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Trabalhos da CPI dos Correios podem ser prorrogados
Brasília - O presidente da CPI dos Correios, senador Delcidio Amaral (PT-MS), afirmou ontem que a comissão poderá ser prorrogada ?pelo tempo que for necessário? para a conclusão das investigações. Segundo Delcidio, a CPI só será concluída quando todos os relatórios estiverem prontos. A apuração está concentrada nos esquemas de corrupção montados nos Correios e no Instituto de Resseguros do Brasil (IRB), na movimentação financeira do empresário Marcos Valério e na atuação dos fundos de pensão. O prazo inicial é 15 de dezembro, quando a comissão completa seis meses de trabalho. ?Não há condição de transformar a CPI dos Correios em pizza?, disse Amaral. A declaração é uma reação à tentativa de parlamentares do próprio PT de emperrar as investigações. Na quarta-feira, a bancada petista se retirou do plenário da comissão, impedindo a votação da quebra do sigilo bancário de dez corretoras que teriam causado prejuízo aos fundos de pensão em operações de compra e venda de títulos públicos. Delcidio, que decidiu permanecer no PT, criticou abertamente seus colegas de partido. ?Espero que isso não se repita mais?. Privatização do IRB O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, pediu ontem a integrantes da CPI dos Correios que preparem um projeto de privatização do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). Um estudo para a abertura de capital já está em estudo pelo presidente do instituto, Marcos Lisboa, por ordem do ministro. No entanto, Palocci teria afirmado a um dos membros da comissão que precisa de força política para levar o assunto adiante. Com o aval da CPI, Palocci conseguiria base para enfrentar as resistências internas de integrantes do governo e de filiados do PT. De acordo com esse membro da comissão, o ministro teria dito que enfrenta problemas políticos no governo para avalizar as propostas que defende. O IRB é uma espécie de seguradora das companhias seguradoras. Quando uma seguradora assume um contrato superior à sua capacidade financeira, parte do risco é garantida pelo IRB. O Tesouro Nacional detém a maioria das ações do instituto e a idéia de privatizá-lo vem desde o governo Fernando Henrique Cardoso. A CPI dos Correios começará a investigar o IRB assim que concluir as apurações sobre as licitações fraudulentas na empresa estatal e desvendar o suposto esquema de corrupção instalado na sede da ECT por partidos políticos. O instituto entrou no rol de investigações depois da denúncia de que Roberto Jefferson, exigia uma mesada de R$ 400 mil do então presidente do IRB, Lídio Duarte, apadrinhado político do partido e indicado pelo PTB. A Comissão de sindicância do IRB apurou que Duarte e o ex-diretor comercial Luiz Eduardo Lucena favoreceram as corretoras Acordia/Assurê, Cooper Gay e Alexander Forbes. ### Polícia investiga repasse de verba A Polícia Civil de Ribeirão Preto vai investigar se o Departamento de Água e Esgotos de Ribeirão Preto (Daerp) superfaturou contratos como forma de repassar, irregularmente, recursos aos ex-prefeitos petistas Antonio Palocci, atual ministro da Fazenda, e Gilberto Maggioni, seu vice à época. A investigação pretende apurar a veracidade do que declarou o advogado Rogério Tadeu Buratti em depoimento à polícia em 19 de agosto último. Na ocasião, Buratti afirmou que Palocci recebera R$ 50 mil mensais da empreiteira Leão&Leão entre 2001 e 2002, quando administrava a cidade. Quando Maggioni substituiu Palocci, passou a receber os repasses, segundo Buratti. Os dois negaram as acusações de Buratti, ex-vice-presidente da Leão&Leão. ?Na época, o Buratti disse que cada pagamento que era feito pela prefeitura à empresa [Leão&Leão] em parte retornava ao prefeito, e que parte era cobrada a mais objetivando a liberação da propina?, disse o delegado seccional Benedito Valencise. Ele quer apurar se houve pagamento ?excedente?. No início desta semana, Valencise recolheu cópias dos contratos de prestação do serviço do Daerp em 1993 e 1994, anos da primeira administração de Palocci, e de 2001 a 2004 - governos de Palocci e Maggioni. O delegado disse que foram apreendidos ?relatórios de controle de serviços realizados?, que incluem a varrição. ?São documentos extremamente importantes que podem comprovar fraude na varrição, crime de peculato e falsidade ideológica que estamos investigando.? brasil telecom A Assembléia Geral Extraordinária da Brasil Telecom destituiu ontem o Opportunity, do banqueiro Daniel Dantas, da administração da empresa. Ricardo Knoepfelmacher substituiu a italiana Carla Cico, ligada ao Opportunity, na presidência da empresa, encerrando uma das maiores disputas empresariais do País. Dantas disputava com fundos de pensão estatais, com o americano Citigroup e com a Telecom Italia o controle da operadora, que atua nas regiões Sul, Centro-Oeste e Norte do País e, no ano passado, teve faturamento de R$ 12,8 bilhões. A escolha do novo presidente foi definida pelo novo Conselho de Administração, eleito na manhã de ontem, e tem dois membros indicados pelo Citigroup, dois pelos fundos, dois pelos italianos e um pelos acionistas minoritários. O presidente é Sergio Spinelli, indicado pelo Citigroup, e o vice é Pedro Paulo Elejalde de Campos, dos fundos. A empresa afirmou que, para o consumidor, não haverá nenhuma mudança. A nova diretoria divulgou que tem audiência marcada com o ministro das Comunicações, Hélio Costa, no próximo dia 11 e, até o final do mês, deve realizar uma reunião com analistas de mercado para anunciar suas novas estratégias. Serão feitos ajustes na estrutura, que, na avaliação da nova diretoria, estava muito centralizada na presidência.