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MEC estima atraso no fim do ano letivo

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| Fábio Takahashi Folhapress São Paulo - O Ministério da Educação (MEC) estima que, se a greve dos docentes das universidades federais se estender por mais dez dias, as aulas deste ano letivo terão de ser dadas até 2006, prejudicando o próximo calendário e até mesmo os vestibulares. A declaração foi dada ontem pelo secretário-executivo-adjunto do MEC, Ronaldo Teixeira. A paralisação começou no dia 15 de agosto, na Universidade Federal do Acre. Desde então, outras 37 instituições já aderiram, inclusive a Unifesp (federal de São Paulo), de acordo com o comando de greve. Ontem estava previsto o início de paralisação na UFRGS, no Rio Grande do Sul. O grau de adesão varia entre as instituições. O MEC tem um balanço diferente, que aponta greve parcial em 31 de suas 61 instituições. O governo, porém, admite que não possui a mesma capacidade de monitorar o movimento do que os grevistas. Os professores têm divergências também com relação à estimativa do MEC sobre o calendário escolar. ?Eles querem fazer pressão contra nós??, disse Manoel Fernandes, um dos representantes do comando de greve. ?A idéia deles é dizer para a sociedade que vamos levar o movimento até o limite??. Segundo ele, as aulas deste ano só avançarão em 2006 se a paralisação se estender por mais um mês. Os grevistas pedem reajuste de 18% nos vencimentos básicos e que os servidores aposentados ganhem o mesmo que os servidores na ativa. Atualmente, os professores em atuação têm gratificações maiores do que os aposentados. Em uma delas, a diferença chega a 30%. O Ministério da Educação propõe reajustes nos índices de titulação (?bônus?? que o professor recebe se tiver especialização, mestrado ou doutorado) e criação de uma quinta categoria de docência, o que poderia ajudar na evolução na carreira. Esses pontos, juntos, representariam um reajuste médio de 11%, segundo o MEC. Além disso, o ministério diz que buscará diminuir a diferença entre o salário dos professores na ativa e aposentados, mas não será possível a equiparação - o governo Lula destinou R$ 500 milhões para que o Ministério da Educação elaborasse sua proposta aos docentes. O último ponto que o MEC propôs foi a criação de um grupo de discussão para modificar a estrutura da carreira dos docentes. Em duas rodadas de assembléias, os professores em greve já negaram o que a pasta ofereceu. Uma nova rodada será feita até quarta-feira. Na quinta, haverá nova reunião entre as duas partes. O secretário do MEC espera que a posição dos docentes mude devido à incorporação do grupo de trabalho à proposta. Já Fernandes, do comando de greve, afirma que a expectativa dos dirigentes do movimento é que a paralisação seja mantida pelos docentes. Ele considera que o ministério praticamente não avançou nas últimas propostas.

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