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C�pula tucana articula sa�da de Azeredo
| Fernanda Krakovics Folhapress Brasília - O PSDB discute antecipar a saída do senador Eduardo Azeredo (MG) da presidência do partido na tentativa de se descolar das denúncias de caixa 2 contra ele e de seu envolvimento com o empresário Marcos Valério de Souza, principal personagem da crise política que assola o governo e o PT. A decisão dos tucanos deve sair no máximo em três dias. O partido tem uma convenção marcada para o próximo dia 18, quando o senador Tasso Jereissati (CE) assumirá a presidência. A avaliação das lideranças tucanas, no entanto, é que esse período é longo demais para ficar rebatendo as acusações contra Azeredo, que estão vindo a conta-gotas. A solução defendida por alguns líderes do PSDB é que o prefeito de São Paulo, José Serra, presidente licenciado do partido, reassuma o posto e depois o transmita a Tasso. Serra, porém, não estaria muito disposto, temendo ser contaminado pelas denúncias, o que prejudicaria uma possível campanha à Presidência em 2006. Outra hipótese é que assuma um dos vice-presidentes, mas o mais provável é que, mesmo a contragosto, Serra volte ao cargo que deixou ao assumir a prefeitura - Azeredo era um dos vice-presidentes. No sábado, após saber de reportagem da revista IstoÉ que ligava Azeredo a Valério, conversaram por telefone Serra, Tasso, o líder do partido no Senado, Arthur Virgílio (AM), o líder na Câmara dos Deputados, Alberto Goldman (SP), e os deputados Eduardo Paes (RJ) e Gustavo Fruet (PR). A revista publicou a cópia de um cheque de Valério, no valor de R$ 700 mil, usado em 2002 para pagar uma dívida de Azeredo com Cláudio Mourão, tesoureiro da campanha à reeleição do tucano ao governo de Minas, em 1998. O senador confirma o auxílio do empresário mineiro e diz que devolveu dinheiro a ele, graças a um empréstimo de R$ 500 mil tomado no Banco Rural pelo atual ministro do Turismo, Walfrido Mares Guia (PTB-MG). Azeredo já havia admitido à CPI dos Correios a existência de caixa 2 em sua campanha à reeleição ao governo de Minas, mas jogou a responsabilidade para Mourão, assim como o PT fez com o ex-tesoureiro Delúbio Soares. A fonte dos recursos do tucano seriam empresas de Marcos Valério, repetindo os petistas mais uma vez. ?Eduardo deve explicações e o partido está incomodado com isso, constrangido?, afirmou Virgílio, que, apesar disso, continua defendendo Azeredo. O problema com o caso Azeredo é que os tucanos perderam o discurso contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, centrado no argumento de que não seria possível ele ignorar supostas irregularidades em seu governo, como o mensalão. A alegação de Azeredo é exatamente essa: o caixa 2 foi feito sem o seu conhecimento. Isso não impede os tucanos de continuarem no ataque. ?O que tem hoje é um fenômeno amplíssimo de corrupção. Vai muito além daquele que o PT agora tenta caracterizar, como disse o Delúbio, como algo que no futuro seria encarado como uma piada de salão, o que é uma verdadeira agressão a todos os brasileiros?, disse Serra. A reação do PSDB, porém, não tem o mesmo vigor da semana passada, quando Mourão prestou depoimento à CPI dos Correios. Em retaliação, tucanos pediram a convocação de 12 tesoureiros estaduais do PT e a marcação do depoimento do presidente do Sebrae e amigo de Lula, Paulo Okamotto. Os tucanos também ameaçaram convocar Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão do presidente, que é acusado de tráfico de influência. ### CPI quer esclarecimentos de senador Receoso de que o acirramento da disputa política prejudique as investigações, o relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), defendeu ontem que o senador Eduardo Azeredo (MG), presidente do PSDB, compareça espontaneamente à comissão para explicar novas denúncias contra ele, evitando o desgaste de uma convocação. ?Eu não quero incêndio na CPI, tenho receio disso. Não quero briga política?, disse ele. ?Azeredo vai ter que se manifestar necessariamente - espontaneamente ou em convocação. Quem faz pessoalmente [voluntariamente] mostra que acredita mais em si próprio?, afirmou Serraglio. Quando surgiram as denúncias de que teve caixa 2, com recursos do empresário Marcos Valério de Souza, em sua campanha à reeleição do governo de Minas, em 1998, o tucano tomou a iniciativa de comparecer à CPI. Procurado ontem, Azeredo não entrou em contato com a reportagem. Os tucanos dizem que o PT quer confundir a investigação sobre os supostos casos de corrupção e compra de apoio parlamentar pelo governo. ?Isso tem que ser respondido rapidamente e com firmeza ou os petistas conseguem o que querem - passar a imagem de que todo mundo é igual e que o caixa dois começou com o Azeredo?, disse o sub-relator de movimentação financeira, deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR). Os depoimentos acirraram os ânimos na CPI. Essa mesma subcomissão ouve amanhã o ex-presidente da estatal Egydio Bianchi, que deixou o cargo, ocupado no governo passado, fazendo acusações de irregularidade. ### Comissão vai ampliar quebra de sigilo O sub-relator de Fundos de Pensão da CPI dos Correios, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), vai apresentar requerimento hoje para ampliar o pedido de quebra de sigilo de 14 fundos e 30 corretoras. A CPI havia quebrado o sigilo de 10 fundos e 11 corretoras, mas eles se restringiam às operações com os bancos BMG e Rural. Entraram na lista do relator os fundos Nucleos, da Nuclebrás, Refer, da Rede Ferroviária Nacional, Sistel, dos servidores da Telebrás e Prece, dos funcionários da Sedae. O deputado quer analisar as operações dessas entidades com títulos em custódia no Serviço Especial de Liquidação e Custódia (Selic), na Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (Cetip). O requerimento inclui ainda as operações com títulos de renda variável negociados em bolsa de valores e mercado de balcão; com derivativos negociados na Bolsa de Mercadorias e Futuros e mercado de balcão. Também integram o pedido ?operações dessas entidades com os documentos referentes à aquisição, venda e investimento em imóveis, serviços terceirizados e de consultoria, bem como de seus respectivos fundos de investimento exclusivos?. A CPI suspeita que foi nos 150 fundos exclusivos onde circulou maior volume de dinheiro e onde houve atuação mais política sobre a aplicação dos recursos. A comissão trabalha para definir as operações que deram prejuízo às fundações. Outra vertente são as ramificações das coretoras Bonus Banval e Guaranhuns, usadas pelo empresário Marcos Valério Fernandes para repassar dinheiro para o PT e para o PL.