Nacional
Legista pode ter sido assassinado
Legista ia depor na CPI dos Bingos, que investiga um esquema de corrupção entre o PT e a prefeitura paulista São Paulo - O promotor do 1º Tribunal do Júri de São Paulo, Marcelo Milani, afirmou ontem que a hipótese de morte natural está descartada no caso do legista Carlos Delmonte Printes e que as investigações devem prosseguir para averiguar duas possibilidades: suicídio ou homicídio, sendo uma das hipóteses morte por envenenamento. O laudo do IML demora 10 dias para ficar pronto e os primeiros exames são inconclusivos. Milani foi indicado pelo Ministério Público de São Paulo para acompanhar as investigações do caso do legista que fez a autópsia do prefeito de Santo André Celso Daniel, assassinado em 2002 e era testemunha do caso. Na época do crime, o legista afirmou que o prefeito tinha sido torturado. A família do legista diz acreditar em morte natural, mas o caso é investigado pela divisão de homicídios da Polícia Civil de São Paulo. Milani ainda não convocou testemunhas sobre o caso. ?Por enquanto, nós estamos em compasso de espera. Nós devemos ter uma posição mais definida no final da semana que vem?, disse ele. A necropsia foi feita durante toda a madrugada de ontem. O corpo foi radiografado e não foi encontrado sinal de violência. O médico-legista foi encontrado morto, só de cuecas, na quarta-feira em seu escritório, na Vila Clementino, zona sul da capital paulista. A família afirma que ele estava com a saúde debilitada. O médico tinha tido pneumonia e apresentava cansaço, dores no peito e parte do corpo estava inchada, segundo o filho que encontrou o legista morto. Delmonte foi ao escritório por volta das 3h, mas a família afirma que era comum ele ir até o escritório à noite. A porta do escritório estava trancada por dentro e não havia sinais de violência. O registro feito pela polícia, porém, foi de ?morte suspeita?, já que foi encontrado no local uma carta com várias páginas em que o perito deixava instruções para a família sobre questões bancárias e falava até que gostaria de ser cremado. ?Nós vamos agora analisar com mais calma. Vamos aguardar a conclusão do levantamento de local e, posteriormente, o exame do IML?, disse o diretor do departamento de homicídios. Em depoimento ao Ministério Público após a morte de Celso Daniel, Delmonte disse que o prefeito foi brutalmente torturado antes de morrer. Também disse que foi pressionado a esconder seu relato pela Polícia Civil - que sustentou a tese de que Celso Daniel foi vítima de crime comum (seqüestro-relâmpago seguido de morte) sem prática de tortura. ?É preocupante. A gente perde uma grande testemunha do caso, uma testemunha importantíssima. Ele foi um legista corajoso. Quando ele prestou depoimento ao Ministério Público, ele foi bastante preciso nas informações que ele prestou para a gente. Infelizmente, a gente não vai poder reproduzir esse depoimento em juízo e nem no Tribunal?, lamentou o promotor Roberto Wider. Na semana passada, o legista havia sido convocado para depor na CPI dos Bingos, que investiga um suposto esquema de corrupção envolvendo o PT e a prefeitura de Santo André.