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Substitui��o come�a a ser articulada

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Ranier Bragon Fábio Zanini Folhapress Brasília - A entrevista do empresário Sebastião Augusto Buani tornou praticamente insustentável a permanência de Severino Cavalcanti (PP-PE) na presidência da Câmara, o que já desencadeou uma intensa articulação sobre quem ocupará seu lugar. A oposição, que vinha pedindo sua saída, subiu o tom dizendo que ele deve perder inclusive o mandato. Aliado a isso, governistas pela primeira vez abandonaram as declarações brandas sobre a situação do presidente da Câmara. ?Mudou consideravelmente o quadro. Em nenhum momento isso deve ser tratado como questão de governo. É óbvio que piorou muito a situação de Severino. É oportuno que ele retorne imediatamente ao País para dar explicações à Câmara e à sociedade?, afirmou o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). O líder do PT na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), disse que situação de Severino ?é dificílima? e reivindicou a presidência da Câmara devido ao fato de o partido ter a maior bancada na Casa - 90 deputados. Durante o dia ele havia sido bem mais cauteloso, chegando inclusive a dizer que não se deveria passar ?a carreta na frente dos bois?. O deputado, porém, ressalvou que não exclui a possibilidade de o PT aceitar um nome de outro partido, já que se busca um candidato de consenso. A tradição, e não a Constituição, reza que a maior bancada comande a Câmara. Tanto é que Severino, em eleição inédita, derrotou em fevereiro o candidato do partido e do governo para a Presidência da Câmara, Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP). Caso Severino deixe definitivamente o posto, serão realizadas novas eleições em um prazo de até cinco sessões. O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), afirmou que os fatos são um ?baque no Poder Legislativo?. ?Depois dessa entrevista, não tem mais o que dizer?, afirmou o deputado, que preside o órgão responsável em processar deputados por quebra do decoro parlamentar. ?Foi um depoimento convincente, fragiliza ainda mais a situação do Severino, que cada dia fica mais insustentável. Cada deputado que quer defender a Casa tem que começar a pensar em um nome que unifique as forças políticas da Câmara?, afirmou Renato Casagrande (ES), líder da bancada do PSB. Segundo ele, ?é provável? que o partido assine juntamente com a oposição o pedido de cassação do mandato de Severino, caso ele não renuncie. Na oposição, os discursos foram bem mais duros e a avaliação principalmente entre tucanos e pefelistas é que Severino vai renunciar à presidência da Casa e ao mandato como forma de escapar da inelegibilidade até 2015 que uma possível cassação resultaria. Os cinco partidos de oposição reafirmaram a intenção de pedir a cassação do pepista caso ele não renuncie. ?A entrevista [de Bauni] é convincente, é decisiva, definidora. Não há mais dúvida. É hora de começar a discutir o seu sucessor?, afirmou Alberto Goldman (SP), líder da bancada do PSDB. ?Ele [Bauni] acabou de sepultar a era Severino na Câmara?, sentenciou Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA). A discussão sobre quem deve substituir Severino Cavalcanti já resultou no surgimento de diversos nomes, no PT e em outros partidos. O único consenso aparente é que o perfil não deve ser o de aliado incondicional do governo nem de um oposicionista que crie problemas para o Planalto. ### Situação se agrava, diz corregedor Afilhado político de Severino Cavalcanti (PP-PE), o corregedor-geral da Câmara dos Deputados, Ciro Nogueira (PP-PI), disse ontem que o depoimento do empresário Sebastião Buani é ?chocante? e agrava bastante a situação de seu mentor. ?É um depoimento chocante. A mudança na versão do empresário deixa o presidente numa situação constrangedora, muito difícil?. Segundo Nogueira, a principal pista dada por Buani para comprovar a veracidade de sua história é o cheque que ele afirma ter sido descontado por um motorista de Severino numa agência do Bradesco, para pagar uma parcela do suposto ?mensalinho?. ?Agora fica mais fácil esclarecer, com a questão do cheque. Temos que aguardar, porque pode ser uma prova importante?, declarou. Nogueira é considerado o deputado mais próximo de Severino na Câmara. Chegou a ser indicado por ele para ser ministro das Comunicações, na malograda reforma ministerial que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva preparava em março. A admissão pública de Nogueira de que a situação de Severino se complicou é reveladora do desânimo que se abateu no ?gabinete de crise? severinista, formado também pelo deputado Benedito Dias (PP-AP), entre outros. Nogueira tem conversado com o presidente da Câmara diariamente para aconselhá-lo desde que a crise veio à tona, na última sexta-feira. Ontem à noite, voltaria a falar com ele a respeito da entrevista de Buani. Ele assegurou, no entanto, que a proximidade com Severino não comprometerá seu desempenho como corregedor, que é o encarregado de investigar e recomendar punição a deputados. ?É um dos momentos mais difíceis da minha vida. Mas tenham a certeza de que vou cumprir meu dever?, afirmou Nogueira. Severino deve prestar depoimento na corregedoria na próxima semana. O corregedor afirmou que não pode prejulgar Severino e que quer ouvir sua versão. ?Ele [Severino] me disse que é inocente e por isso temos que esperar sua defesa?, disse. Nogueira não quis dizer se Severino deve se afastar do cargo. ?Isso é uma decisão dele. Ele só pode continuar como presidente se for inocente?. ### Severino volta a negar denúncia O presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti (PP-PE), ao ser questionado ontem em Nova York se recebera dinheiro do empresário Sebastião Buani, disse: ?É mentira, é mentira, é mentira?. Os repórteres insistiram para ele comentar a entrevista de Buani, que momentos antes havia confirmado ter pago propina e ?mensalinho? a Severino, então primeiro-secretário da Mesa. Severino disse apenas: ?Estarei lá [no Brasil] na segunda-feira e responderei a todos?. Severino passou o dia de ontem despistando os repórteres para evitar comentar o assunto. As tentativas para escapar das perguntas incluíram cenas típicas de filme de ação. Severino contou com a ajuda de assessores e um constrangedor périplo de três minutos em silêncio entre um restaurante e o carro, submetido a uma artilharia de perguntas. Severino saiu do hotel em que está hospedado, na região do Central Park, com uma hora e meia de antecedência de seu primeiro compromisso na 2ª Conferência Mundial de Presidentes de Parlamentos apenas para fugir da imprensa. Por fim, depois de localizado pelos jornalistas no restaurante do subsolo de um hotel em frente à sede das Nações Unidas, saiu repetindo que não daria declarações. Cochilo O segundo dia de agenda oficial de Severino na conferência foi marcado por uma série de encontros bilaterais. O pepista se reuniu com presidentes dos parlamentos da Bulgária, da Bielorússia e da China e assistiu ao discurso do secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Embora tenha cumprido à risca a extensa agenda, Severino demonstrou desatenção para os assuntos tratados na conferência e ficou o tempo todo recebendo informações do Brasil. Num dos discursos, pela manhã, o presidente da Câmara chegou a cochilar.

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