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Palmito do Frade, ecol�gico e correto

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| HIRAM FIRMINO Agência O Globo Rio de Janeiro, RJ - Construído por Carlos Borges estrategicamente entre o mar azul turquesa de Angra dos Reis e o verde atlântico do Parque Nacional da Serra da Bocaína - quando nem havia luz elétrica ali, em 1972 (justo no ano da emblemática Conferência Mundial de Estocolmo), e quando pela primeira vez a humanidade ouviu falar em ?meio ambiente e desenvolvimento sustentável? - o Hotel do Frade & Golf Resort continua o mesmo na lista dos paraísos ecológicos do Rio de Janeiro. Lindo e charmoso, hoje dirigido pela filha Maria Borges, quem o visita agora de carro, iate ou helicóptero, tem uma novidade para conhecer - e se engajar. Trata-se da plantação, em larga escala, que o hotel está empreendendo, do palmito pupunha (Bactris gasipaes). Originário da Amazônia Peruana, esta espécie substitui o tradicional palmito juçara (Euterpes edulis), que é nativo da região e está em processo de extinção, tamanho o seu desmatamento criminoso em todo litoral sudeste no País. Além de maior e mais saboroso, o pupunha tem uma parte mais larga na base, chamada de ?coração?, semelhante ao da alcachofra. Outra vantagem comercial é que ele pode ser cortado a partir do 18º mês, além de brotar em solos de baixa fertilidade. Produz de dois a 15 perfilhos por planta e não escurece após o corte. Além do caule, sua palmeira, mais elegante, ainda oferece frutos que, cozidos e temperados simplesmente com sal, viram excelentes iguarias. No Hotel do Frade, os hóspedes podem comprá-lo ou saboreá-lo ali mesmo, à beira da piscina, assado na brasa com manteiga de ervas ou azeite. Além de apreciado junto à beleza local, de onde se avista boa parte das 365 ilhas, incluindo Ilha Grande, que formam a paradisíaca Baía de Angra, o ?Palmito do Frade? já ganhou mercados no Rio e São Paulo. O consumidor consciente pode encontrá-lo nas prateleiras dos supermercados e lojas de alimentos. E em alguns dos maiores restaurantes (leia-se chefs e gourmets) do Brasil. Em parceira com várias ONGs de defesa ambiental, o Instituto Frade destina 5% das vendas do pupunha cultivado ao projeto de salvação do palmito juçara. A cada ano, segundo o Ibama, 500 milhões de árvores de juçara são cortadas, derrubadas e pilhadas clandestinamente das matas brasileiras, notadamente da Mata Atlântica e Floresta Amazônica, onde é nativo, causando desequilíbrio ambiental. ### Juçara produz um palmito por árvore A sobrevivência da variedade nacional da palmeira carrega um detalhe trágico, além de natural. Ao contrário do pupunha, cuja palmeira aceita até seis cortes e rebrota de novo, o juçara só dá um palmito por árvore. Para colhê-lo, é necessário sacrificar a árvore inteira, que leva sete anos para ficar adulta. Seus frutos, similares aos do açaí, são desperdiçados. Para colher grandes quantidades, vai-se a floresta inteira, já que ele se mistura à vegetação densa e diversificada. É esse o recado que o hotel passa aos seus hóspedes e clientes: ?Prezado consumidor - diz o folheto que acompanha a embalagem - obrigado por adquirir o nosso palmito que, além de saboroso, é o responsável pela nossa tentativa de recuperação do juçara, cujos remanescentes não chegam a 10% hoje no País. Ao comprá-lo, você estará consumindo um produto de qualidade aliado a uma grande causa. Só compre palmito cultivado. Lembre-se que extinção é para sempre. E que, infelizmente, ainda nos dias de hoje, meio bilhão de árvores que produzem palmito são derrubadas anualmente de nossas matas, sem serem replantadas depois?. |HF ### Baixos índices de substâncias oxidantes Quem partilha a esperança de um dia ver a espécie juçara de volta ao seu habitat natural, graças ao cultivo alternativo de outros tipos de palmito, como o pupunha e o real (Alessandra), também produzido em menor escala pelo Frade, é ?seu? Sebastião Guape. Aos 70 anos, o funcionário aposentado que viu a fazenda e o resort do Frade nascerem juntos ainda se recorda dos bandos de cotia, paca e jacu que corriam nas matas naturais de Angra: ?A gente só colhia palmito pra comer. Três ou quatro deles davam para uma família inteira comer durante uma semana. E a mata nem sentia tirar uma palmeira aqui, outra lá longe, de tantas que existiam. Na verdade, elas nasciam umas em cima das outras, de encher os olhos, como os bichos que não se vê mais?. A esperança de Sebastião lhe arranca uma certeza: ?Moço, eu nasci e conheço essas matas aqui como ninguém. É só pararem de extrair o juçara de maneira clandestina que, em apenas uns sete ou oito anos, que ele retoma a paisagem aqui tudo de novo. E tudo que é morador nativo pode voltar a comer, sem destruir a floresta?, garantiu. Com baixos índices de substâncias oxidantes, o pupunha apresenta alterações mínimas no sabor e no aroma do palmito. Apesar de um pouco mais adocicado e com coloração mais amarelada do que as espécies tradicionais, como a da juçara, essas diferenças ficam quase imperceptíveis após seu processamento, o que aumenta sua aceitação no mercado. |HF

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