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Oposi��o volta a cogitar impeachment

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| Fernanda Krakovics, Adriano Ceolin e Silvio Navarro Folhapress Brasília - Um dia depois de a CPI dos Correios dizer ter confirmado que dinheiro público abasteceu o valerioduto, integrantes da oposição voltaram a defender abertamente o impeachment do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, abandonando a cautela adotada na última semana. ?Nada disso terá conserto enquanto Lula não for constrangido democraticamente a mudar de comportamento ou, caso se recuse, enquanto não renunciar ou for impedido. Não se trata de pedir o impeachment num arroubo inconseqüente, trata-se de parar de poupar Lula, não na retórica, e sim com ações concretas, interpelando-o formalmente para que dê explicações à nação sobre tudo isso?, disse o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), em discurso na tribuna. O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato, levantou hoje a possibilidade do impeachment ao comentar a declaração do relator da CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), de que foram desviados R$ 10 milhões do Banco do Brasil para o esquema do mensalão. ?Com essa denúncia, já há origem e destino das verbas que abasteceram o chamado mensalão. Havendo a comprovação dos fatos e diante da falta de transparência do presidente Lula na crise, todo cenário é possível, inclusive o remédio amargo, o impeachment?, disse o presidente da OAB. ?Chegou o momento de as pessoas sérias e responsáveis começarem a discutir o afastamento de Lula?, reforçou o presidente do PPS, deputado Roberto Freire (PE). ?Ficou comprovado agora o uso abusivo de algo que é um símbolo do País, o Banco do Brasil. Isso dá a demonstração da total irresponsabilidade que é esse governo, e esse governo tem um grande irresponsável, que é o presidente Lula?, acrescentou Freire. Para o presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), as denúncias feitas pelo deputado cassado Roberto Jefferson (PTB-RJ), no início da crise, estão se confirmando. Jefferson afirmou, em junho, que parte do dinheiro que irrigava o esquema do mensalão vinha de operações com estatais. ?Acredito que o presidente Lula vá fugir do assunto como sempre tem feito, vai dizer que foi traído. São declarações insuficientes diante da sua responsabilidade como presidente da República?, afirmou o pefelista. O presidente Lula também foi o alvo do líder do PFL no Senado, José Agripino (RN). ?Finalmente o relator encontrou o ovo da serpente. Vamos ver dessa vez o que o Lula vai dizer. Será que vai repetir a entrevista de Paris? Agora é claramente o Poder Executivo, o nosso Banco do Brasil, envolvido no mensalão?, disse ele. Na entrevista a que se refere Agripino, o presidente Lula minimizou a utilização de caixa 2 pelo PT. ### Abicalil diz que versão pode cair na próxima semana Felipe Recondo Brasília - O deputado Carlos Abicalil (PT-MT) afirmou ontem que a versão do relator da CPI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB-PR), de que o Banco do Brasil abasteceu o valerioduto pode cair na próxima semana com a apresentação de documentos da DNA, agência de publicidade do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. Serraglio afirmou que a empresa de publicidade recebeu R$ 35 milhões em recursos adiantados do BB para fazer a publicidade da Visanet, mas deixou de prestar serviços orçados em R$ 9,095 milhões. Esse dinheiro teria sido desviado pela DNA, depositado no BMG (Banco de Minas Gerais) e repassado ao PT por meio de um empréstimo a uma das empresas de Valério, a Rogério Lanza Tolentino e Associados. Em nota, a assessoria de Valério afirmou que não há saldo de R$ 9 milhões a ser restituído à Visanet. ?Pelo contrário, documentos comprovam que a DNA chegou a efetuar pagamentos, que devem ser ressarcidos?, declararam assessores de Valério em nota. A contabilidade das empresas de Valério, que está na Polícia Federal, poderia confirmar ou derrubar a versão do relator. Abicalil disse que os dados da CPI mostram que o saldo da conta de Valério do BB era de R$ 23 milhões. Por isso, o deputado diz que não era necessário o dinheiro da Visanet para que Valério tomasse o empréstimo e repassasse os recursos para o PT. Ele contestou o que chamou de ?ilação? feita pelo relator de que o BB desviou recursos para o esquema de Marcos Valério. ?Não aceito e não concordo com que o relator diga que o Banco do Brasil desviou dinheiro?, afirmou o deputado, que já foi sub-relator da CPI dos Correios. Ele diz que ?dinheiro não tem carimbo? e, portanto, não seria possível dizer com precisão se o dinheiro pago pelo BB seria a fonte do valerioduto. O deputado do PT apresentou ainda uma planilha que mostraria que a antecipação de recursos da Visanet para empresas de publicidade é anterior a 2003, quando foi nomeado o ex-diretor de Marketing do BB Henrique Pizzolato. Em 2001, segundo ele, foram antecipados para a DNA R$ 12,798 milhões e em 2002 R$ 4,5 milhões. Serraglio havia dito que as antecipações foram iniciadas em 2003, por ordem de Pizzolato, o que denotaria participação do ex-diretor do Banco no esquema de corrupção. ### Oposição busca apoio para levar Comissão até abril Fernanda Krakovics Brasília - A oposição já começou a colher assinaturas para prorrogar o funcionamento da CPI dos Correios, cujo prazo previsto para o encerramento dos trabalhos é dezembro, até abril. Isso contraria os interesses do Palácio do Planalto, que teme que as investigações contaminem as eleições do próximo ano. O deputado Onyx Lorenzoni (PFL-RS) já possui assinaturas de 175 deputados - quatro a mais do que o necessário na Câmara. A coleta ainda não começou no Senado, mas a situação da oposição é confortável na Casa. É necessário o apoio de 27 senadores e as bancadas do PSDB e do PFL somam 31. O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT-MS), tem afirmado que em dezembro a comissão deve concluir apenas a análise de irregularidades em contratos dos Correios e no Instituto de Resseguros do Brasil. Assim, devem ser prorrogados os trabalhos das sub-relatorias de fundos de pensão e de movimentação financeira, ou seja, a identificação da origem do dinheiro que teria abastecido o esquema do mensalão. O governo já sofreu um revés na CPI dos Bingos, que prorrogou seus trabalhos para o próximo ano. Essa comissão é chamada de ?a CPI do fim do mundo?, porque ela é controlada pela oposição, que tem maioria. A prorrogação dos trabalhos da CPI dos Correios começou a ser articulada em um jantar no início do mês passado. No encontro, que reuniu membros da base aliada e da oposição, a maioria dos presentes defendeu que as investigações fossem estendidas até o próximo ano. A tese, no entanto, não é consenso na oposição. ?A CPI já realizou um grande trabalho, já tem provas documentais, testemunhais, confissões importantes, que nos autoriza a encaminhar ao Ministério Público o indiciamento de muitas pessoas?, afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). O Ministério da Justiça recebeu ontem oito caixas de documentos da quebra do sigilo de contas bancárias da empresa offshore Dusseldorf Company, do publicitário Duda Mendonça, nos Estados Unidos, e de outras 17 que a abasteciam. Cópia da documentação será repassada até a quarta-feira ao Ministério Público e à Polícia Federal.

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