Nacional
Lojas de grife recorrem a artes�os
Josy Fischberg Paulo Henrique Ferreira Agência O Globo Rio de Janeiro - No mundo chique do vestuário de grife, a palavra da moda é cooperativa. Sofisticado agora é ter no armário um vestido com bordados trabalhadíssimos da Coosturart ou as peças com fuxicos da Coopa-Roca. Onde se compra? Espaço Macla, Totem, Osklen, Farm, Parceria Carioca, Riggy... As etiquetas famosas se renderam aos encantos do trabalho artesanal. Nas prateleiras da Espaço Macla, em Ipanema, ao lado de roupas de grifes como Drosófila e Disritimia estão echarpes, bolsas e xales criados pela cooperativa Meninas da Rocinha. Ela é formada por mulheres da própria favela e de outras comunidades de baixa renda. ?Conheci o trabalho delas através de uma cliente e achei que era uma forma bacana de ajudar?, conta Márcia Mai, dona da loja. Exclusividade Habituée da Espaço Macla, a hoteleira Ana Paola Pires é fã dos produtos da cooperativa. ?Sei que vou chegar a um evento e ninguém vai ter igual?, conta. Exclusividade é a palavra de ordem. A Meninas da Rocinha, por exemplo, vende apenas cinco xales por semana, informa a coordenadora da cooperativa, Cecília Teixeira Pinto. ?Fazemos uma espécie de bordado em cima de vários tipos de tecido. Trata-se de um trabalho único?, diz. Na Espaço Macla, echarpes e xales da Meninas da Rocinha chegam a custar R$ 220. ?Pagamos por unidade, com preço estipulado por elas. Minha margem de lucro é pequena, quero mesmo é ajudar?, garante Márcia. Para Bernardo Monzo, gestor do programa de soluções associativas do Sebrae, as parcerias entre cooperativas e grifes só devem aumentar daqui para frente. ?Quem sabe produzir não sabe vender e quem vende não tem quem produza. Há estilistas que desenvolvem uma linha e depois buscam cooperativas para cuidar dos detalhes?, explica Monzo. É o caso da Osklen, que trabalha com as artesãs da Coopa-Roca há dois anos. ?Desenvolvemos a aplicação de bordados sobre as roupas da nossa coleção junto com elas?, explica o estilista Oskar Metsavaht, acrescentando que as peças exclusivas custam muito mais caro. ?Se uma bermuda normal sai por R$ 100, a que tem bordado vale R$ 250?. ### Artista plástico e estilista se rendem ao artesanato Fuxico, crochê, nozinho e patchwork em produtos de moda, design e artes plásticas. Esse é o trabalho da Coopa-Roca, criada em 1987 pela educadora e socióloga Maria Teresa Leal. Cheia de clientes famosos, a cooperativa atende a M. Officer, a estilista Patrícia Viera, o artista plástico Ernesto Neto, a Tátil Design e a marca americana Ann Taylor, por exemplo. Caso de amor O dono da Totem, Fred D?Orey, confessa que se apaixonou de primeira pelas bolsas de lona da ONG Criola, instituição carioca voltada para o trabalho com mulheres negras. O caso de amor teve início no Fashion Business, evento paralelo ao Fashion Rio, que dá oportunidade para as grifes menores mostrarem suas coleções. ?Eu trouxe a Firjan para a negociação. Queria que todo o passo a passo fosse supervisionado. Só assim poderíamos montar um pedido que coubesse na realidade da ONG. A parceria foi um sucesso?, conta o dono da Totem, Fred D?Orey. Sucesso que pode ser traduzido em números: são cerca de 45 bolsas vendidas por mês nas lojas, com preços que vão de R$ 49 a R$ 99. Do outro lado, a Criola também vai muito bem, obrigado. A representante comercial Cris Galluzzi conta que 310 bolsas são produzidas por mês para a Totem e outras grifes. Isso ainda não é tudo. Nas vitrines da Farm e da Parceria Carioca, por exemplo, estão vestidinhos, saias e blusas da Coosturart. E se você prestar atenção nas vitrines das lojas bacanas da cidade, vai encontrar mais. É só procurar.