Nacional
Presidente de CPI amea�a deixar cargo
| Fernanda Krakovics Folhapress Brasília - Depois da repercussão negativa da obstrução dos trabalhos pela base aliada, a CPI dos Correios tenta aprovar hoje, pela terceira vez, a quebra do sigilo bancário de 11 corretoras que teriam causado prejuízos a fundos de pensão em operações de compra e venda de títulos públicos. Na semana passada os governistas impediram a votação desses requerimentos ao esvaziarem o plenário da comissão. Diante do impasse, o presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), ameaçou colocar o cargo ?à disposição?. ?Se essas mazelas continuarem, eu não vou me prestar a esse papel. Não presido a comissão se essas manobras continuarem?, afirmou o senador. Delcídio e o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), estão operando para garantir que haja quórum, preocupados com as críticas a respeito da paralisia dos trabalhos. Relatório parcial da comissão contabilizou prejuízo de R$ 9 milhões em negociações de títulos feitas por seis dos 11 fundos de pensão avaliados. Todas essas entidades de previdência são patrocinadas por estatais. Parlamentares investigam se essa foi uma das fontes do caixa dois do PT. ?É uma coisa ridícula procrastinar uma decisão como essa, que está no escopo da CPI?, afirmou Delcídio. ?Alguns parlamentares não enxergaram ainda que, no final das contas, estão desmoralizando o Parlamento.? Delcídio conversou ontem com a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), responsável pela retirada de três deputados governistas do plenário da comissão na semana passada, o que evitou a votação da quebra dos sigilos. Na ocasião a justificativa dada para a saída deles foi que tinham sessão da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). A senadora afirmou que a base aliada votará a favor da quebra de sigilo das corretoras. ### Renan tenta organizar trabalhos O presidente da CPI dos Correios, Delcídio Amaral, tem ameaçado prorrogar os trabalhos da comissão, previstos para acabar em dezembro, se os governistas continuarem a paralisar as investigações. Há duas semanas a CPI não tem votações por falta de quórum. O presidente do Senado, Renan Calheiros, reúne hoje os presidentes e relatores das três CPIs - Correios, Mensalão e Bingos - para tentar organizar os trabalhos. Essa é a segunda vez que Renan tem de entrar no circuito. A primeira foi quando as três comissões começaram a disputar holofotes, convocando as mesmas pessoas e quebrando os mesmos sigilos. Na sessão administrativa de hoje, o relator Osmar Serraglio (PMDB-PR) vai apresentar um relatório sobre o contrato dos Correios com a empresa Skymaster, que faz transporte aéreo de cargas. O documento apontará superfaturamento de R$ 64 milhões, fraude em licitação devido à negociação prévia, edital com cláusula restritiva à competição e subcontratação da empresa Beta para a prestação do serviço, o que não seria permitido, segundo o relator. O parecer foi elaborado a partir de auditorias feitas pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e pela Controladoria-Geral da União (CGU). Serraglio afirmou que continuará a investigar saques em espécie de R$ 30 milhões feitos entre 2000 e 2005 na conta da empresa e que não foram explicados pelos sócios da Skymaster em depoimento à CPI. A Skymaster afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que está sendo atingida de maneira ?injusta? pelo relatório da CPI dos Correios e que estão sendo cometidos ?enganos lamentáveis? nas investigações. A empresa nega que tenha havido superfaturamento, manipulação de contratos, concorrência desleal e apadrinhamento político e afirma que está contestando relatório feito pela CGU, que conteria ?erros torpes?. A assessoria de imprensa dos Correios afirmou que só se manifestará quando o relatório for divulgado oficialmente. CPI dos Bingos Cinco depoimentos à CPI dos Bingos apontam interferência ilegal na negociação entre a Caixa Econômica Federal e a multinacional GTech do Brasil, em abril de 2003, que terminou com a renovação de um contrato de R$ 650 milhões. A CPI fará amanhã uma acareação entre os cinco depoentes para descobrir se ocorreu pagamento de propina na negociação. A multinacional opera loterias da Caixa. A acareação será entre Rogério Buratti (secretário de Governo de Ribeirão Preto em 1993 e 1994, quando o ministro Antonio Palocci [Fazenda] era o prefeito), Carlinhos Cachoeira (empresário), Marcelo Rovai (gerente da GTech), Enrico Gianelli (ex-advogado da multinacional) e Waldomiro Diniz (assessor da Casa Civil até fevereiro de 2004). Os cinco confirmam interferência ilegal no negócio, mas discordam sobre pagamento de propina.