Nacional
Campanha do sim v� falhas em programa
| Cláudia Lamego e Evandro Éboli Agência O Globo No balanço da primeira semana de propaganda gratuita do referendo das armas na TV e no rádio, a campanha do não saiu na frente e provocou uma crise na frente do sim. No Rio, o deputado estadual Carlos Minc (PT-RJ), um dos coordenadores da frente no Estado, disse na sexta-feira que o sim perdeu o primeiro round na disputa pelos eleitores. Segundo ele, além do bom discurso da preservação do direito, a campanha do não acertou também ao se apropriar da questão da segurança pública. ?Não estamos indo bem. Precisamos desconstruir o discurso deles. É preciso dizer que a proibição do comércio de armas vai ser o primeiro passo para a diminuição da violência. Depois, vamos pressionar para que os bandidos também sejam desarmados e que a polícia seja bem equipada e qualificada para nos proteger?, disse Minc. O publicitário Paulo Alves, que coordena o programa gratuito da Frente Brasil sem Armas, admitiu que será preciso fazer ajustes na propaganda. Para ele, o discurso da preservação do direito à legítima defesa, apresentado pelos que são contra a proibição do comércio de armas, foi bem-sucedido. ?Vamos ter que passar a abordar essa questão do direito também. Não podemos deixar que ela prospere. É preciso contrapor melhor o direito à arma ao direito à vida?, disse Paulo Alves. O publicitário, porém, considera o êxito dos adversários transitório. Ele acredita que será difícil sustentar por muito tempo que o direito que eles defendem, na realidade, é o da bala e da arma. ?Reconheço um acerto na campanha adversária. Mas ele pode ser revertido?. Os principais articuladores da campanha do sim querem ainda atingir os segmentos que resistem ao desarmamento, principalmente os jovens. O deputado Raul Jungmann (PPS-PE), um dos coordenadores do grupo, disse que pesquisas qualitativas apontam que os jovens das classes D e E são os que mais resistem à proposta da proibição da vende de armas. ?É o setor mais vulnerável, principalmente o jovem pobre da periferia, onde há muita violência?. Se há problemas na condução da campanha a favor do fim do comércio de armas, o mesmo não ocorre na frente adversária. Os responsáveis pela campanha do não estão satisfeitos com os resultados obtidos até agora e acreditam que sairão vitoriosos. O deputado Alberto Fraga (PFL-DF) circulou pelo Congresso exibindo otimismo e assegurando que a proposta que defende sairá vencedora. Josias Quintal (PSB-RJ), ex-secretário de Segurança do Rio, diz que a campanha está crescendo e ganhando adesões. O deputado Luiz Antônio Fleury (PFL-SP), um dos coordenadores do grupo, afirmou que aos poucos as pessoas estão se interessando pela discussão e isso se reflete no número de debates de que tem participado. ?A nossa campanha é bem mais esclarecedora?, afirma.