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Corregedoria aprova pedido de cassa��o
| Chico de Gois Folhapress Brasília - A Comissão de Sindicância da Câmara concluiu relatório ontem no qual sugere à Mesa Diretora que encaminhe ao Conselho de Ética representação contra 18 deputados acusados de quebra de decoro parlamentar. Hoje, a Mesa se reúne e, se as palavras do corregedor Ciro Nogueira (PP-PI), se confirmarem, os sete membros deverão acatar o parecer por unanimidade. O documento segue a mesma linha descrita pelas CPIs dos Correios e do Mensalão, que concluíram que há indícios suficientes para que os parlamentares envolvidos, direta ou indiretamente com o esquema do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, percam o mandato. No final da tarde de ontem, deputados do PT questionaram o relatório do deputado Robson Tuma (PFL-SP) e disseram que pretendem recorrer à Mesa para apresentar suas defesas antes que os processos sigam para o Conselho de Ética. Depois que o pedido de cassação é protocolado no Conselho, a renúncia não o livra da perda de direitos políticos. ?Vamos argumentar que é necessário ser instaurado um inquérito no qual possamos nos defender??, afirmou Paulo Rocha (PA). ?O Conselho de Ética funciona como juiz e não é o espaço para a defesa??. Rocha criticou o relatório de Tuma. ?O parecer dele só fez juntar os documentos encaminhados pelas CPIs dos Correios e do Mensalão e não nos ouviu??. Apesar de Tuma opinar favoravelmente pela continuidade do processo de cassação dos 18 parlamentares elencados pelas CPIs dos Correios e do Mensalão, na prática o rito atingirá 17 deputados, uma vez que Carlos Rodrigues (PL-RJ) renunciou ontem. ### Carlos Rodrigues renuncia ao mandato Afirmando ?não querer prolongar uma agonia?, o deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ) renunciou ontem ao mandato para evitar enfrentar um processo de cassação no Conselho de Ética da Câmara. Ele é o segundo parlamentar a deixar a Casa na esteira do escândalo do mensalão - o primeiro foi o presidente do PL, Valdemar Costa Neto. A renúncia de Rodrigues, que havia sido anunciada na semana passada por João Caldas (PL-AL), foi protocolada na secretaria-geral da Câmara às 11h59 e lida em plenário por volta das 14h, na abertura da sessão. O texto enviado à direção da Casa não trouxe nenhuma justificativa. Ele será substituído pelo suplente Reinaldo Gripp Lopes (PL-RJ). O nome de Rodrigues aparece na lista de 18 deputados elaborada pelas CPIs dos Correios e do Mensalão, relacionados como beneficiários do suposto esquema. Ele teria recebido R$ 400 mil das contas do publicitário Marcos Valério de Souza, apontado como operador do esquema. O deputado afirmou ontem ter recebido R$ 250 mil repassados por Valério, dinheiro que, segundo ele, foi utilizado para quitar dívidas referentes ao segundo turno da campanha que elegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. À época, Rodrigues já presidia o PL no Rio. ?No primeiro turno [da eleição de 2002], apoiei o Garotinho [Anthony] para presidente. Depois, fui chamado pelo deputado Valdemar para que apoiasse o presidente Lula. Apoiei, fiz dívida do partido, e o Valdemar mandou que eu recebesse o dinheiro em dezembro de 2003?, disse. ?Fiz a campanha do Lula, mas não saio magoado porque o presidente Lula também não sabia nada disso. Acho que algumas pessoas no PT se comportaram sem a capacidade de gerir, digo que foram como donos de botequim gerindo a Petrobras.? Rodrigues evitou citar nomes, mas afirmou ter ficado surpreso com a atitude de petistas tidos como ?proeminentes figuras, que só falavam em ética?. ?Quem é que ia imaginar que um partido com tantas proeminentes figuras, pessoas que só falavam em ética e correção, e pessoas que participaram de CPIs, quebraram sigilos, sabiam que jamais poderiam cometer um erro desses...? Ele também procurou isentar o ex-ministro José Dirceu no caso. ?Gosto do Zé Dirceu, tenho muito respeito e amizade por ele e não posso fazer juízo de valor sobre se ele deve pagar ou não.? Ontem, Rodrigues passou o dia no Rio. Pela manhã, reuniu-se com correligionários e depois telefonou para Costa Neto. Disse que não pretendia fazer nenhum ?desabafo? em plenário e encaminhou sua renúncia por meio de um assessor. ?É um processo político. Com um julgamento político, você tem de tomar uma atitude política. Pelo que os líderes dos partidos estão falando, todos os 18 já estão condenados.? Com a renúncia, Rodrigues poderá concorrer às eleições do próximo ano, embora afirme que deverá abandonar a vida pública. ? Minha vontade, hoje, é sair da vida pública.? ### Comissões retomam depoimentos O Congresso enfrenta uma semana de agenda cheia. As atenções na Câmara estarão voltadas pricipalmente para a situação do presidente da Casa, Severino Cavalcanti, mas os trabalhos das CPIs e a votação da cassação do deputado federal Roberto Jefferson não deverão sair do foco. O plenário da Câmara vota, amanhã, o processo contra o deputado petebista, acusado de participação no escândalo do mensalão. Na sessão, Jefferson poderá ter seu mandato cassado. O pedido de cassação do ex-chefe da Casa Civil e deputado José Dirceu também entra na pauta do dia com o Conselho de Ética ouvindo as testemunhas do ex-ministro. Após uma semana de recesso, as CPIs retomam os depoimentos. Os mais aguardados são os do ex-presidente do PT José Genoino, na CPI do Mensalão, e o do ex-ministro Luiz Gushiken, na CPI dos Correios. A CPI do Mensalão marcou para hoje, a partir das 11h30m, o depoimento de Genoino. Os deputados e senadores querem ouvi-lo sobre os empréstimos de R$ 55 milhões feitos pelo partido pelo ex-tesoureiro Delúbio Soares. Os contratos bancários tinham a sua assinatura e foram avalizados pelo empresário Marcos Valério. José Genoino tem outro depoimento agendado: quinta-feira, no Conselho de Ética da Câmara, como testemunha de defesa do deputado José Dirceu. O Conselho de Ética também vai ouvir no mesmo processo, os ex-ministros e deputados Aldo Rebelo (hoje), Eduardo Campos (também na hoje, depois de Rebelo), o jornalista Fernando Morais (amanhã). Amanhã, também na CPI dos Correios, será ouvido no plenário o secretário do Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Luiz Gushiken. Ele é acusado de influir nas decisões dos fundos de pensão. Também amanhã, mas na CPI do Mensalão, será a vez de João Cláudio Genu, ex-assessor do PP, explicar os saques feitos na agência do Banco Rural de Brasília. Segundo ele, o dinheiro sacado era entregue ao líder do partido na Câmara, José Janene, e ao presidente do PP, Pedro Corrêa. Já a CPI dos Bingos deve votar, nesta semana, requerimento do senador Geraldo Mesquita Jr. (PSOL-AC) que convoca o ministro da Fazenda, Antônio Palocci.