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Pinho diz que recebeu R$ 300 mil

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Brasília - O ex-assessor do Ministério da Cultura Roberto Costa Pinho disse ontem, na CPI do Mensalão, que recebeu R$ 300 mil, em quatro parcelas, do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. O dinheiro foi pago entre 23 de setembro de 2003 e 11 de fevereiro de 2004, por meio de saques na agência do Banco Rural de Brasília, e, segundo Costa Pinho, fazia parte da antecipação de ?um contrato de boca? feito com Delúbio pelo qual ele realizaria pesquisas pré-eleitorais em 25 cidades de médio porte durante o ano de 2004. Ele afirmou que o acerto foi feito durante um encontro com Delúbio Soares no Hotel Blue Tree Park, em Brasília. Costa Pinho disse que pediu R$ 700 mil pelo trabalho. Na época, ele já trabalhava como assessor especial do ministro da Cultura, Gilberto Gil. O empresário Marcos Valério de Souza disse que pagou ao ex-assessor do Ministério da Cultura R$ 450 mil, entre 15 de setembro de 2003 e 10 de fevereiro de 2004. Demitido por Gilberto Gil em fevereiro de 2004, por conta de supostas irregularidades que teriam sido cometidas no programa Cidade Aberta, Costa Pinho disse que jamais realizou o serviço contratado, uma vez que teve problemas de saúde que inviabilizaram o trabalho. Segundo ele, o dinheiro também não foi devolvido a Delúbio Soares. ?Em maio de 2004, recebi um telefonema da secretário do Delúbio. Ela disse que ele tinha acompanhado a minha situação e mandado dizer que não me preocupasse, porque não faltaria oportunidade para prestar serviços ao PT?, acrescentou. Perguntado sobre o que tinha feito do dinheiro, ele afirmou: ?sobrevivi dele nestes últimos 20 meses?. Costa Pinho, que em 2002 prestava serviços à prefeitura de Ribeirão Preto, quando da gestão de Antonio Palocci, disse que ajudou a articular a indicação de Gil, de quem era amigo há 40 anos, para o cargo de ministro da Cultura. ?Alguns amigos de Gil trabalharam na campanha de Lula. Tendo ele ganhado as eleições, sugerimos que Gil seria um grande nome para a Cultura. Sugeri isso ao Palocci?, disse o ex-assessor do Ministério da Cultura. ?Fora da ética? Pinho admitiu ter agido ?fora da ética? ao realizar trabalho para o PT enquanto ainda trabalhava no ministério. O deputado José Rocha (PFL-BA), integrante da comissão, sugeriu que a CPI formalize denúncia contra o PT por ter efetuado pagamento a Pinho sem ter recebido o trabalho correspondente. O ex-assessor do Ministério da Cultura disse que desenvolveu trabalhos a quatro partidos nas eleições de 2004: PSB, PMDB, PPB e PT. Ele teria recebido ainda convite para participar da campanha do PFL à prefeitura de Salvador, mas recusou a proposta por ?estar doente? no período. O senador Rodolpho Tourinho (PFL-BA), também integrante da CPI, justificou o convite com ?a fama de consultor competente? que Pinho desfruta no estado, e pediu que a comissão foque sua investigação nos repasses feitos por Delúbio a 23 diretórios estaduais do PT. Na Polícia Federal Ex-ministro dos Transportes do governo Lula, o prefeito de Uberaba, Anderson Adauto, confirmou ontem, em depoimento à Polícia Federal, que recebeu R$ 200 mil repassados pelo empresário Marcos Valério, apontado como um dos operadores do caixa 2 do PT. ?O dinheiro foi cobrir despesas da campanha dele a deputado federal em 2002?, afirmou Celso Lemos, um dos advogados do prefeito. O ex-ministro alega, no entanto, que nada sabia sobre o caixa 2 do PT. ### Comissão faz investigação nos EUA Os integrantes das CPIs investem em duas frentes de investigação nesta semana para buscar as origens dos recursos do chamado valerioduto, o esquema de distribuição de dinheiro a parlamentares montado pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, em conjunto com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Hoje, a cúpula da CPI dos Correios vai a Nova York, atrás das contas externas que poderiam ter abastecido o esquema. O presidente, o senador Delcídio Amaral (PT-MS), a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) e o sub-relator Gustavo Fruet (PSDB-PR) devem se encontrar nesta quarta-feira com a diretora da divisão criminal do Departamento de Justiça norte-americano, Mary Ellen Walrow, e no dia seguinte, com o procurador-chefe do Estado de Nova York, Robert Morguental. O objetivo é conseguir acesso aos documentos sigilosos a respeito da conta Dusseldorf, aberta pelo publicitário Duda Mendonça, segundo depoimento dele mesmo, para receber seu pagamento pelos serviços prestados à campanha do PT em 2002. ?Fio da meada? Os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito também esperam rastrear as contas que teriam abastecido a Dusseldorf e que seriam o ?fio da meada?? para rastrear os canais externos do valerioduto. O empresário Marcos Valério mantém ainda sua afirmação de que os recursos distribuídos a parlamentares tiveram origem em empréstimos bancários tomados às instituições financeiras Rural e BMG. Para os parlamentares integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito dos Correios, há a possibilidade de que, na verdade, o empresário seja um intermediário de recursos públicos e privados, por meio do superfaturamento de contratos de serviços prestados por suas agências de publicidade.

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