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Justi�a acata den�ncias contra Maluf

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| Epaminondas Neto Folhapress São Paulo - A juíza Silvia Maria Rocha da 2ª Vara Criminal de São Paulo aceitou ontem todas as denúncias do Ministério Público contra o ex-prefeito de Paulo Maluf, seu filho Flávio Maluf, o doleiro Vivaldo Alves e o ex-diretor da construtora Mendes Júnior Simeão Damasceno de Oliveira. Os quatro passam a ser réus de crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A soma das penas mínimas é de 8 anos de prisão. A assessoria de imprensa da Justiça Federal informou que a juíza não repassou informações sobre os pedidos de prisão preventiva. Para o Ministério Público Federal, as escutas telefônicas revelam que o ex-prefeito e o filho tentaram impedir o depoimento do doleiro Vivaldo Alves, o Birigüi. O doleiro, apontado como operador do dinheiro dos Maluf no exterior, disse ter movimentado pelo menos US$ 161 milhões por meio da conta Chanani, do Safra National Bank de Nova York (EUA). Ele afirmou que todo o dinheiro era de Maluf e de seu filho. Segundo Oliveira, o dinheiro que abasteceu contas dos Maluf no exterior foi desviado de obras públicas durante a gestão dele na Prefeitura de São Paulo (1993-1996). Oliveira e Birigüi também foram denunciados anteontem pela Procuradoria: o primeiro por ser o operador do dinheiro no exterior e o segundo por ser responsável pela divisão da propina. Para o doleiro, a Procuradoria pediu a delação premiada (redução da pena), porque ele ajudou a investigação (forneceu nomes, números e valores de contas). As informações de Birigüi foram confirmadas, com precisão de centavos, pelo banco Safra. O caso De acordo com relatório do Ministério Público Federal, demonstrativos de pagamento mostram que cerca de R$ 57 milhões foram pagos à construtora Mendes Júnior pela Prefeitura de São Paulo, entre 1997 e 1998, época em que Maluf era o prefeito da cidade. Segundo a Procuradoria, o dinheiro recebido pela construtora era pago a subempreiteiras ?laranjas?, que devolviam 90% (após pagamento de serviço por meio de notas fiscais frias) em cheques para o ex-diretor da empresa Simeão Damasceno de Oliveira. O valor que voltava a Simeão, ainda de acordo com a Procuradoria, era enviado ao exterior por meio do doleiro Vivaldo Alves, o Birigüi. Documentos entregues pelo próprio Simeão ao Ministério Público em 2002 apontariam depósitos feitos em contas em Genebra e em Nova York. A conta Chanani, em Nova York, foi criada por Birigüi, para receber o dinheiro desviado pela Mendes Júnior. A Chanani, que pertence ao ex-prefeito Paulo Maluf, recebeu um total de cerca de US$ 141 milhões, segundo o doleiro. Outra conta pertencente a Maluf, em Londres, remeteu em 1998 cerca de US$ 27 milhões a Chanani. Segundo a Procuradoria, o dinheiro que chegava a Chanani era distribuído em outras contas e bancos, para pagamento de despesas de Maluf e de seus familiares. Paulo Maluf afirma que não tem contas no exterior e que não movimentou dinheiro fora do Brasil. Maluf diz que Birigüi mente e afirma que ele e seu filho Flávio são vítimas de uma tentativa de extorsão.

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