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Palocci pensa em deixar minist�rio

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| GLOBO ONLINE O Ministério da Fazenda não quis se pronunciar ontem sobre as notícias de que o ministro Antonio Palocci poderia deixar o cargo por causa de divergências com a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e das pressões por causa das acusações em CPIs sobre o período em que ocupava a Prefeitura de Ribeirão Preto. Palocci passou a manhã de ontem na Granja do Torto reunido com o presidente Lula, o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) e o presidente do PT, Ricardo Berzoini. As atenções do Planalto ficaram voltadas para os depoimentos do ex-assessores do ministro na Prefeitura de Ribeirão Preto, Vladimir Poletto e Rogério Buratti, na CPI dos Bingos. Poletto declarou à revista Veja ter participado de um esquema de recebimento de US$ 3 milhões do governo de Cuba para a campanha do presidente Lula em 2002. As críticas da ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, à proposta de uma política fiscal de médio e longo prazos apresentada pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, irritaram profundamente o ministro Palocci. Ontem ele tratou do assunto com o presidente Lula e voltou a reforçar suas queixas ontem no encontro com o presidente na Granja do Torto. Notícias publicadas dão conta de que as divergências com Dilma levaram Palocci a considerar a sua saída do governo. Motivo: o presidente Lula está enfrentando uma disputa entre a Casa Civil, de um lado, e Fazenda e Planejamento, do outro, em relação a um aprofundamento do aperto nas contas públicas, e Palocci não gostou de duras críticas da ministra à política econômica e ao programa fiscal de longo prazo que ele e o ministro Paulo Bernardo têm proposto. Em entrevista a O Estado de S. Paulo, Dilma disse que a proposta é ?rudimentar? e o debate ?desqualificado?. Segundo O Globo, no Congresso e na Esplanada correu informação extra-oficial de que Lula estaria apoiando a posição de Dilma, mas não faria uma declaração pública para não fragilizar ainda mais Palocci, alvo de investigações das CPIs. Reportagem de capa do jornal Valor de ontem também destaca o conflito: ?Abatido com o cerco que vem sofrendo no Congresso e no próprio governo, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, já pensa em deixar o cargo. Nos últimos dias, manifestou essa possibilidade a assessores do presidente Lula e a pelo menos um interlocutor no Congresso. Desgaste O efeito da entrevista sobre Palocci foi ?devastador?, segundo parlamentar próximo do ministro. Assessores de Lula afirmaram que só haveria duas alternativas para o caso: a demissão da ministra ou uma nota oficial com pedido de desculpas. Nenhuma delas foi considerada. As críticas de Dilma vieram em um momento muito delicado, em que a oposição dá sinais de que não protegerá mais o ministro, como fez desde o início da crise política?. Segundo a Folha de São Paulo, Palocci disse a Lula que se sente ?cansado?. Reclamou que faz ?jornada dupla? (gerenciar a economia e a crise) ?e ainda tem de ouvir críticas numa hora de fragilidade?. O presidente, segundo o diário paulista, ?pediu calma?, afastou a ?hipótese de saída e prometeu falar com Dilma?. Na equipe econômica, foi considerada absurda a avaliação feita por Dilma sobre o ajuste fiscal. A proposta vem sendo apresentada por Paulo Bernardo como forma de preservar Palocci de tantas cobranças sobre a ortodoxia da política econômica. ### Dilma incita PMDB contra Palocci FOLHA ONLINE Na véspera de ouvir do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que não desejava que divergências no governo se tornassem públicas, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) voltou a criticar o colega da Fazenda, Antonio Palocci. Em jantar, na quarta-feira, com a bancada do PMDB no Senado, Dilma disse que Palocci ?só pensa em superávit primário? e não tem ?criatividade e abertura? para discutir outra política econômica. Segunda ela, Palocci ?sumiu das solenidades públicas? por causa das acusações de corrupção a respeito de sua gestão em Ribeirão Preto. ?Não apareceu no encontro com o Bush [George W. Bush, presidente dos EUA que visitou Brasília no fim de semana]. Mais: Dilma afirmou ter ?respaldo? do PT para ?enfrentar? Palocci no debate sobre gastar mais (acelerar liberação de verbas) e pediu ajuda do PMDB para isso. Disse ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deveria se espelhar no antecessor Fernando Henrique Cardoso para se relacionar com o Congresso: ?O presidente deveria falar mais com os deputados, senadores. Ligar no dia do aniversário, ser mais aberto. Fazer o que o Fernando Henrique fazia?, disse, segundo relato de participantes do jantar no apartamento do líder da bancada no Senado, Ney Suassuna (PB). O presidente do Senado, Renan Calheiros (AL), e o senador José Sarney (AP) também criticaram Palocci. Disseram que o ministro não cumpre acordos para liberar verbas para Alagoas e Maranhão. ?O Palocci diz que gosta do Germano Rigotto [governador do Rio Grande do Sul e peemedebista], mas vive enrolando ele. Não libera nada?, alfinetou Renan, sempre de acordo com o relato de senadores que foram ao jantar. Suassuna também reclamou mais verbas. Disse que os adversários políticos do PMDB na Paraíba dizem que ele não tem força. ?Vocês do PT não gostam da gente, mas nós gostamos de vocês. Aí fica essa relação conflituosa?.

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