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ONU considera planejamento familiar direito fundamental

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| Benedito Mendonça Agência Brasil Brasília - O planejamento familiar é um direito fundamental para a capacidade das mulheres de moldar seus destinos e livrar suas famílias da pobreza. É um dos investimentos mais sábios e eficazes para qualquer País. Essa é uma das constatações do relatório anual sobre a situação da população mundial 2005, divulgado ontem pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). O relatório revela que, da estimativa de aumento da população mundial dos atuais 6,5 bilhões para 9,1 bilhões em 2050, a maior parte ocorrerá nos 50 países mais pobres. Nessas regiões, a calcula-se que população deve passar do dobro do tamanho atual. Diante dessa realidade, afirma o documento, o planejamento familiar permitiria que as mulheres adiassem a maternidade até concluir sua educação, participar da força de trabalho e adquirir qualificações e experiência. Outro benefício do planejamento familiar seria proporcionar melhor qualidade de vida, devido à redução no tamanho das famílias; queda da mortalidade materno-infantil; prevenção contra o HIV, em função do uso de preservativos; desenvolvimento econômico e social; e equilíbrio entre os recursos naturais e as necessidades da população (por meio de um crescimento demográfico mais lento). De acordo com o documento, nos países mais pobres as mulheres ainda têm em média cinco filhos e 5 milhões delas não têm acesso a métodos de contracepção eficazes. ?Se tivessem uma opção, muitas adotariam o planejamento familiar?, diz o relatório. O documento revela que na África somente 20% das mulheres casadas usam métodos de contracepção, enquanto a média mundial é de 54%. ### Igualdade de gênero resulta de parceria A participação masculina é fundamental para estabelecer a igualdade entre homens e mulheres. A conclusão é do relatório do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). O relatório afirma que mudanças no comportamento masculino são importantes para o controle da epidemia de HIV/Aids e para melhorar as condições de gestação materna. A violência contra a mulher também é mencionada como uma conseqüência da desigualdade entre os gêneros. A representante da UNFPA no Brasil, Tânia Patriota, destaca que o Brasil vem desenvolvendo ações para tornar os homens ?parceiros? na redução das desigualdades. ?Há muito esforço por parte de organizações no Brasil para conscientizar os homens sobre o fato de que mudando alguns estereótipos de masculinidade eles podem diminuir atitudes de violência, agressão e dominação que podem levar a um diálogo e uma negociação muito avançada na área saúde, de prevenção de violência e de Aids?. Problemas com saúde reprodutiva, incluindo o HIV/Aids, são a principal causa de morte e de doença entre mulheres na faixa etária de 15 aos 44 anos em todo o mundo, diz o estudo. De acordo com o documento, mais de 500 mil mulheres perdem a vida a cada ano em conseqüência de complicações no parto e de aborto, por exemplo. Para Tânia Patriota, a solução é garantir que as mulheres tenham acesso a informações e ao atendimento de qualidade. ?O que se deve fazer é dar acesso a serviços de saúde reprodutiva, acesso fácil, informação rápida, atenção de qualidade e especializada para jovens e uma atenção no momento do parto?, afirma. No Brasil, a saúde materna tem relação direta com o grau escolaridade da mãe. Números da Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde apontam que 75% das mulheres com 12 anos ou mais de escolaridade tinham realizado sete ou mais consultas pré-natais durante a gravidez Esse percentual é de apenas 21,9% para as mães sem escolaridade. Normas do Ministério da Saúde determinam que a gestante realize um número igual ou superior a seis consultas. Câncer de mama Cerca de 10% dos casos de câncer de mama são conseqüência de erros genéticos, transmitidos de pais para filhos. A estimativa faz parte de um estudo desenvolvido pelo médico Roberto Vieira, chefe do Serviço de Mastologia do Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Para o mastologista, a descoberta vai permitir alertar pessoas que fazem parte de famílias consideradas de risco. O médico define ?famílias de risco? como aquelas em que já houve casos de câncer de mama em pelo menos três gerações, em mulheres com menos de 35 anos, em homens ou a associação da doença com o câncer de ovário. ?Essas mulheres já nascem com um erro genético que aumenta em 80% sua predisposição a desenvolver a doença, antes de completarem 80 anos de idade?, disse o autor da pesquisa. O mastologista da Fiocruz explicou também que as mulheres que herdam essa carga genética podem optar por medidas capazes de impedir o aparecimento do câncer de mama. Uma delas seria a retirada do tecido mamário para substituí-lo por prótese. Outra opção seria a retirada dos ovários, depois de terem filhos, o que reduz a ação do hormônio estrogênio, responsável pelo desenvolvimento da doença. O câncer de mama já é considerado o tipo mais freqüente entre as mulheres em todo o mundo. No Brasil, a cada hora seis mulheres descobrem que são portadoras da doença. A recomendação da Sociedade Brasileira de Mastologia é que toda mulher deve fazer o exame da mamografia anualmente, a partir dos 40 anos de idade. De acordo com o mastologista Roberto Vieira, como não há métodos de prevenção, quanto mais cedo a doença for detectada, maiores são as chances do tratamento ter sucesso. Os indicadores mostram, no entanto, que 25% dos casos da doença são diagnosticados em mulheres antes de completar esta idade. ?Em famílias de risco há uma grande incidência da doença em mulheres jovens?, alerta Vieira. Ele destaca que o câncer de mama leva dez anos para se desenvolver.

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