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Lula passa por saia-justa na Espanha

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Salamanca, Espanha - O discurso do secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, na cerimônia de abertura da 15ª Cúpula Ibero-Americana, em Salamanca, deixou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva numa situação constrangedora. Parceiro do presidente brasileiro nas questões de combate à fome e à miséria, Annan disse que não é possível eliminar a pobreza no mundo se a corrupção não for coibida. ?Claramente, a erradicação da pobreza requer o combate à corrupção, a promoção da transparência e a boa governança. Também requer apoio dos países desenvolvidos?, disse ele ontem durante discurso na cerimônia oficial de abertura da cúpula. Desde que assumiu o comando do País, Lula sempre lutou para se transformar numa referência mundial no combate à fome. Mas a crise política dos últimos cinco meses, motivada por denúncias de corrupção envolvendo o PT e membros do governo, dentre eles companheiros históricos de Lula, contribuiu para desviar o olhar da comunidade internacional sobre o presidente. Mas Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência da República, descartou a existência de um recado específico ao Brasil. Ele tampouco considera emperradas as políticas públicas federais em razão das denúncias. ?Todos os países hoje em dia são afetados pelo problema da corrupção. No caso do Brasil, a corrupção não é um ferrolho que está travando as ações do governo?, disse Marco Aurélio a jornalistas em Salamanca. A menção de Annan revelou que o assunto, tão delicado ao líder petista, não ficou fora da agenda do encontro. A Cúpula Ibero-Americana, que reúne 22 chefes de Estado dos dois lados do atlântico, discute exatamente questões como desenvolvimento sustentável, fome e pobreza na América Latina. ?Quando eu penso neste delicado equilíbrio da tremenda promessa e do urgente perigo no mundo de hoje, eu penso particularmente nas nações da América Latina. Porque é uma região pendurada em um delicado equilíbrio. De várias formas, é um microcosmo do mundo em que vivemos e é ainda o lugar que as Nações Unidas esperam pôr em teste?, observou Annan, mostrando que a região é motivo de grande preocupação entre os organismos internacionais. Haiti O governo brasileiro, que lidera a Força de Estabilização da Missão da ONU no Haiti (Minustah, na sigla em francês), considera que a sua presença no país está tendo um ?êxito relativo?. A avaliação foi feita por Marco Aurélio Garcia. ?É uma intervenção respeitosa dos direitos humanos, com um número de baixas mínimo, seja na população civil seja nas tropas que tem lá?.

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