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Vi�va reafirma tese de morte pol�tica
| Luciana Constantino e Silvio Navarro Folhapress Brasília - A psicóloga Roseana Garcia, viúva do prefeito morto de Campinas (SP) Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, reafirmou ontem à CPI dos Bingos acreditar que o assassinato de seu marido foi político, provavelmente por ele ter contrariado interesses na prefeitura, e não crime comum, como concluiu a polícia de São Paulo. Garcia disse ainda não saber de possíveis esquemas de arrecadação em prefeituras administradas pelo PT para caixa dois de campanha. Porém voltou a citar a possibilidade de que ordens para assassinar o prefeito de Santo André, Celso Daniel (PT), em janeiro de 2003, possam ter partido de pessoas de Campinas, sem ligar diretamente os dois crimes. Filiada ao PT, Garcia afirmou não saber se continuará no partido, que criticou pela ?falta de empenho? na apuração da morte de seu marido, ocorrida em setembro de 2001, oito meses após ele ter assumido a Prefeitura de Campinas. ?O PT deveria ter se empenhado para que não pairasse dúvida?, disse. Depois de citar aos parlamentares que cobrou, por várias vezes, a entrada da Polícia Federal nas investigações sem ser atendida, inclusive o presidente Lula e o ministro Márcio Thomaz Bastos, ouviu do líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), que isso deve acontecer por meio da apuração de outro crime. ?Por que não interessa a ninguém investigar a morte do Toninho e a do ex-prefeito Celso Daniel??, questionou Garcia, lembrando que Lula havia prometido empenho antes de ser eleito presidente. Segundo o senador, a PF ajudará nas investigações da ação da polícia de Campinas, realizada na cidade litorânea de Caraguatatuba (SP), que resultou na morte de dois suspeitos do assassinato de Toninho. A viúva suspeita que tenha havido queima de arquivo. Mercadante disse que a PF não entrou no caso Toninho porque isso dependeria de uma determinação do juiz responsável. A PF informou que encaminhará ao Ministério Público em Campinas um ofício se colocando à disposição para colaborar no caso. Para o presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), as afirmações de Garcia apontam para indícios de que pode ter havido crime político. ?Está confirmado que houve tráfico de recursos públicos e possível envolvimento de bingos, lixo e transporte. Aliás, como sempre, é a conexão perfeita.? ### Ex-namorada diz que crime foi comum Folhapress Brasília A socióloga Ivone Santana, namorada de Celso Daniel quando ele foi morto em 2002, disse ontem não acreditar em motivação política no assassinato do prefeito de Santo André e desqualificou gravações nas quais seu nome é citado. Questionada sobre uma conversa telefônica na qual ela teria sido orientada pelo hoje chefe-de-gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, a se passar por uma ?viuvinha sofrida?, ela negou o diálogo. ?A fita [foi] gravada ilegalmente, eu não tive acesso e ainda tenho que dar conta de respostas. Isso não aconteceu?, disse. Ela foi segunda pessoa a ser ouvida ontem pela CPI dos Bingos, logo após Roseana Garcia, viúva do prefeito morto de Campinas Antonio da Costa Santos. Ontem, Ivone fez diversas referências a Carvalho, a quem chamou de ?Gil? e classificou como um ?homem de confiança? de Daniel e um ?presente? dentro da prefeitura. Disse, entretanto, ter uma reclamação sobre a conduta de Carvalho no caso. O depoimento de Ivone, agradou os governistas, mas não encontrou credibilidade entre o presidente da comissão, Efraim Moraes (PFL-PB), e o relator, Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN). Ivone negou que houvesse problemas na Prefeitura de Santo André, contestou a existência de um dossiê em mãos do prefeito com os indícios de irregularidades, afirmou não haver sacos de dinheiro no apartamento de Celso Daniel como revelou uma ex-empregada e disse não haver transporte de recursos da cidade para o PT nacional. O relator disse que, a despeito das negativas de Ivone, continua trabalhando com a tese de que o crime em Santo André foi premeditado. ?Eu acredito na versão de crime planejado?, declarou. Mensalão Os depoimentos de Ronivon Santiago (PP-AC) e Chicão Brígido (PMDB-AC), ocorridos ontem na CPI do Mensalão, frustraram mais uma vez a tentativa dos governistas de investigar a compra de votos para a aprovação, em 1997, da emenda constitucional da reeleição. Acusados de receber R$ 200 mil para votar a favor do projeto que interessava a presidente FHC, eles não acrescentaram nada às investigações. ### Palocci admite depor sobre caso Cuba Folhapress Brasília Líderes governistas negociam com a oposição a ida do ministro Antonio Palocci (Fazenda) ao Congresso para dar explicações sobre seu suposto envolvimento na remessa de dinheiro de Cuba para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A estratégia é negociar um pedido para que Palocci seja ouvido na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, e não em uma das CPIs em funcionamento no Congresso. Como ministro, se for convocado nas CPIs ou nas comissões, ele é obrigado a comparecer. Os recados foram mandados por meio do líder do governo Aloizio Mercadante (PT-SP), que se reuniu ontem e anteontem com Palocci para tratar da medida provisória que cria a Super-Receita. A idéia era marcar uma audiência pública na próxima semana mas, por causa do feriado, deve ficar para a seguinte. Nesse cenário o ministro evitaria o desgaste de uma convocação para uma CPI e responderia a perguntas sobre o caso Cuba em uma situação mais confortável, por estar na CAE e não em uma comissão parlamentar de inquérito, ou seja, não seria ouvido na condição de investigado. Caso a oposição insista em convocá-lo, Palocci avalia que talvez não seja suficiente falar numa comissão temática do Congresso. Aí, seria melhor partir logo para um depoimento numa CPI. Na opinião do ministro, uma eventual turbulência econômica por sua ida a uma CPI seria debitada na conta da oposição. ?Se eu fosse ele, eu viria de peito aberto. A economia vai bem e não é justo que ele tenha sua cabeça colocada em praça pública para ser cortada?, disse o senador Tião Viana (PT-AC), que é vice-líder do governo e tem bom trânsito com a oposição. O PSDB e o PFL têm poupado o ministro desde o início da crise, temendo uma contaminação da economia.