Nacional
Ex-assessor quase � preso ao depor
| Chico de Gois Folhapress Brasília - Um ?engano? salvou Fernando de Godoy, ex-assessor executivo da diretoria de administração dos Correios, de protagonizar a primeira prisão em flagrante na CPI dos Correios por falso testemunho. Godoy foi apontado três vezes por Maurício Marinho, ex-chefe do departamento de administração da estatal, como integrante de um grupo de altos funcionários dos Correios ?estruturado para a prática de irregularidades? em benefício do PTB, partido do deputado federal cassado Roberto Jefferson (RJ). Relatório da CGU Controladoria Geral da União (CGU) afirma que Godoy escondeu por mais de uma semana a gravação em que Marinho aparece recebendo propina. Ontem, o ex-assessor executivo prestava depoimento na subcomissão de contratos da CPI sob a condição de testemunha. As declarações eram feitas unicamente ao deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), já que não havia outros parlamentares na sala. Questionado sobre sua participação em uma suposta ação em benefício de uma empresa, Godoy pediu para repassar algum documento para Cardozo. Ao passar um papel ao deputado, apontou para um calhamaço em mãos do parlamentar, cópia do depoimento sigiloso que Maurício Marinho prestou ao Ministério Público Federal. ?Isso daqui tá aí no depoimento?, disse, apontando para os documentos que Cardozo segurava. O deputado, que estava de cabeça baixa, levantou o rosto e olhou para Godoy. ?Que depoimento??, perguntou. ?Este?, demonstrou o ex-assessor executivo. ?O senhor teve acesso a este documento? Ele é sigiloso. Como o senhor teve acesso??, questionou Cardozo. ?Tendo [sic]?, respondeu, com um riso nervoso. ?Volto a insistir: como o senhor teve acesso a esse documento se é sigiloso?? E Godoy: ?Deram-me na empresa [Correios].? O parlamentar então quis saber quem havia repassado cópia do depoimento de Marinho e alertou Godoy de que ele prestava declarações na condição de testemunha e, como tal, deveria falar a verdade e não poderia se omitir, sob pena de ser preso em flagrante por falso testemunho. Godoy passou a ficar nervoso. ?Não me lembro; algum funcionário.? ?Espero que o senhor faça um esforço de memória porque, caso contrário, terei de prendê-lo?, ameaçou o deputado diante da sala quase vazia. O parlamentar suspendeu a sessão para ?consultar a assessoria jurídica?. A informação de que alguém poderia ser preso levou parlamentares, mais repórteres e câmeras de televisão para a sala. No intervalo, Godoy usou o telefone celular duas vezes. Pediu mais água e refrigerante. Mexeu nos papéis que havia levado para convencer o sub-relator de sua inocência. Fez anotações. Quinze minutos depois, Cardozo voltou e tornou a lhe perguntar como ele havia tido acesso ao depoimento sigiloso de Maurício Marinho. ?Senhor deputado, peço desculpas porque o documento que vi não foi este?, declarou. ?Eu me enganei?, continuou. Diante da circunstância, José Eduardo Cardozo anunciou que não decretaria prisão.