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Oposi��o cobra impeachment de Lula

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Chico de Gois, Adriano Ceolin e Leonardo Souza Folhapress Brasília - Num dia dedicado a acareações entre pagadores e receptores de dinheiro do suposto esquema montado pelo PT e pelo publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, a CPI do Mensalão virou palco para a oposição voltar a cobrar impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por suposto uso de caixa dois em sua campanha. Oito acusados de envolvimento no esquema participariam da acareação, que não havia terminado até o momento. Os principais eram Marcos Valério, sua ex-diretora financeira, Simone Vasconcelos e o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares. A única certeza que membros da comissão afirmaram ter, no fim da tarde de ontem, é que a mentira ainda prevalece nas declarações dos envolvidos no esquema montado com o objetivo de irrigar financeiramente partidos governistas. As dúvidas não esclarecidas levaram o presidente da CPI, senador Amir Lando (PMDB-RO), a suspeitar que a lista de parlamentares que se beneficiaram dos recursos oriundos de caixa dois pode aumentar. ?Meu sentimento é que novos nomes virão e eles começam a desfilar?, disse Lando, sem citar quantos e quais seriam os novos suspeitos. Durante a acareação do presidente do PL, Valdemar Costa Neto (SP), que renunciou ao mandato de deputado federal para não ser cassado por conta do envolvimento com o esquema de Marcos Valério, o deputado Moroni Torgan (PFL-CE) sugeriu o encaminhamento de uma representação contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reacendendo o debate sobre o impeachment. Na acareação com Delúbio, com Marcos Valério e com Vasconcelos, Valdemar reafirmou que utilizou os recursos repassados pelo publicitário, com autorização do ex-tesoureiro petista, para pagamento de despesas de campanha no segundo turno da eleição de Lula, em 2002. ?Se um deputado recebe recursos não-contabilizados para sua campanha, mesmo que alegue que não sabia, é encaminhado para o Conselho de Ética?, arguiu Moroni, ?então, por que tem de ser diferente com o presidente da República??, questionou. Ontem, o líder do PFL no Senado, José Agripino (RN), anunciou que entraria com uma queixa-crime contra Lula no Ministério Público Federal por ?crime eleitoral?. O PSDB também protocolou requerimento para instalação de uma CPI, no Senado, para investigar a prática de caixa dois nas campanhas. ### Depoentes apresentam versões diversas Pouco antes do fim da acareação com Valdemar, que durou aproximadamente cinco horas, o presidente do PL procurou amenizar sua declaração que envolveu Lula. Afirmou que ele mesmo decidiu, sem consultar ninguém, investir mais na campanha presidencial de Lula no segundo turno. A oposição não levou em conta esse senão. Durante a acareação, Valdemar afirmou que recebeu R$ 6,5 milhões do esquema Marcos Valério. O valor, no entanto, diverge de uma lista encaminhada pelo publicitário à CPI, na qual aponta que foram R$ 10,837 milhões repassados para o presidente do PL. O valor total para o PL somou, segundo Marcos Valério e Delúbio Soares, R$ 12 milhões, uma vez que também receberam recursos o ex-deputado Carlos Rodrigues (RJ) e o ex-chefe-de-gabinete do ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto (MG). O publicitário deu alguns detalhes. Afirmou que esteve com Valdemar em três ocasiões, uma delas em um hotel em São Paulo, quando lhe entregou pessoalmente o dinheiro. E disse que o ex-tesoureiro do PL Jacinto Lamas lhe indicou a corretora Guaranhuns como a empresa que deveria receber os depósitos provenientes das empresas do publicitário. ?Foram depositados R$ 2,4 milhões na conta dessa empresa?, disse Marcos Valério. O presidente do PL negou tudo. ?Eu recebi R$ 6,5 milhões e quem tem de explicar a diferença é o Marcos Valério?, argumentou. Jacinto Lamas, quando confrontado com os depósitos efetuados na Guaranhuns, declarou que não foi ele o responsável pela indicação da corretora e disse que não contava o dinheiro que recebia. Muito nervoso, o ex-tesoureiro do PL invariavelmente repetia a toda questão formulada pelos parlamentares: ?Reafirmo meu depoimento anterior?, provocando