Nacional
Procuradoria pede preventiva de Maluf
| Lilian Christofoletti Folhapress São Paulo - O Ministério Público Federal pediu ontem a prisão preventiva de Paulo Maluf (PP), ex-prefeito de São Paulo, e de seu filho Flávio - ambos acusados de tentar subornar uma testemunha. Além do pedido de prisão, a Procuradoria ofereceu uma denúncia (acusação formal) contra eles por formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A juíza da 2ª Vara Federal Sílvia Maria Rocha deverá analisar hoje o pedido de prisão. O ex-prefeito e seu filho foram flagrados em escutas telefônicas supostamente tentando impedir o depoimento do doleiro Vivaldo Alves, o Birigüi, à Polícia Federal e ao Ministério Público. O doleiro, apontado como operador do dinheiro dos Maluf no exterior, disse ter movimentado pelo menos US$ 161 milhões por meio da conta Chanani, do Safra National Bank de Nova York. Esse dinheiro, segundo Simeão Damasceno de Oliveira, ex-diretor da construtora Mendes Júnior, foi desviado de obras públicas durante a gestão de Maluf na Prefeitura de São Paulo (1993-96). Celso Pitta Oliveira e Birigüi também foram denunciados ontem pela Procuradoria: o primeiro por ser o operador do dinheiro no exterior e o segundo por ser responsável pela divisão da propina. Para o doleiro, o Ministério Público pediu a delação premiada (redução da pena), porque ele colaborou com a investigação com nomes de contas, números e valores. As informações de Birigüi foram confirmadas, com precisão de centavos, pelo Banco Safra. Apesar de a Polícia Federal ter solicitado também a prisão de Celso Pitta (1997-2000), a Procuradoria entendeu que o caso deve ser investigado em outro inquérito que já está em andamento. Pelas conversas gravadas que embasam o pedido de prisão dos Maluf, Flávio telefonou ao menos três vezes para o doleiro, a quem convidou para uma conversa. Num dos diálogos, ele, após referir-se a Birigüi como ?amigo?, pediu que não se esquecesse da conversa que tiveram. ?Garanto o que conversamos, e a forma, entendeu? É o melhor para você. Te garanto. Te garanto. Você entendeu? Confia em mim, tenho certeza do que eu tô falando?. Num outro diálogo, desta vez com Paulo Maluf, Flávio disse qual era a orientação ao doleiro. ?Entra mudo e sai calado?. O suposto suborno teria sido feito por um dos advogados do ex-prefeito Maluf. Advogados de Maluf afirmaram ontem que irão aguardar com serenidade a decisão da juíza. A defesa argumenta que os Maluf não podem ser presos por coação de testemunhas, pois Birigüi é réu e, pela legislação brasileira, o acusado não tem o compromisso de falar a verdade. Ontem, o ex-prefeito passou o dia na cidade de Campos do Jordão ao lado da mulher, Sylvia. Seu filho Flávio trabalhou na empresa Eucatex, em Salto (interior de SP). A assessoria de Maluf tem reafirmado que não há provas contra o ex-prefeito ou contra Flávio e que a acusação é ?enviesada?.