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F�rmulas podem prejudicar tire�ide

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| Antônio Marinho Agência O Globo Pesquisa inédita com 1.299 brasileiras, apresentada no 13 International Thyroid Meeting, em Buenos Aires, mostra que 12,3% das entrevistadas, acima de 35 anos, sofrem de hipotireoidismo. Isso significa que a glândula dessas mulheres está produzindo pouco hormônio (T4 e T3). Realizado pela UFRJ e a Uerj, esse é o primeiro estudo epidemiológico brasileiro sobre a doença. Um índice deixou os médicos preocupados: pelo menos 85% dessas mulheres não sabiam que sofriam do mal. Outro dado alarmante: 34% usaram, em algum momento, fórmulas para emagrecer, muitas com substâncias perigosas, como hormônio tireoidiano. E 12% das mulheres estavam tomando esses produtos nos últimos dois meses. Nesse caso, todas apresentavam supressão de hormônio TSH (que controla o funcionamento da tireóide), que leva ao aumento de hormônio tireoidiano e ao hipertireoidismo, doença que pode até matar. Níveis sociais O estudo acompanhou mulheres de todas as regiões do Rio e de diferentes níveis sociais, de 2003 a 2004. Segundo médicos que coordenaram o estudo, 12,3% da população brasileira feminina acima de 35 anos tem alguma forma de hipotireoidismo (na Holanda, esse índice é de 10,8%; nos Estados Unidos, 9,5%; e na Espanha, 4,7%). Essa doença tem várias causas. Algo desconhecido A mais comum é a doença de Hashimoto. Nesse caso, por motivos ainda não explicados, o organismo começa a tratar a tireóide como algo desconhecido, atacando-a. Aí ela passa a produzir pouco hormônio. O problema tem maior prevalência em mulheres brancas. Se o hipotireoidismo não for diagnosticado precocemente e tratado de forma adequada, pode causar problemas graves, como perda de memória, anemia, ressecamento da pele, aumento de colesterol, hipertensão, ganho de peso, fraqueza muscular, irregularidade menstrual e até infertilidade, além de aumentar as chances de aborto. O tratamento é simples: basta tomar um comprimido (à base de levotiroxina) ao dia para repor o hormônio. ?O risco de ter a doença aumenta com a idade, sendo mais freqüente após a menopausa. O diagnóstico precoce e o tratamento correto melhoram a qualidade de vida dos pacientes?, diz o endocrinologista Mario Vaisman, professor de endocrinologia na UFRJ e coordenador do estudo na universidade. Na pesquisa realizada pela pela UFRJ e a Uerj, também, foi constatada a relação entre fórmulas manipuladas para emagrecer e hipertireoidismo. ### Receitas contêm mais de 86 compostos Segundo os médicos que coordenaram o estudo epidemiológico, foram encontradas nas receitas 86 compostos diferentes. ?Toda semana vejo esse tipo de problema no consultório. Na maioria das vezes, essas mulheres não sabem o que estão tomando. Seus médicos dizem que as fórmulas não fazem mal?, afirma o especialista, acrescentando que ?basta tomar por três semanas para ter problemas de supressão de TSH e aumento de hormônio tireoidiano. E quando a pessoa pára de tomar, o organismo leva um mês para se recuperar. Os danos à saúde são sérios?, o endocrinologista Mario Vaisman. O especialista diz que em mulheres acima de 40 anos o perigo é ainda maior. ?Elas têm maior probabilidade de arritmia cardíaca. Se tiverem pressão alta, esse problema piora e há risco de infarto. Enquanto a mulher tomar esses medicamentos, continuará com hipertireoidismo. Às vezes, ela não tem qualquer sintoma e de repente eles aparecem?, diz Vaisman. Segundo a médica Rosely Sichieri, uma das coordenadoras da pesquisa e do Departamento de Epidemiologia do Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), os dados indicam que as alterações no funcionamento da glândula estão associadas ao uso de fórmulas manipuladas para emagrecer. ?Nos 12% de mulheres que estavam usando fórmulas manipuladas para emagrecer nos últimos dois meses foram constatados supressão de TSH e aumento dos níveis de hormônio tireoidiano. Tem de tudo nessas fórmulas. A maioria nesse grupo está na faixa de 35 a 44 anos (17%). E a maioria, 17%, tem maior poder aquisitivo?, diz a médica Rosely Sichieri. Câncer nos EUA A mortalidade por câncer diminuiu nos Estados Unidos da América (EUA), mas sua incidência aumentou levemente entre as mulheres nos últimos anos, afirma um estudo publicado na revista Journal of the National Cancer Institute. De acordo com o relatório, a incidência da doença entre os homens diminuiu em 1,5%. Ao mesmo tempo, a taxa de mortalidade entre pacientes deste sexo caiu em 12 dos 15 tipos de câncer mais comuns - a pesquisa considera 15 tipos dessa doença entre os cinco grupos étnicos mais importantes do país entre 1995 e 2002. O estudo publicado na revista Journal of the National Cancer Institute indica um aumento da incidência de melanoma entre os homens, assim como do câncer de esôfago, renal e de próstata, enquanto o câncer de cólon e reto, da laringe, pulmonar, de boca e de estômago diminuíram. Por outro lado, a incidência de câncer entre as mulheres aumentou 0,3% entre 1995 e 2002, mas a taxa de mortalidade diminuiu 0,8% por ano. ### Comer frutas e verduras reduz risco de câncer O relatório publicado na revista Journal of the National Cancer Institute afirma que, entre 1995 e 2002, houve um aumento entre as mulheres da incidência de leucemia, linfoma de Hodgkin, melanoma, câncer da bexiga, de mama, de rins e de tireóide. O estudo revela que, no mesmo período, diminuíram os casos de câncer uterino, de cólon, retal, de boca e de ovários, com redução também da taxa de mortalidade em 9 dos 15 tipos mais comuns de câncer. A pesquisa teve como base dados do Instituto Nacional do Câncer, do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças, do Registro Americano de Câncer e da Sociedade de Oncologia dos EUA. Um regime alimentar rico em frutas e verduras reduz os riscos de contrair câncer de pulmão, de acordo com um estudo publicado nos Estados Unidos pelo Journal of the American Medical Association. As substâncias anticancerígenas contidas nesses alimentos - como espinafre, cenoura, brócolis e frutas - são fitoestrogênicas, ou seja, possuem hormônios de origem vegetal, explicaram pesquisadores do Centro Anderson de Câncer da Universidade do Texas, na cidade de Houston (sul). ?Nosso estudo demonstra que os doentes com câncer de pulmão tinham tendência a consumir poucas quantidades de fitoestrogênios, em relação às pessoas saudáveis?, explicou Matthew Schabath, um dos cientistas que participaram da pesquisa. O estudo foi realizado com 1.674 doentes com câncer de pulmão e 1.735 pessoas com boa saúde, mas com estilos de vida similares. Esses hormônios de origem vegetal se mostraram benéficos tanto para homens e mulheres fumantes, como não-fumantes, frisou Schabath. Os cientistas ressaltaram, porém, que esses resultados ainda devem ser confirmados por estudos mais amplos.

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