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Dirceu se defende atacando relator
| Jailton de Carvalho e Isabel Braga Globo Online Brasília - Numa entrevista em que contestou ponto a ponto o relatório do deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que recomenda a cassação de seu mandato, o deputado José Dirceu (PT-SP) afirmou que seu objetivo não é desqualificar o documento, mas apresentar uma contraprova. Segundo ele, o relator transformou suposição em evidências e cometeu uma covardia. Dirceu negou ter mantido contatos com os bancos Rural e BMG para favorecer o PT e disse que as acusações são uma falácia. Ele repetiu que até hoje não há provas de que o mensalão exista. ?Não estou aqui para desqualificar o relatório. Estou apresentando contraprova?, afirmou. O deputado petista criticou a ligação feita pelo relator entre as reuniões que teve na Casa Civil com partidos da base aliada e o suposto mensalão. ?Como é possível um chefe da Casa Civil não receber um senador, um deputado, um presidente de partido, um líder que solicite uma audiência? Ele (o relator) dá a entender que eu recebi tantas vezes o PL, o PP e o PTB e daí já liga com o suposto mensalão. Eu considero isso um argumento simplista, uma certa covardia. Até porque eu recebi o próprio deputado Júlio Delgado, como líder. Não sei como se pode, a partir de um relatório como esse, tirar esse tipo de ilação?, afirmou. Dirceu acusou o relator de tirar do contexto algumas declarações de pessoas próximas a ele, assim como a nota divulgada por sua ex-mulher Angela Saragoça na tentativa de tentar mostrar que ele tinha conhecimento dos empréstimos do PT e seu suposto envolvimento com o empresário Marcos Valério. O deputado afirmou ainda que o relator omitiu em seu parecer trechos dos depoimentos do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, do publicitário Duda Mendonça e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, nos quais todos afirmavam que ele não participou das negociações com o PL e o publicitário. Dirceu voltou a afirmar que vai recorrer a todas as instâncias possíveis para se defender porque a lei brasileira lhe garante esse direito. Disse que não aceita julgamento sem prova e se colocou como ?guardião do devido processo legal?, afirmando que é preciso respeitar o Estado de Direito. ?Não aceito prejulgamento, não aceito julgamento sem provas. Vou usar de todos os recursos porque é direito de todo cidadão brasileiro. Me coloco como guardião do devido processo legal, até porque depois ele pode ser anulado?, afirmou. Ele também contestou a conclusão do relator, Júlio Delgado (PSB-MG), de que continuava à frente do PT mesmo depois de oficialmente ter deixado o cargo. ### PT anula nova reunião do Conselho A baixa presença de deputados federais em Brasília nas sextas-feiras pode adiar em um dia a votação no Conselho de Ética da Câmara do parecer que pede a cassação do ex-ministro José Dirceu, o que estava previsto para ocorrer na terça-feira. A presença de apenas 49 deputados ontem na Casa levou o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), a invalidar a sessão realizada, já que o regimento interno determina que as sessões só podem ser abertas com o mínimo de 51 parlamentares. Normalmente, há quóruns mais baixos do que esse e nem por isso as sessões deixam de acontecer. O problema é que ontem o PT, por meio do deputado Nilson Mourão (AC), exigiu da Mesa o cumprimento do regimento. A exemplo do ocorrido anteontem - quando um questionamento do PT invalidou parte de uma das sessões do Conselho - o objetivo era beneficiar José Dirceu. Isso porque começaria a contar ontem o prazo de duas sessões para que seu caso fosse colocado em votação no Conselho, o que deveria ocorrer na terça. Zerou Com a sessão anulada, o prazo ?zera?? novamente, o que empurraria a votação para quarta. O presidente do Conselho, Ricardo Izar (PTB-SP), disse que vai conversar com a petista Ângela Guadagnin (PR) para tentar manter a votação na terça. A deputado é a autora do pedido de ?vista?? ao processo que resultou no prazo de duas sessões. Apesar disso, Izar afirmou que nada muda se a votação ocorrer na quarta. Isso porque a provável data de votação do processo de cassação no plenário da Câmara - o último degrau na tramitação - mantém-se em 9 de novembro, uma quarta-feira. Aldo Rebelo anunciou ontem que deve marcar esse dia para que o plenário decida se cassa ou não o mandato do ex-ministro. ?A Câmara não está protelando nem apressando nada. A Câmara está cumprindo o regimento. (...) A decisão não terá influência sobre a chegada do processo ao plenário??, afirmou Aldo. A tendência é que o Conselho aprove por ampla margem o relatório de Júlio Delgado (PSB-MG) que pede a cassação de Dirceu. Após isso, a decisão vai para votação secreta no plenário da Casa. Dirceu só perde o mandato - e fica, conseqüentemente, inelegível até 2015 - caso haja apoio ao relatório de pelo menos 257 dos 513 deputados. ### Dirceu evita falar sobre caixa dois e Delúbio ROSE ANE SILVEIRA Folha Online Brasília - O deputado José Dirceu (PT-SP) evitou comentar sobre o caixa dois em entrevista coletiva concedida ontem. O ex-ministro, que é alvo de processo de cassação na Câmara, defendeu a reforma política e criticou o atraso nas votações. Dirceu concluiu que toda crise está sendo instrumentalizada pela oposição em uma tentativa de ?carimbar? o governo e o PT como corruptos. O deputado acrescentou que, sempre que aparecem denúncias contra o PSDB, a oposição ?tem ataque de nervos?. Contra o PT, porém, ?tudo é transformado em crise?. Indagado se o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares fez bem ou mal em formar o esquema de recursos não contabilizados no PT, Dirceu afirmou que não faria julgamento ético ou moral. ?Essa é uma questão que precisa ser analisada pela Câmara dos Deputados, que se precisa debater com a sociedade. O melhor é acabar com o caixa dois, fazer a reforma política, reforma partidária, tomar medidas no Tribunal Superior Eleitoral, cada partido adotar medidas para combater o caixa dois.? Para o ex-ministro, os parlamentares que se levantaram para atacar o PT devido à formação de caixa dois agiram com ?hipocrisia?.