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PFL quer investigar irm�o de Lula

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| Fernanda Krakovics Folhapress Brasília - O PFL pretende fazer uma representação no Ministério Público contra Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O objetivo é que a instituição investigue suposto tráfico de influência praticado pelo parente do presidente da República. Em sua última edição, a revista Veja revelou que Vavá abriu um escritório em um prédio comercial de São Bernardo do Campo (SP), no início do ano, para intermediar demandas que empresários teriam em prefeituras petistas, estatais e órgãos do governo federal. Em nota divulgada pelo Planalto, a assessoria disse que o ?presidente nunca teve conhecimento da existência de um suposto escritório do qual seu irmão participasse?. A nota diz ainda que ?nenhuma das possíveis gestões feitas pelo irmão do presidente junto ao governo federal teve qualquer aceitação por parte dos funcionários procurados.? Vavá foi ao Planalto para audiência com o assessor especial da Presidência da República César Alvarez acompanhado do presidente da Federação Brasileira de Hospitais, Eduardo Oliveira. Alvarez disse ter recebido Vavá e seus acompanhantes no mezanino do Planalto. ?Queremos que seja investigada essa nova figura que apareceu na arquitetura lobista do Brasil. A melhor providência é entregar ao Ministério Público para ver se foi retirada vantagem dessa relação de parentesco. A denúncia é grave e foi confirmada pelo próprio Vavá?, disse o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC). Ele descartou a convocação do irmão de Lula por uma das CPIs em funcionamento. ?Não é o caso específico das CPIs em andamento?, disse ele, afirmando que também não será apresentado requerimento para ouvir Vavá na Comissão de Fiscalização e Controle (CFC) do Senado. ?Somos minoria e o governo barraria a nossa iniciativa.? O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) tem a mesma opinião a respeito da investigação desse caso pelas CPIs. ?Não vejo necessidade porque é um fato tão explícito que por si só já configura tráfico de influência, não há nenhuma dúvida?, disse ele. Para o líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), esse é mais um exemplo de ?mistura do público com o privado? praticado pelo PT. Entre os casos listados por ele estão a hospedagem de 14 amigos de um dos filhos do presidente Lula na residência oficial, assim como o aporte de R$ 5 milhões feito pela Telemar, concessionária de serviços públicos, na Gamecorp, empresa de Fábio Luiz, filho de Lula. ?São peças da convivência de Lula com a improbidade?, afirmou Agripino. ### Berzoini tem vantagem sobre Pont Registrando um quórum superior ao estimado pela direção do PT, a apuração parcial do segundo turno das eleições à presidência do partido apontavam, no final da tarde de ontem, vantagem de 5.315 votos ao candidato do Campo Majoritário, Ricardo Berzoini, sobre seu adversário Raul Pont, da corrente Democracia Socialista. De acordo com coordenadores da eleição interna petista, ainda é impossível prever quem irá comandar o partido nos próximos três anos. Integrantes do Campo Majoritário diziam acreditar na manutenção da diferença até o final da apuração. Berzoini, candidato apoiado pelo Palácio do Planalto, afirmou que, em caso de vitória, abrirá diálogo com as chamadas correntes de esquerda do partido. ?Vamos trabalhar por um ambiente de cooperação e tranqüilidade?, disse Berzoini, ressaltando esperar ?com humildade? o resultado final, que só deve ser anunciado na quinta-feira. Pont ainda acreditava na virada, a partir de projeções de membros Democracia Socialista em Estados onde a apuração estava atrasada, como Minas Gerais. Disse, porém, que já se considera vitorioso. ?Minha vitória nas principais capitais brasileiras, com exceção de São Paulo, demonstra que o que há de mais mobilizado e politizado no partido optou por se somar à chapa oposicionista ao Campo Majoritário?, afirmou. Para Pont, o governo Lula será obrigado a ouvir mais o partido a partir de agora. ?Se o Planalto não ouvir [as urnas], dificilmente iremos recuperar o partido para que não tenhamos nenhum tensionamento, nenhum esgarçamento maior num ano eleitoral como 2006?, disse Pont. Se Berzoini vencer, o PT deverá manter a fidelidade ao governo Lula. Negociações, no entanto, serão inevitáveis, já que o Campo perdeu a maioria numérica na composição do Diretório Nacional - instância máxima do partido escolhida no primeiro turno das eleições internas. ### Lula nega populismo para se reeleger O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que não tomará atitudes ?populistas? e ?irresponsáveis? em 2006, influenciado pelo ?processo eleitoral?. Ele criticou, ainda, opositores, que torcem para as ?coisas não darem certo? em seu governo: ?Vocês não sabem o que é urucubaca?! Durante lançamento de licitação para a construção de 42 petroleiros da Transpetro (subsidiária da Petrobras), em Niterói (13km do Rio), Lula afirmou que o ?País está vivendo um de seus melhores momentos? ao ingressar num ?círculo virtuoso? que, segundo ele, perdurará por até 15 anos, com crescimento econômico, de emprego e renda. A despeito do prognóstico positivo, Lula criticou os opositores por ?torcerem? contra seu governo e minimizarem suas ações. Para ilustrar, recorreu novamente a uma metáfora futebolística: ?Vocês não pensem que a coisa é fácil. Tá cheio de gente torcendo para as coisas não darem certo... Vocês já viram um torcedor do Flamengo querer que o Vasco ganhe? Vocês já viram um torcedor do Vasco querer que Flamengo