loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
segunda-feira, 03/08/2026 | Ano | Nº 6280
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Nacional

Nacional

Doleiro confirma opera��o para o PT

Ouvir
Compartilhar

Folhapress Brasília O doleiro Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, reafirmou ontem, durante depoimento às CPIs dos Bingos, dos Correios e do Mensalão, que a corretora Bônus-Banval operava para o PT e para o PP. De acordo com Barcelona, que foi condenado a 25 anos de prisão por lavagem de dinheiro, era o doleiro Dario Messer quem enviava os dólares, do Panamá, e sua empresa, a Barcelona Tour, trocava em reais e entregava os valores convertidos à corretora que, por sua vez, repassava recursos para nomes do PT e do PP indicados pelo publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza. ?O Delúbio [Soares, ex-tesoureiro do PT] não pegou aquela fortuna e pôs no bolso?, afirmou. ?Dario Messer é o principal doleiro do PT?, acusou Barcelona. Segundo Barcelona, entre 3 de setembro e 9 de outubro de 2002 ?houve uma procura muito grande por reais em espécie e o mercado não conseguia atender?. Ele disse que trocou para o doleiro Dario Messer US$ 2,050 milhões, o que equivaleria à época a cerca de R$ 7 milhões. ?Esse dinheiro teve como destino a Bônus-Banval?, assegurou. Além disso, o doleiro declarou que o ex-ministro José Dirceu era ?amigo íntimo? dos sócios da Bônus-Banval. ?Isso era voz corrente.? Na cadeia de conhecimento descrita por Barcelona, o doleiro Alberto Youssef apresentou o deputado José Janene (PP-PR) à Bônus. Janene, segundo o doleiro, levou Marcos Valério à corretora e o publicitário apresentou Delúbio Soares ao esquema da corretora. ?A cadeia começou dessa forma.? Barcelona, que em seu depoimento informal à CPI dos Correios envolvera o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, em supostas operações irregulares de remessa de recursos para o exterior, ontem voltou atrás. ### BMG empregou ex-mulher de Dirceu Em depoimento à CPI dos Correios, o presidente do banco BMG, Ricardo Guimarães, confirmou ter dado um emprego para Maria Ângela Saragoça, ex-mulher do então ministro José Dirceu (Casa Civil), a pedido do empresário Marcos Valério de Souza. Guimarães também afirmou que Marcos Valério teria sido o responsável por agendar uma audiência da diretoria do banco com Dirceu. Psicóloga, Maria Ângela trabalha no Departamento de Recursos Humanos do banco, em São Paulo. ?Ela foi contratada em novembro de 2003. Quem pediu foi o Marcos Valério?, disse Guimarães. ?Já estávamos procurando uma psicóloga em São Paulo, ela estava apta e está lá até hoje?, complementou ele. Em 2003 Marcos Valério intermediou também um contrato de financiamento imobiliário no valor de R$ 42 mil no Banco Rural para a ex-mulher de Dirceu. O dinheiro foi usado para a compra de um apartamento. O imóvel antigo de Maria Ângela foi comprado por Rogério Tolentino, que é sócio do publicitário. Quando o caso veio à tona, a ex-mulher de Dirceu afirmou que foi usada por Marcos Valério. O BMG concedeu empréstimo de R$ 2,4 milhões ao PT em 2003 e de R$ 40,4 milhões às empresas de Marcos Valério entre 2003 e 2004. Esses recursos também teriam sido repassados ao partido. Guimarães negou ter concedido os empréstimos em troca de aplicações financeiras dos fundos de pensão. Segundo ele, o BMG trabalha com as entidades de previdência desde 1996. O empréstimo para o PT foi concedido em 17 de fevereiro de 2003. Três dias depois a diretoria do BMG foi recebida pelo então ministro da Casa Civil. No dia 24 subseqüente foi feita a primeira operação financeira com a SMP&B, agência de Marcos Valério, no valor de R$ 12 milhões. Habeas-corpus O presidente do grupo Opportunity, Daniel Dantas, conseguiu ontem no Supremo Tribunal Federal (STF) um habeas-corpus preventivo, o que lhe dá o direito de silenciar diante de ?indagações suscetíveis de causar embaraços a sua defesa? durante seu depoimento numa sessão conjunta