecido como Birigüi. Os grampos, com diálogos entre 14 de junho e 20 de julho deste ano, registram ainda pelo menos três diálogos e um encontro entre Flávio e Birigüi. O depoimento do doleiro, que foi o tema de diversas conversas gravadas, ocorreu em 23 de junho. À Procuradoria e à PF Birigüi disse que, em 1998, por ordem de Flávio, transferiu US$ 5 milhões para o publicitário Duda Mendonça em uma conta no Citibank de Nova York. Afirmou ainda que fez outras remessas a pedido de Flávio. Duda trabalhou como publicitário da campanha de Maluf ao governo do Estado naquele ano. Um dos encontros de Flávio e Birigüi foi filmado pela PF. Cinco minutos depois de deixar o local, Flávio ligou para o pai e disse que ?a chance é 60 a 40??. Depois, um dia antes do depoimento, Flávio voltou a telefonar para Birigüi, a quem chamou de ?amigo??, e pediu a que ele não se esquecesse da conversa que tiveram. ?Eu te garanto, entendeu? [...] Garanto o que nós conversamos [...]. É o melhor para você, te garanto, te garanto. Confie em mim??, disse o filho do ex-prefeito. O ex-prefeito criticou o delegado Protógenes Queiroz, que indiciou Maluf e o filho sob acusação de lavagem de dinheiro. ?Quem deveria ser indiciado era o doleiro. Ele é réu confesso??, disse.

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