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Oposi��o questiona a��es do governo

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| Felipe Recondo Folhapress Brasília - Depois da eleição do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) para a presidência da Câmara, integrantes da oposição questionaram os métodos utilizados pelo governo para vencer a disputa. Na disputa com o oposicionista José Thomaz Nonô (PFL-AL), Aldo venceu por 258 a 243 votos. O líder do do PSDB na Câmara, Alberto Goldman (SP), que recentemente avaliou como ?suicídio político? a escolha de Aldo para disputar o cargo, disse ontem que ele venceu com a ajuda de deputados que são alvos de processo de cassação por quebra de decoro. ?A diferença entre o Aldo e o Nonô é menor do que o número de deputados sujeitos a cassação?, disse o tucano, acrescentando que o presidente da Câmara eleito recebeu votos de pessoas que não tem ?autoridade moral?. O deputado José Dirceu (PT-SP) disse que Goldman é um ?mau perdedor?. ?Ele é perdedor, é um mau perdedor. Assim ele ofende a Casa e mostra que é um mau perdedor. Ele tem um passado stalinista, antidemocrático?, declarou. O líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ), avisou que agora a oposição vai centrar fogo no governo e acompanhar diariamente a liberação de recursos e emendas, para quantificar a intervenção do Planalto no resultado da eleição de Aldo Rebelo. ?O governo mostrou todo o seu perfil autoritário. Talvez por isso tenha escolhido um candidato do PCdoB?, reagiu, irritado, Rodrigo Maia. Aldo disse não acreditar que o governo tenha ?jogado pesado? para tentar elegê-lo, liberando verbas federais para emendas parlamentares ao Orçamento. Ele afirmou que assiste a isso como espectador, pela imprensa e pela televisão, e não acha que tenha ocorrido. Rebelo também desmentiu que teria sido oferecido o Ministério da Educação a um partido para que seus deputados votassem nele. Nonô também criticou as negociações do governo. ?O governo jogou o que tinha e o que não tinha. Vamos ver o que amanhã?, referindo a possíveis concessões que o governo teria feito para conseguir eleger Aldo. ?Só posso desejar que ele receba o espírito da Câmara. Que ele seja o presidente que eu queria ser.? ### Aldo diz que Câmara será transparente Em seu discurso de posse como presidente da Câmara, o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) afirmou que a Casa será, durante o seu mandato, uma instituição transparente. Ele também reafirmou os compromissos assumidos durante a campanha para o cargo e convidou os colegas a recuperar a credibilidade do Legislativo. ?Em um País tão cheio de desequilíbrio, mas tão cheio de esperanças, acredito que todos nós queremos uma sociedade mais justa, democrática e essa instituição mais transparente?, disse. Para o deputado, cabe à Câmara atuar com pensamento ?crítico e otimista?, no sentido de aproveitar suas potencialidades e, ao mesmo tempo, remover os obstáculos existentes. ?Esse é um espaço independente que pertence unicamente ao seu titular maior, que é o povo brasileiro. Tenho a noção exata dos limites dessa transição que nós realizamos e sei que só será possível levar a bom termo a condução dos trabalhos desta Casa se nos apoairmos na sabedoria dos mais antigos, com a energia, vigor e capacidade de realização dos mais jovens?, avaliou. Durante o seu discurso, Aldo também cumprimentou todos os parlamentares e funcionários da Casa, afirmando que eles ?garantiram o espírito democrático da instituição?. Considerando que a Câmara é um espaço livre, independente e do povo brasileiro, ele afirmou que a Câmara será conduzida por colegiados e anunciou como vice-presidente o candidato da oposição José Thomaz Nonô (PFL-AL), que concorria com ele no segundo turno das eleições para a presidência da Câmara. Como segundo-secretário, Aldo Rebelo elegeu Ciro Nogueira (PP-PI). Aldo disse ainda que vai trabalhar para recuperar a capacidade de iniciativa da Casa. ### Lula diz esperar diálogo com a Câmara O presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou nota ontem à noite logo após a confirmação da vitória do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP) na disputa pela presidência da Câmara. No texto, Lula diz que deseja cumprimentar o novo presidente da Câmara e que espera ter um diálogo independente, construtivo e respeitoso com o Legislativo. ?Diálogo esse voltado para o legítimo interesse da sociedade e para o aperfeiçoamento das instituções democráticas?, diz a nota. O clima de euforia tomou conta do Palácio do Planato. O ministro de Relações Institucionais, Jaques Wagner, emocionou-se ao saber do resultado. Senado Ao saber do resultado da eleição na Câmara, o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), correu para cumprimentar Aldo. Na avaliação de Mercadante, a vitória de Aldo é um reconhecimento à sua trajetória política e deverá contribuir para resgatar a imagem do Parlamento. Sua expectativa é que o novo presidente da Casa garanta a aprovação imediata da reforma política. ?Temos um acordo para votarmos nesta quinta-feira a reforma política?, lembrou Mercadante. O líder do governo fez questão de sair em defesa do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que foi duramente criticado pelo deputado Michel Temer (PMDB-SP), que desistiu da disputa pelo comando da Câmara depois que parte de seu partido decidiu apoiar a candidatura de Aldo. Para Mercadante, Renan sustentou na Câmara o critério que o elegeu no Senado, respeitando o critério da proporcionalidade e apoiou o candidato da maior bancada da Casa. Embora o PT tenha perdido nos últimos dias essa condição, o senador governista lembra que o que vale, neste caso, é o tamanho das bancadas no início da legislatura. ### Temer surpreende e sai da disputa Com um duro discurso contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e a articulação política do governo, o presidente do PMDB, Michel Temer (SP), renunciou ontem a sua candidatura para dirigir a Câmara e convocou a bancada do seu partido para votar no candidato da oposição, o pefelista José Thomaz Nonô (AL). A oposição acredita que parte dos 182 votos que levaram Nonô para o segundo turno veio de Temer. No pronunciamento de 15 minutos, Temer acusou Renan de ter trabalhado a mando do Palácio do Planalto para esvaziar sua candidatura e angariar votos para Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Em seguida, em entrevista, foi ainda mais direto ao expor a rusga: ?Sugiro ao Renan que procure outras companhias, porque na minha ele não se dará bem?. Disse também que a manobra governista ?agrava a relação do PMDB com o governo?. Renan não quis comentar o discurso. Após desistir de concorrer, Temer se reuniu com Nonô, na noite de terça, para negociar o apoio de pouco mais de 30 peemedebistas que o seguiriam. No encontro, decidiu que anunciaria publicamente seu apoio a Nonô na tribuna em retaliação à articulação governista. Ironia ?Esta Casa não pode vergar-se ao Poder Executivo, mas também não deve hostilizá-lo. Ao ler a Constituição Federal, verifica-se o tema da independência e harmonia entre os Poderes. Agora, fazer desta Casa uma sucursal, seja da presidência do Senado Federal ou do Executivo, é a negação do texto constitucional?, disse, sob aplausos. Ex-presidente da Câmara por dois mandatos, Temer iniciou sua fala afirmando que ?jamais pensou em voltar a se candidatar para esse posto?, mas que fora convencido por colegas na Casa a disputar, entre eles, o próprio Renan. Em tom de ironia, afirmou que ?almoçava com o eminentíssimo, exatíssimo, excelentíssimo, extraordinário presidente do Senado, Renan Calheiros?, quando houve um acerto para que ele competisse. ?Sua Excelência [Renan] me colocou ao telefone com o eminente presidente José Sarney, esse estadista que prestou um serviço extraordinário ao país e confiou em sua palavra, e me disse que o ideal seria ir até o fim. Fez-se uma reunião da bancada, que me lançou por unanimidade?.

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