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Xar�s de Severino sofrem com piadas sobre ex-deputado

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| Rafael Sens Agência O Globo Desde fevereiro o nome Severino não sai mais dos noticiários. Tudo por causa do deputado pernambucano Severino Cavalcanti (PP), cuja passagem pela presidência da Câmara dos Deputados deu o que falar. De sua ascensão ao cargo, há sete meses, até sua renúncia em setembro, após denúncias de corrupção, o político despertou a revolta de muitos brasileiros, contrários ao seu jeito de comandar o parlamento. E os mais decepcionados com seus atos foram os conterrâneos que, além de terem vindo do Nordeste, ainda levam seu nome na cédula de identidade. Os Severinos perdidos na multidão - geralmente apelidados pelos amigos de Bill, seguindo uma tradição nordestina - não tiveram mais sossego quando vieram à tona as acusações de que o deputado, nascido na cidade de João Alfredo (PE), teria recebido a propina popularmente conhecida como mensalinho. ?O cabra é safado e sem-vergonha, manchou a honra do nosso nome?, protesta o vendedor Severino Oliveira, de 47 anos, que trabalha no bairro do Brás, na região central da Capital. Oliveira nasceu em Venturosa (PE) e está há 30 anos em São Paulo. Casado e com duas filhas para criar, ele garante que nunca votaria no ex-presidente da Câmara. Se depender de seu xará, ele não volta tão cedo ao poder. Filho de dona Severina e pai de outro Severino, o pernambucano Severino Silva, de 58 anos, também nem cogita a possibilidade de dar um voto ao seu conterrâneo famoso. ?O cara já se sujou, errou demais. Não tem como dar uma nova chance?, conta o ambulante, que dá duro todos os dias no Largo 13, na Zona Sul. Magoado com a moral em baixa dos Severinos, Silva pensa até em mudar de nome após todos os escândalos nos quais o deputado se envolveu. ?Sujou nossa imagem. E se ele deixou o cargo é porque tem culpa no cartório?, desabafa o vendedor, casado há 38 anos e pai de 12 filhos. Assim como muitos homônimos, este Severino também reclama das brincadeiras, mas sempre sorridente. Porém, nem todo Severino enxerga seu representante em Brasília como um vilão. O porteiro paraibano Severino Rocha, de 55 anos, afirma, sem rodeios, que votaria no deputado. ?Acredito que foi mais armação da oposição?, defende ele, nascido na cidade de Souza (PB). Para ele, a volta de Severino Cavalcanti ao cenário político nacional é quase certa. ?Ele disse que vai voltar e isso vai acontecer. Quem não volta somos nós, os mais fracos?, reclama Rocha, pai de quatro filhos e casado há 24 anos. ?Acho meu nome feio? Alheio à crise política, o vendedor Severino Leocádio Junior, de 18 anos, já não gostava de seu nome mesmo antes de ter caído na boca do povo devido à fama do ex-presidente da Câmara dos Deputados, Severino Cavalcanti. ?Acho muito feio?, reclama. Ele encontrou alternativa para evitar o nome sem fugir de seu registro na carteira de identidade. Prefere apresentar-se como Junior. ### Fé em São Severino popularizou o nome Nascido no Rio Grande do Norte, Severino Leocádio Junior, ou melhor, Junior confessa não estar por dentro dos acontecimentos em Brasília. Trabalhando 12 horas por dia em um aviário no Mercado da Lapa, na Zona Oeste, o rapaz afirma não ter tempo para se inteirar sobre os assuntos políticos. Mas, mesmo ocupado com questões mais práticas, ele garante já ter ouvido falar em Severino Cavalcanti. ?Vejo sempre o pessoal do ?Casseta & Planeta? fazendo brincadeiras com ele?, explica. Nome de santo Severino é, sem dúvida, um dos nomes mais populares na região Nordeste. Mas qual o motivo de tantos homens serem batizados assim? Uma das razões é a devoção do povo por São Severino, cuja imagem encontra-se na Capela Nossa Senhora da Luz, no município de Pau d?Alho, a 45 quilômetros de Recife. As romarias ao santuário ocorrem de setembro a janeiro. Registros da Igreja dão conta de que o santo, que viveu no século V, era um cidadão romano rico que largou tudo para se dedicar à religião. Durante sua vida, teria construído muitos monastérios em uma Europa invadida pelos povos bárbaros. Relatos da época descrevem o poder de suas orações, que teriam espantado os gafanhotos de plantações na Áustria. No Brasil, os primeiros milagres atribuídos a São Severino datam do século 19. A imagem do santo chegou ao estado de Pernambuco pelas mãos de um dono de engenho da região, que importou a peça da Itália. No início, os fiéis espetavam a escultura acreditando que o santo sangraria.

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