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Lula diz que falta educa��o a jornalistas

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Pedro Dias Leite e Eduardo Scolese Folhapress Brasília - No momento em que mantém seguidas críticas a setores da imprensa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva colocou ontem mais combustível na turbulenta relação entre mídia e Palácio do Planalto. No Itamaraty, primeiro falou em ?falta de educação? dos jornalistas que lhe dirigiram perguntas. Depois, pediu que um assessor levasse aos repórteres o recado de que ?está ficando insuportável? o hábito de o questionarem aos gritos. O presidente ficou irritado ao ser abordado por jornalistas no saguão do Itamaraty, quando, ao lado do ministro Celso Amorim (Relações Exteriores), aguardava a chegada do primeiro-ministro da Jamaica, Percival Patterson. Repórteres, fotógrafos e cinegrafistas, como acontece em todas as idas do presidente ao local, estavam confinados a um canto do salão, num espaço delimitado por fitas e protegido por seguranças, a cinco metros de Lula. Ríspido Ontem, no mesmo local onde semanas atrás aproveitou as perguntas da imprensa para atacar a CPI dos Bingos, o presidente fez um comentário ríspido aos repórteres quando questionado sobre as denúncias de que campanhas petistas teriam sido financiadas por Cuba: ?Mas que falta de educação?. Diante da insistência das perguntas sobre Cuba, questionou: ?Vocês não querem falar da Jamaica??. Mesmo com as respostas positivas, o presidente disse que depois faria uma ?declaração?. Quando o premier jamaicano chegou, não houve nenhuma pergunta ou interrupção. Depois da declaração conjunta - sem direito a perguntas - e de um almoço a portas fechadas, Lula conduziu o jamaicano até a saída. ### Em três anos, presidente deu uma coletiva Quando o primeiro-ministro da Jamaica saiu, recomeçaram os pedidos para que o presidente Lula falasse com a imprensa. À medida que Lula se afastava, sem olhar para os jornalistas, o tom dos chamamentos dos repórteres aumentava. Logo depois que o presidente sumiu da vista, surgiu um assessor para reclamar do comportamento dos jornalistas. Nervoso, dizia trazer um recado do próprio Lula, que teria ficado muito incomodado com os ?gritos? dos repórteres: ?Essa tentativa de fazer com que ele fale aos gritos é contraproducente. Não contribui para a relação [entre a imprensa e o Palácio do Planalto]?, falou. ?Esses gritos não vão ajudar, estão ficando insuportáveis?, completou. Em seus quase três anos de governo, Lula deu uma única entrevista coletiva, mesmo assim com regras rígidas que na prática impediam questionamentos mais incisivos. No país do próximo convidado de Lula, os EUA, o presidente George W. Bush dá constantes entrevistas coletivas aos repórteres que acompanham o dia-a-dia da Casa Branca. Desde que assumiu a Presidência, em janeiro de 2003, Lula tem protagonizado uma relação turbulenta com a imprensa. ?operação belezura? O Palácio do Planalto desencadeou uma espécie de ?operação belezura? na residência oficial da Granja do Torto para receber, neste domingo, o presidente George Bush. Para reforçar a segurança no local, câmeras de vídeo foram instaladas na portaria e em outros pontos da atual residência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ontem, cerca de 200 funcionários do governo do Distrito Federal fizeram um mutirão no local. Pintaram meios-fios e cercas, vistoriaram e consertaram os telhados das residências, trocaram ferragens quebradas, apararam a grama e até retocaram as demarcações do campo de futebol usado por Lula. Na companhia de Condoleezza Rice (secretária de Estado dos EUA), Bush deve chegar a Brasília no sábado à noite, depois de participar, ao lado de Lula, em Mar del Plata (Argentina), de reunião da Cúpula das Américas. No domingo, além de almoço e reuniões no Torto, estão previstos encontros separados com estudantes e empresários brasileiros. À noite, decola de volta aos Estados Unidos. FOLHAPRESS

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