ganhe? Na política, é a mesma coisa. Vocês não sabem o que é urucubaca! É gente torcendo para que as coisa não dêem certo?. Lula negou a possibilidade de ceder ao populismo: ?As coisas estão mais ou menos arrumadas. Agora, é a gente não permitir que o processo eleitoral do ano que vem venha exigir que o governante tome medidas irresponsáveis, populistas, tentando fazer apenas algumas coisas para a torcida, sem levar em conta o momento que o Brasil está vivendo.? No discurso a uma platéia prioritariamente de operários e marinheiros que gritavam entusiasmadamente seu nome, Lula disse que as ações de seu governo serão pautadas pela responsabilidade. ?As coisas serão feitas da forma mais responsável possível. Serão feitas porque, se depender de mim, o Brasil não jogará fora essa oportunidade?. De acordo com Lula, o País está entrando num momento ?crucial? de seu processo de desenvolvimento, no qual não se poder errar. ?Se nós agirmos corretamente, o Brasil poderá ter conquistado definitivamente um novo ciclo de desenvolvimento sustentado e duradouro, que pode demorar de dez a 15 anos?. Lula disse que não está disposto a jogar por terra o esforço para colocar o País nessa rota. ### Advogado confirma reunião no Planalto ?É natural. Um pedido de um irmão do presidente, ninguém nega?, disse ontem o advogado Emmanuel Quirino dos Santos ao comentar uma audiência no Palácio do Planalto conseguida por Genival Inácio da Silva, o Vavá, para uma entidade da área de saúde. Definindo Vavá como um amigo de muitos anos, Santos negou ser um dos funcionários do escritório que, segundo a revista Veja, foi aberto pelo irmão do presidente Lula em São Bernardo para intermediar contatos entre empresários e ONGs e o governo. Santos afirma que, embora exiba uma foto de Vavá e o presidente Lula na entrada, o local é seu escritório de advocacia. O espaço é dividido, diz, com a ex-mulher dele, Cristina Caçapava, que atuaria como agente de viagens free lance. O escritório fica no 3º andar de um prédio comercial próximo ao centro de São Bernardo. ?O Sr. Genival não possui nenhum tipo de relação profissional ou comercial como também não possui qualquer tipo de ingerência no nosso local de trabalho?, diz nota de Santos à imprensa onde nega que o local fosse usado para ?tráfico de influência?. Ele afirmou à reportagem, porém, que Vavá usava o espaço para fazer contatos e usar o telefone. Segundo Santos, esse foi o acordo feito, já que Vavá foi quem conseguiu as salas para o escritório. Pelo acerto com o proprietário, segundo Santos um amigo de Vavá, só pagariam o aluguel de R$ 450 quando os negócios estabilizassem. As três linhas telefônicas do local estão no nome do irmão do presidente, já que Santos e Caçapava estão com restrições de crédito desde que a agência de viagens que tinham faliu em 2001. ?A intenção era montar meu escritório, isolado, e a agência de viagens para Cristina. Vavá perguntou: ?Posso usar eventualmente o telefone? Eu disse: pode?. Questionado sobre que tipo de contatos fazia Vavá no local, Santos afirmou que ele era procurado por muitas pessoas, a maioria ?gente humilde? para conseguir vaga em hospital e outros favores. E contatos como o da Federação Brasileira de Hospitais, que afirma ter usado a influência de Vavá para falar com o Planalto? ?Isso é exceção. A grande massa é gente pobre.? Santos afirma que o irmão de Lula sempre atendeu pedidos da população. Quando se tornou irmão do presidente, vieram ?os pedidos maiores?. Nada, porém, afirma Santos, indica que Vavá tirasse qualquer vantagem dos contatos: ?Temos de ver um aspecto: vai fazer três anos que o irmão dele está lá no Planalto e ele não conseguiu nada, nenhum encaminhamento. A própria reportagem mostra isso?. Sobre a foto de Lula, Vavá e Cristina Caçapava na entrada do escritório, ele disse que a intenção não era ?impressionar? os visitantes. ?É orgulho. Se tivesse uma foto com um campeão de Fórmula-1 eu também colocava.? ### Vavá não fala com a imprensa O irmão do presidente Lula Genival Inácio da Silva, o Vavá, foi orientado por seu filho mais velho, Edson Inácio Marin da Silva, a não dar declarações à imprensa sobre sua atuação para intermediar contatos com o governo nem sobre o suposto escritório aberto em São Bernardo do Campo. Edson foi o único da família a atender a imprensa. Disse ter recomendado ao pai que se isolasse por causa de sua saúde. Vavá se submeteu a duas cirurgias nas pernas neste ano. O filho mais velho de Vavá se disse surpreso com a reportagem da revista Veja que mostrava a atuação do pai em escritório no centro de São Bernardo. ?O fato dele ter montado escritório, ou se ele foi lá, se visitava as pessoas, eu não sei como isso acontecia. Eu só soube dessa história quando apareceu a revista na minha mão.? ?O escritório não é dele, é de advocacia?, disse o filho de Vavá, acrescentando que mais informações seriam dadas pelo advogado e amigo de Vavá Emmanuel Quirino dos Santos. Ele afirmou saber que seu pai viajava a Brasília, mas disse não conhecer os objetivos de Vavá na cidade. ?O fato de ele ter ido a Brasília não significa que está fazendo lobby?, disse, em defesa do pai. Edson, que foi derrotado na eleição para vereador em 2004, afirmou que o pai conhece muita gente e que, pelo parentesco com o presidente, a família costuma ser assediada com pedidos da população. ?Meu pai é aquela história do cabra que vem de Pernambuco. Ajuda, quer fazer, abraça todo mundo. É o perfil dele, disposto a ajudar. Acabou fazendo, teve problemas?. Ele disse apoiar o presidente Lula caso ele queira dar um ?puxão de orelhas? em Vavá.

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