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Bispo diz que vai cobrar cumprimento do acordo
| Fábio Guibu Folhapress Cabrobó - O bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, 59, disse ontem, em Cabrobó (600 km de Recife, PE), que vai cobrar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o cumprimento do acordo que encerrou, após dez dias, sua greve de fome contra a transposição das águas do rio São Francisco. ?Ele [Lula] deu ao ministro [Jaques Wagner, das Relações Institucionais] o poder de decidir por ele. Então, é o presidente que sancionou aquilo que desejávamos?, disse Cappio. ?Foi uma guerra de foice chegarmos até onde chegamos. Fomos o mais fiel possível ao que desejávamos.? O bispo afirmou que não tem motivos para se sentir enganado pelo governo ?porque nada ainda aconteceu?. Cappio entende que o acordo garantiu a suspensão do início das obras de transposição, até que haja consenso sobre o projeto. O ministro, porém, afirmou que o adiamento ou a suspensão da obra não foram discutidos na reunião. A pressa do governo em negociar o fim do protesto, afirmou Cappio, ?não ocorreu porque estavam com dó de mim?. ?Ele [o governo] não estava preocupado com a minha fome, estava preocupado com a repercussão nacional, internacional, com a pressão que estava acontecendo?, declarou. O bispo declarou ainda que, mesmo sabendo dos ?riscos de sanções eclesiais?, estava disposto a seguir ?até o fim?. ?Quem está disposto a morrer não tem medo de sanções. Eu estava livre, sem receio de nada?, afirmou. O frei, que passou por exames médicos e recebeu dois frascos de soro anteontem, bebeu ontem água de coco, suco de melancia e tomou uma canja rala, com fiapos de carne de galinha, legumes e arroz amassados. Hospedado na casa de um casal ligado à Igreja Católica de Cabrobó, ele não reclamou de dores nem mal-estar. Licenciamento O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e a Advocacia Geral da União (AGU) vão recorrer nos próximos dias da liminar dada pela Justiça Federal que suspendeu o licenciamento ambiental da obra de transposição do São Francisco. Ontem, segundo informações do Ibama, os procuradores do órgão ainda estavam elaborando o recurso que será apresentado ao Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, com sede em Brasília. Será apresentado também um agravo de instrumento contra a decisão da juíza Cynthia Lopes, da 14ª Vara Federal de Salvador, que concedeu a liminar. A AGU, também segundo o Ibama, deverá apresentar uma reclamação ao Supremo Tribunal Federal, argumentando que decisões envolvendo a transposição do rio São Francisco são de competência da instância máxima do Judiciário, já que a obra envolve mais de um Estado.