loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Nacional

Nacional

Baixaria na acarea��o da CPI dos Bingos

Ouvir
Compartilhar

Brasília - Em acareação feita ontem na CPI dos Bingos, com troca de acusações e bate-boca, o advogado Rogério Tadeu Buratti e Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil, acusaram a multinacional GTech de pagar propina para renovar um contrato com a Caixa Econômica Federal no valor de R$ 650 milhões em abril de 2003. A multinacional opera loterias da Caixa. Buratti disse que a empresa ofereceu propina de até R$ 16 milhões ao PT e que pelo menos R$ 6 milhões foram pagos via empresa MM Consultoria Jurídica, sediada em Belo Horizonte (MG). Em resposta na acareação, o gerente da GTech Marcelo Rovai disse que Buratti e Waldomiro Diniz são ?um bando de bandidos? e tentaram extorquir R$ 6 milhões da multinacional, que se negou a pagar. Outro presente na acareação, o empresário de jogos Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, afirmou acreditar que Waldomiro tentou realmente achacar a GTech. Afirmou, porém, não conhecer Buratti. O ex-advogado da GTech Enrico Giannelli, o quinto presente na acareação, reforçou a versão de Buratti. Disse que Rovai mandou ele procurar Buratti no início de 2003. Segundo Buratti, a intenção da GTech era conseguir apoio do ministro Antonio Palocci (Fazenda), do qual foi secretário em 1994. Giannelli também reforçou o argumento de Waldomiro ao entregar um documento à Polícia Federal e encaminhado ontem à CPI dos Bingos. É um organograma com os nomes do ministro Palocci, do ex-ministro da Casa Civil, deputado José Dirceu (PT-SP), e de Waldomiro. Esse documento indica que Cachoeira deveria, a serviço da GTech, convencer Waldomiro a interferir junto a Dirceu na renovação do contrato. Rovai disse na acareação que Waldomiro era um desconhecido da GTech até ser apresentado por Cachoeira para uma reunião no dia 13 de fevereiro. No dia 2 de abril, Buratti apareceu, ainda segundo a versão de Rovai, e pediu R$ 6 milhões para permitir a renovação do contrato. ?Mentira. Ele [Rovai] me ofereceu de R$ 500 mil a R$ 16 milhões e depois baixou para R$ 6 milhões e pagou para a MM Consultoria?, gritou Buratti para Rovai. ?E o senhor é por acaso tolinho para não aceitar R$ 16 milhões?, rebateu Rovai. Buratti ao ser chamado de bandido e ?sem-vergonha? pela terceira vez levantou-se para sair da acareação, mas foi contido pelo presidente da CPI, Efraim Morais (PFL-PB), que mandou Rovai não repetir mais a acusação. Sobrou até para o presidente Lula que criticou a CPI. ?Lula tem que ficar com a cabeça baixa, baixinha. Ele é o rei do trambique?, disse o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE). ### CPI confronta versões sobre mensalão A CPI do Mensalão aprovou na manhã de ontem uma acareação entre o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza; a diretora financeira da SMP&B, Simone Vasconcelos; o assessor do PP João Cláudio Genu; o presidente do PL, Valdemar Costa Neto; o tesoureiro informal do PTB, Emerson Palmieri; o ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas; o assessor do ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto, José Luiz Alves; e o ex-presidente da Casa da Moeda Manoel Severino dos Santos. Acareação deve ser em duas semanas. De acordo com o autor do requerimento, deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG), a acareação é importante para definir qual das listas de recebedores das contas de Marcos Valério é verdadeira. ?Quem entregou nos valores em dinheiro diz que entregou tal quantia. Quem recebeu, diz que recebeu, mas as quantias não batem?, disse. Tanto Marcos Valério quanto Simone Vasconcelos apresentaram à CPI listas diferentes de sacadores das contas do empresário no Banco Rural. A CPI aprovou também a convocação de Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor da área internacional do Banco do Brasil e apontado como um dos arrecadadores de recursos para campanhas eleitorais do PSDB. A data do depoimento ainda não foi marcada. O requerimento de convocação de Ricardo Sérgio, o primeiro de um depoente ligado aos tucanos, foi apresentado pelo senador Sibá Machado (PT-AC) e pelo deputado Odair Cunha (PT-MG). Para aprovar a convocação na CPI do Mensalão, os petistas argumentaram que Ricardo Sérgio pode dar esclarecimentos sobre a possível compra de votos para aprovação da emenda da reeleição em 1997. O assunto foi incluído na CPI a pedido da base governista. Ontem, a CPI do Mensalão ouviu o depoimento de José Luiz Alvez, que foi chefe de gabinete do ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto (PL), hoje prefeito de Uberaba (MG). Segundo Marcos Valério, Alvez recebeu R$ 1 milhão das contas da SMP&B no Banco Rural. Ele, no entanto, admite que sacou apenas R$ 200 mil e que o dinheiro foi utilizado para quitar dívidas da campanha de 2002, em que Adauto candidatou-se a deputado federal. ### Membros de CPI defendem prorrogação Integrantes da base aliada e da oposição na CPI dos Correios defenderam, em sua maioria, a prorrogação dos trabalhos da comissão até março, durante jantar anteontem em Brasília. Em consonância com o Palácio do Planalto, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pressiona para que as três CPIs em funcionamento (Bingos, Correios e Mensalão) acabem neste ano. O governo pressiona pelo fim das CPIs para que a crise não se alongue mais nem contamine 2006 - ano de eleições. Enquanto isso, seguem os depoimentos. O diretor dos Correios em São Paulo, Marcos Antônio da Silva, admitiu ontem, à CPI, que autorizou a migração de quatro grandes clientes da estatal para a rede de franquias da empresa, que recebem comissão pela prestação do serviço postal. Relatório produzido pela CPI indica que o prejuízo dos Correios com o pagamento de comissão à rede franqueada pode passar de R$ 10 milhões neste ano. Marcos Antônio foi indicado para o cargo, segundo ele, pelo prefeito de Osasco (SP), Emídio de Souza (PT), em março de 2003. Emídio é ligado ao ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP), acusado de envolvimento no esquema do mensalão. A CPI investiga se o dinheiro supostamente desviado dos Correios abasteceu o caixa dois do PT. O diretor regional alegou motivos éticos para autorizar que os bancos Banespa/Santander, Real, Unibanco e Itaú trocassem a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) pelas franquias. Segundo ele, esses clientes foram retirados da rede franqueada em 2001 e ele os teria devolvido neste ano. ?É claro que estou perdendo dinheiro se considerar do ponto de vista econômico, mas teve a questão ética?, disse Marcos Antônio. A justificativa não convenceu os parlamentares. ?Fica claro que há prejuízo evidente para os Correios no momento em que se autoriza a migração para a rede privada de clientes estratégicos, e com uma base de cálculo arbitrária que trouxe prejuízo para os cofres públicos?, disse o sub-relator de contratos, deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP). Marcos Antônio também baixou a média de referência para o pagamento de comissão à rede franqueada. Elas só recebem o pagamento dos Correios se ultrapassarem a média estabelecida.

Relacionadas