irritação e risos entre os deputados e senadores. Porém, Lamas declarou que os recursos de Marcos Valério tiveram como destino o presidente do PL, e não o partido. ?Esses recursos não foram para o PL?, disse. ?Foram para o Valdemar e, por isso, eu não tinha conhecimento?, informou. Mesmo sem ter certeza dos valores repassados para os partidos, a CPI sabe de uma coisa: ninguém reclamou da falta de repasses de dinheiro. A confirmação foi feita por Delúbio, respondendo a um questionamento da deputada Zulaiê Cobra (PSDB-SP), que quis saber se alguém se queixou com o ex-tesoureiro petista se não tinha recebido o pagamento. ?A relação dava-se em confiança e a outra ponte nunca reclamou?, confirmou Delúbio. A CPI pretendia confrontar, ontem, Marcos Valério, Delúbio e Simone com o ex-tesoureiro do PTB Emerson Palmieri, o ex-assessor do PP na Câmara João Cláudio Genu, e o ex-presidente da Casa da Moeda Manoel Severino dos Santos. ### Valério não se lembra se fez repasse para amigo de Dirceu Os parlamentares da CPI do Mensalão também procuraram esclarecer durante a acareação quem era o Roberto Marques que deveria sacar R$ 50 mil no Banco Rural, mas que foi substituído por Luiz Carlos Mazano, motorista da corretora Bônus-Banval. Essa corretora é acusada de repassar recursos do esquema Marcos Valério para o PP. Parlamentares suspeitam que Roberto Marques seria Bob Marques, amigo e ex-assessor do deputado federal José Dirceu (PT-SP), o que ele nega. ?Não me lembro quem pediu para que mudasse o nome do sacador?, afirmou o publicitário, que já havia informado à CPI que só fazia pagamentos com autorização de Delúbio Soares. ?Não sei se o Roberto Marques em questão é o amigo do ex-ministro José Dirceu?, declarou o publicitário Marcos Valério. Delúbio também ?esqueceu? se mandou o publicitário trocar o sacador. Vadão Gomes Embora tenha insistido que não se recordava de Roberto Marques, Marcos Valério lembrou que o deputado Vadão Gomes (PP-SP) recebeu em espécie, em um hotel em São Paulo, R$ 3,7 milhões. Vadão nega e diz que nunca recebeu nenhum centavo do esquema. ?Confirmo minha lista, e o Vadão Gomes está nela.? O presidente regional do PP foi denunciado ao Conselho de Ética. Apesar de ter confirmado a relação e os valores supostamente repassados para parlamentares e partidos, o publicitário admitiu que pode ter cometido algum erro. ?Eu sou humano, quero dizer que não sou perfeito. Posso ter cometido equívocos, mas confirmo a lista [...]. Volto a falar que não sou máquina, mas confirmo integralmente a lista?, disse o publicitário. ### Acareação teve momentos tensos Bate-bocas foram comuns na sessão de ontem da CPI do Mensalão, que reuniu os principais personagens do escândalo em que supostamente o PT utilizou caixa 2 em suas campanhas eleitorais. Logo no início dos trabalhos, o relator, Ibrahim Abi-Ackel, informou que a acareação deveria servir para confrontar respostas e esclarecer declarações divergentes. Para o relator, a sessão não poderia ser utilizada para que os parlamentares tomassem o depoimento dos depoentes. O parlamentar Moroni Torgan discordou. ?Somos juízes e nenhum juiz pode cercear o direito do outro?, contestou alterado. ?Pode, sim?, contrapôs o relator, Ibrahim Abi-Ackel. ?Vossa Excelência está tumultuando os trabalhos?, criticou o relator, Ibrahim Abi-Ackel. Até o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), conhecido por seu temperamento calmo, acabou protagonizando um instante de nervosismo. Eduardo Suplicy pedira que os quatro membros que estavam na acareação falassem sobre a possibilidade de melhorar o sistema político. Depois de Valdemar, Marcos Valério e Simone falarem, Delúbio fazia sua explanação quando o deputado João Correia (PMDB-AC) quis contê-lo. ?O senador Suplicy já esgotou seu tempo e não podemos abrir precedentes?, afirmou o deputado João Correia. ?Eu não excedi meu tempo e o senhor não tem direito de interromper o depoente?, reagiu o senador Eduardo Suplicy. ?Excedeu, sim?, insistiu o deputado João Correia. O senador Eduardo Suplicy, nervoso, levantou-se, com o dedo em riste. Outros parlamentares intervieram para acalmar os ânimos. Minutos depois, já sorrindo, o senador petista cumprimentou o deputado.

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