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Instaurado processo contra 11 deputados

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| FELIPE RECONDO Folha Online Brasília - O Conselho de Ética instaurou ontem processo contra 11 deputados acusados de envolvimento no esquema de financiamento de partidos aliados montado pela ex-direção do PT com o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. Todos foram citados no relatório preliminar das CPIs dos Correios e do Mensalão. A partir da leitura, os acusados não podem renunciar ao mandato como forma de escapar a inelegibilidade até 2015. O presidente do Conselho de Ética, Ricardo Izar (PTB-SP), chegou a anunciar a abertura de processo contra José Borba (PMDB-PR) e Paulo Rocha (PT-PA), mas como eles renunciaram aos mandatos, as investigações não serão levadas adiante. Os processos serão individualizados. O relator de cada caso será determinado por meio de sorteio. Eles não poderão pertencer nem ao mesmo partido nem ao mesmo Estado dos acusados. Outros três deputados citados pelas comissões, José Dirceu (PT-SP), Sandro Mabel (PL-GO) e Romeu Queiroz (PTB-MG), sofrem a mesma acusação, mas já são processados pelo Conselho de Ética. Onyx Lorenzoni (PFL-RS) também será processado, mas sob a acusação de ter vazado informações sigilosas da CPI dos Correios na suposta tentativa de incriminar o deputado José Dirceu (PT-SP). Na tentativa de evitar a abertura dos processos no Conselho de Ética, os petistas Professor Luizinho (SP), José Mentor (SP), João Paulo Cunha (SP), Josias Gomes (BA) e Paulo Rocha (PA) pediram, por intermédio de seus advogados, a suspensão dos processos. A ação foi indeferida ontem. Ricardo Izar disse que pretende concluir até o final do ano os processos, mas admitiu uma autoconvocação para que as investigações prossigam no recesso de fim de ano. ### Cinco petistas desistem de renunciar Minutos antes de o Conselho de Ética instaurar os processos contra os acusados de envolvimento no mensalão, os deputados Paulo Rocha (PR), 54, ex-líder da bancada do PT na Câmara, e José Borba (PR), 56, ex-líder do PMDB, renunciaram ao mandato. A renúncia é uma forma de escapar à inelegibilidade até 2015 que uma possível cassação acarretaria. A surpresa ontem ficou por conta do grupo de cinco petistas que avaliavam optar pela renúncia. Pelo menos dois estavam inclinados a renunciar, mas desistiram na última hora: Josias Gomes (BA) e José Mentor (SP). Com as renúncias, onze deputados vão responder a processo por quebra de decoro no Conselho de Ética e, portanto, estão sob risco de cassação. São cinco do PT, quatro do PP, um do PFL e um do PL. Veja quem são os deputados citados pelas CPIs: João Magno (PT-MG) - Nos documentos do Banco do Brasil recebidos pela CPI, consta pagamento da SMP&B no valor de R$ 50 mil para um de seus assessores. João Paulo Cunha (PT-SP) - Marcia Regina Cunha, mulher do ex-presidente da Câmara, sacou da agência do banco Rural em Brasília R$ 50 mil. José Janene (PP-PR) - Aparece como beneficiário de R$ 4,1 milhões que teriam sido sacados pelo assessor João Genu. José Mentor (PT-SP) - Recebeu, por intermédio de seu escritório de advocacia, R$ 120 mil da 2S Participações, de Marcos Valério. Josias Gomes (PT-BA) - Foi pessoalmente ao Banco Rural de Brasília fazer dois saques de R$ 50 mil. Pedro Corrêa (PP-PE) - Embora não seja apontado como sacador, Corrêa foi responsabilizado por ser presidente da legenda. Pedro Henry (PP-MT) - Seria responsável por pressionar o PTB para participar do esquema. O deputado nega as acusações. Professor Luizinho (PT-SP) - Aparece como beneficiário de R$ 20 mil sacados da agência do Banco Rural em São Paulo por um assessor. Roberto Brant (PFL-MG) - Na lista de saques da SMP&B enviada à CPI, existe um de R$ 102 mil feito por Nestor Francisco de Oliveira, coordenador político da campanha de Brant à Prefeitura de Belo Horizonte em 2004. Vadão Gomes (PP-SP) - Foi citado pelo empresário Marcos Valério como beneficiário de dois repasses feitos em 2004 no total de R$ 3,7 milhões. Wanderval Santos (PL-SP) - Dados do Banco Rural apontam um assessor do deputado como beneficiário de um saque de R$ 150 mil.

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