das CPIs dos Correios e do Mensalão. Dantas foi chamado para explicar os repasses de duas empresas - a Telemig e a Amazônia Celular - ao publicitário Marcos Valério de Souza. Corregedoria Ontem, os integrantes da comissão de sindicância da Corregedoria, encarregada de ouvir a defesa dos 16 deputados acusados de receberem dinheiro do suposto esquema do mensalão, reclamaram de uma articulação orquestrada para se tentar individualizar os casos, o que protelaria os processos. Três dos 16 deputados acusados apresentaram ontem suas defesas à Corregedoria da Casa, que tem dificuldades para notificar os parlamentares. A Corregedoria ouviu a defesa de João Magno (PT-MG). Ele admitiu ter recebido R$ 429 mil -R$ 300 mil para sua campanha à Prefeitura de Ipatinga (MG) e R$ 129 mil para quitar dívidas da campanha. Afirmou ter apresentado notas fiscais que comprovariam o uso do dinheiro e disse que ?cabe ao PT dizer a origem do dinheiro?. O deputado Romeu Queiroz (PTB) disse que ?não pode ser cassado porque não pegou nenhum centavo? do dinheiro de caixa dois de campanha recebido pelo partido em Minas Gerais. Segundo ele, foram R$ 350 mil doados pelo PT e R$ 102 mil oriundos da Usiminas. ### Genu reforça versão da cúpula do PP O assessor do PP João Cláudio de Carvalho Genu, 41, apontado como um dos receptores do dinheiro do esquema de Marcos Valério, corroborou ontem em depoimento à CPI do Mensalão a versão do caso apresentada pela cúpula pepista e, a exemplo de outros depoentes, afirmou ter apenas transportado o dinheiro que Marcos Valério e o PT repassaram a partidos aliados. Segundo planilha apresentada por Valério, o PP, por meio de Genu, foi o destinatário de R$ 4,1 milhões do esquema. O partido afirma ter recebido apenas R$ 700 mil, dinheiro que teria sido usado em sua totalidade no pagamento do advogado do deputado Ronivon Santiago (PP-AC), que enfrenta diversos processos eleitorais. A versão foi confirmada ontem por Genu - chefe de gabinete do líder da bancada do PP na Câmara, José Janene (PR) - embora ele tenha feito condicionantes que dão margem a dúvidas. Uma delas se dá porque Genu afirma que não conferia os pacotes de dinheiro que recebia da gerente financeira de Valério, Simone Vasconcelos, e que os entregava lacrados à direção do partido. Ele sustenta ter transportado R$ 700 mil apenas com base em recibos que assinou ao receber os pacotes. Questionado pelo deputado Julio Redecker (PSDB-RS) sobre se poderia ter transportado os R$ 4,1 milhões sem saber, respondeu: ?É possível?. Além disso, Genu disse que só soube agora da versão de que o dinheiro foi destinado a Ronivon. O assessor disse ainda na CPI que esteve apenas por quatro vezes na agência do Banco Rural de Brasília - local de distribuição do ?valerioduto?- embora registros de entrada na portaria do prédio apontem para mais visitas. Em todas as ocasiões, ele afirmou que fez o serviço por solicitação de um contador do PP já morto, mas que a ordem era confirmada por Janene e pelo presidente do PP, Pedro Corrêa (PE). ?Tem muito defunto nessa história. Vamos ter que chamar o espírito do Chico Xavier para presidir essa sessão?, ironizou o deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), ao lembrar que são atribuídas a pessoas mortas muitos papéis-chave no atual escândalo. Genu negou também que tenha participado de tráfico de influência em estatais e disse que seu patrimônio, que inclui casa de luxo e vários carros, é compatível com sua renda familiar. O assessor confirmou ainda que acompanhou Janene em várias visitas à corretora Bônus-Banval, que ?operou? para Marcos Valério. Segundo Genu, Janene ia ao local visitar a filha, que fez estágio na corretora. O depoimento do assessor do PP foi um dos mais rápidos, tendo durado pouco mais de duas horas e meia. ?Aqui todo mundo chega e diz que não sabe nada, não viu nada e que os culpados são os mortos. Evidentemente que ninguém vai contar nada aqui?, avaliou o deputado Fernando Coruja (PPS-SC).

Relacionadas