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Crise e protesto marcam 7 de Setembro

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Rose Ane Silveira Folhapress A crise política e os protestos contra a corrupção marcaram ontem as comemorações do Sete de Setembro em Brasília. Enquanto o Desfile Cívico-Militar acontecia na Esplanada dos Ministérios, manifestantes exibiam faixas e cartazes com críticas ao governo. Cerca de 30 mil pessoas estiveram no evento, segundo a Polícia Militar. O público representa metade do que compareceu no ano passado, de acordo com os dados da PM. O desfile durou quase duas horas e meia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou às 8h45 e passou revista às tropas que estavam em frente ao Palácio do Planalto. Ao chegar à tribuna de honra, o presidente foi alvo de vaias e aplausos. As arquibancadas próximas à tribuna foram reservadas para os convidados da Presidência e a população ficou afastada das autoridades, o que poupou o presidente e os 24 ministros que compareceram de ouvir os protestos. Em uma das faixas, críticas ao governo Lula: ?Governo corrupto, Brasil de luto.? Entre os manifestantes estavam representantes do PSOL, PSTU, MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra) e mulheres de militares, que exibiam faixas pedindo ?salários mais dignos para seus maridos?. Ao chegar, o presidente foi saudado pelo Hino Nacional, tocado em versão reduzida, o que abafou as manifestações do público. A seguir, o Hino foi executado na íntegra e interpretado por alunos portadores de deficiências auditivas e visuais de escolas especiais de Brasília. A crise política também afastou os congressistas das comemorações da Esplanada. De acordo com as informações da organização do evento, somente três deputados estiveram no desfile. Segundo o deputado petista, Paulo Delgado (MG), a crise política não foi a única responsável pela ausência de público e parlamentares na Esplanada. ?O tempo fechado, que prometia chuva afastou o público?, avaliou o deputado. Na falta de autoridades brasileiras, o presidente Lula contou com o apoio do presidente da Nigéria, Olosegum Obasanjo. Lula e Obasanjo se retiraram imediatamente após o fim do desfile em terra. A Esquadrilha da Fumaça fez ainda uma demonstração de aproximadamente 10 minutos nos céus da Esplanada. ### Lula volta à TV e fala sobre crise em cadeia nacional Em pronunciamento de rádio e TV ontem à noite, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu a crítica da oposição de que o crescimento da economia se deve ao bom cenário internacional e voltou a abordar a crise política. Por seis minutos, Lula disse, por exemplo, que resultaram de ações do governo as principais descobertas sobre corrupção da crise e argumentou que fez a sua parte ao pedir investigações rápidas quando apareceram denúncias. O presidente citou dados do relatório elaborado pelo ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, mostrando as ações do governo em resposta às acusações de corrupção. Citou dados da Polícia Federal, da Receita Federal e da Corregedoria Geral da União. Tratou ainda do trabalho das CPIs no Congresso. Lula disse também que é injusto a oposição afirmar que o Produto Interno Bruto (PIB) cresce favorecido pelo cenário internacional e que o ritmo poderia ser mais forte se a política econômica fosse menos ortodoxa. Disse que foram decisões do governo que garantiram, na sua visão, um crescimento econômico com baixa inflação. Voltou a dizer que não permitirá que supostas ações da oposição na crise por conta das eleições de 2006 coloquem a economia em risco. E repetiu dados econômicos positivos, como o desempenho das exportações. Correção Faz duas semanas que Lula prepara um pronunciamento. A data de 7 de setembro foi vista como uma oportunidade para Lula ?corrigir?, segundo suas próprias palavras, o discurso de abertura da reunião ministerial no dia 12 de agosto. Naquele dia, Lula olhava para o teto e usou um tom de voz burocrático. Lula chegou a pedir modificações em textos preparados pela equipe do ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral). O pronunciamento ficou aos cuidados do publicitário Paulo de Tarso da Cunha Santos, da agência Matisse. Ele fez as campanhas de Lula em 1989 e 1994, além de trabalhos de publicidade no governo. Foi o primeiro pronunciamento oficial gravado por Lula que não foi feito pelo publicitário Duda Mendonça, que fez a campanha em 2002. Desde que depôs à CPI dos Correios e admitiu recebido pagamento de Marcos Valério no exterior, Duda deixou de cuidar da imagem do presidente.

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