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Severino pode optar por licen�a
| Folhapress Brasília Diante da recusa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em recebê-lo para uma conversa reservada, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), ameaçou ontem se licenciar do cargo e revelar supostas denúncias sobre colegas do Congresso. ?Conversei com o presidente Lula durante o vôo para Alagoas e perguntei se ele conversaria com o Severino. Ele disse que, se fosse feito um pedido formal de audiência, sim?, disse o deputado federal João Caldas (PL-AL), quarto-secretário da Mesa da Câmara e aliado de Severino. Segundo Caldas, Severino ameaçou se licenciar e não renunciar, como deseja o governo. ?A novidade de hoje (ontem) é que ele [Severino] admitiu tirar licença [da presidência da Casa].? A licença alçaria o vice-presidente da Câmara, o pefelista José Thomaz Nonô (AL), ao comando da Casa. O governo teme que Nonô venha a dar aval a um pedido de abertura de impeachment de Lula. Nonô, porém, tem negado isso e dito que será isento e não atuará como um oposicionista. ?O Severino disse que vai para o cadafalso, mas vai levar muita gente junto?, afirmou Caldas, um dos membros do chamado baixo clero (grupo de deputados de pouca visibilidade pública). A ameaça de licença feita por Severino foi vista no Palácio do Planalto como um gesto de desespero para tentar obter alguma ajuda do governo. Essa ajuda não virá. Lula, por exemplo, recusou um pedido de Severino para falar reservadamente com ele. Disse que o faria oficialmente apenas. Isso contrariou o presidente da Câmara, que autorizou Caldas a tornar pública a ameaça. Mesmo que tire licença, avalia o Planalto, Severino poderá continuar a sofrer um processo de cassação. A licença daria a Severino 120 dias para permanecer fora do cargo. ### Supremo recebe inquérito da PF contra Severino A Polícia Federal enviou ontem ao Supremo Tribunal Federal (STF) o inquérito que investiga uma suposta tentativa de extorsão praticada pelo empresário Sebastião Buani contra o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE). Em relatório preliminar sobre o que foi investigado até o momento, a PF afirma haver ?indícios veementes de crime praticado por parlamentar? e pede a quebra dos sigilos bancário e telefônico de Severino e Buani. No inquérito encaminhado ao Supremo, a PF levantou dados que derrubam a tese de que o cheque de R$ 7.500, apresentado pelo empresário Sebastião Buani como prova do pagamento do mensalinho a Severino, tinha como destino o pagamento de despesas de campanha de um filho do presidente da Câmara. Agora, o STF dará prosseguimento ao inquérito e irá decidir se acata o pedido da PF de quebra dos sigilos dos dois. O inquérito do mensalinho foi instaurado em 5 de setembro, devido a representação encaminhada por Severino ao Ministério da Justiça na qual afirma que o empresário tentou obter dinheiro em troca de não divulgar para a imprensa o que batizou de ?A História de um Mensalinho? - o passo a passo da suposta mesada de R$ 10 mil mensais que seria paga por Buani ao parlamentar para se manter como concessionário do restaurante da Câmara. A PF decidiu apressar o envio do inquérito ao STF - conforme a lei, poderia tomar essa providência até 4 de outubro - por entender que Severino, tanto quanto Buani, é alvo da investigação. Sua condição de parlamentar impõe o STF como o foro da investigação. Os depoimentos e documentos já colhidos colocam Severino sob suspeita de concussão (extorsão praticada por funcionário público) ou corrupção passiva. Quanto a Buani, investiga-se se praticou corrupção ativa. Quanto a Buani, investiga-se se praticou corrupção ativa. ### Dados do TSE desmentem versão sobre cheque Foi com base em dados colhidos no Tribunal Superior Eleitoral que a Polícia Federal pôs em xeque a versão de Severino e sua secretária Gabriela Kênia Martins, sacadora do cheque de R$ 7.500 datado de 2002. O dinheiro, segundo o depoimento da secretária à PF, teria como destino a campanha para deputado estadual em Pernambuco, em 2002, do filho do presidente da Câmara, Severino Cavalcanti Júnior, que morreu naquele ano. Pelo menos oficialmente isso não aconteceu, pois Buani não consta da lista de doadores do então candidato, que declarou à Justiça Eleitoral ter arrecadado R$ 1.000 e gasto apenas R$ 33. Em seu segundo depoimento na PF, na última quarta-feira, a secretária - que trabalha com Severino desde 1995 - disse que pegou o cheque com Buani e o descontou, a pedido de Severino Júnior. Segundo Gabriela Martins, o dinheiro foi usado para pagar material de campanha comprado em Brasília, onde os preços seriam melhores que os de Pernambuco. Ela mencionou como possíveis fornecedoras as gráficas Tinta Impressa e Letra e Cor. A reportagem não localizou a Tinta Impressa. Gerente da Letra e Cor, Alexandro Freitas disse que não prestou serviços para Severino Júnior, não é fornecedor da Câmara e que, em 2005, produziu adesivos para a campanha de Severino Cavalcanti à Presidência da Câmara. No relatório preliminar da investigação, a Polícia Federal informa que encaminhará ao STF o resultado de diligências já solicitadas, como a análise do suposto documento firmado em 4 de abril de 2002, no qual Severino teria estendido o contrato de Buani para explorar o restaurante da Câmara. O Instituto Nacional de Criminalística deve concluir a perícia do documento até a próxima terça-feira.