Nacional
Saramago critica governo de Lula
| FOLHAPRESS São Paulo O escritor português José Saramago disse sexta-feira que o Brasil não avançou o suficiente na área social e que quem está satisfeito com o País é o Fundo Monetário Internacional (FMI). ?Tenho a impressão de que, do ponto de vista político e social, o Brasil parou. A economia parece que está a funcionar. Pelo menos o FMI parece que está contente e quando o FMI está contente, é mau sinal?, declarou, em Salamanca, num evento cultural da 15ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governos Ibero-americanos. ?Parece que há protestos sociais e o povo anda insatisfeito lá no Brasil, exatamente porque no campo social não se avançou muito?. Corrupção O único escritor de língua portuguesa agraciado com o Prêmio Nobel (1998) disse preferir evitar conclusões precipitadas sobre as acusações de corrupção no governo Lula. ?Esse processo está complicadíssimo em averiguações. Qualquer palavra que eu diga pode parecer absurda porque não conheço os fatos e, portanto, não posso dar uma opinião?, afirmou. ?Não vale a pena personalizar uma coisa como esta. É demasiado grave que o presidente do Brasil, depois do trabalho que começou a fazer ? não tão bom na verdade por problemas como a reforma agrária que não avançou, o programa Fome Zero, que avançou pouco ?, seja responsabilizado. Mas não estou decepcionado com ele, o problema não é esse?. Saramago também criticou a Cimeira e pediu que os governantes se preocupem em aplicar, na prática, as recomendações que propõem em eventos como esse. ?O que se tem a fazer é verificar quais foram e são as intenções dessas cimeiras. Verificar das anteriores o que se cumpriu e o que não. Averiguar as razões porque o que planejado não chegou a realizar-se.? E concluiu: ?É muita gente, são muitos países, muitas vezes os interesses não coincidem, às vezes são até opostos. O importante é saber se isso serve para ajudar a resolver os gravíssimos problemas da América Latina?, afirmou o escritor português, autor de Ensaio sobre a cegueira e outros livros.