Nacional
Fita desmente ex-assessor de Palocci
| Luciana Constantino e Silvio Navarro Folhapress Brasília - Uma fita divulgada ontem na CPI dos Bingos durante o depoimento de Vladimir Poleto, ex-assessor do ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) na Prefeitura de Ribeirão Preto, acabou desmentindo o que o depoente havia dito minutos antes, quando negou ter transportado dinheiro supostamente vindo de Cuba destinado à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A CPI dos Bingos aprovou na noite de ontem dois requerimentos pedindo a prisão preventiva e o indiciamento de Poleto por falso testemunho. Os requerimentos foram apresentados pelos senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE), Heráclito Fortes (PFL-PI), Demostenes Torres (PFL-GO), Alvaro Dias (PSDB-PR), Magno Malta (PL-ES) e Romeu Tuma (PFL-SP). O ex-assessor de Palocci confirmou, no início do seu depoimento, ter viajado no avião Seneca no qual estavam sendo transportadas três caixas - que seriam, segundo ele, de uísque- entre Brasília e o estado de São Paulo. Disse ainda ter entregue as caixas a Ralf Barquete, também assessor de Antonio Palocci na prefeitura e morto no ano passado. Porém negou que houvesse dinheiro. Acusou o repórter da revista Veja, Policarpo Júnior, de ter usado sua entrevista sem autorização. Poleto alegou estar com ?discernimento comprometido? porque havia bebido cachaça e chope antes da entrevista. ?Após tanto chope, sendo que eu havia começado a beber à tarde aquela cachacinha, minha capacidade de discernimento estava comprometida. Não me recordo se fiz declaração [à revista sobre o transporte de dólares]. Se fiz, foi mentirosa. O fato é que houve coação e constrangimento?, disse Poleto aos senadores. Em seguida, a revista colocou em seu site a íntegra da entrevista com Poleto, inclusive o áudio, que foi reproduzido na CPI. Reportagem publicada recentemente pela revista dizia que Vladimir Poleto e Rogério Buratti (também assessor de Palocci que prestou depoimento ontem) relataram uma operação de transporte de dinheiro de Brasília a Campinas (SP) em caixas de bebidas. O recurso teria vindo de Cuba para a campanha de Lula. Após ouvir a fita com a entrevista, o senador Romeu Tuma (PFL-SP) disse: ?Além de indiciamento, só restaria uma coisa ao senhor: a internação por insanidade mental?, completou o senador Alvaro Dias. Mesmo assim, Poleto manteve sua afirmação de que não estava em ?sã consciência?: ?Com todo o respeito, não vi na fita algo que destoa do que falei?. Porém na gravação divulgada pela revista, Poleto diz: ?Veja - O que você sabe? Poleto - A única coisa que eu sei é que eu peguei um avião de Brasília com destino a São Paulo com três caixas de bebida, só isso. Veja - E o que tinha dentro dessas caixas, segundo te disseram? Poleto - Uma coisa é o que me dizem outra coisa é a realidade... Veja - E o que te disseram? Poleto - Que tinha dinheiro numa das caixas. Só isso. Veja - Quem disse isso? Poleto - Ralf Barquete?. ### Buratti diz que ministro sabia de doação Alan Gripp Globo Online O advogado Rogério Buratti disse ontem na CPI dos Bingos que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, sabia da doação não declarada feita por donos de bingos de São Paulo à campanha eleitoral do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002. A denúncia havia sido feita à comissão pelo próprio Buratti, que, no entanto, havia poupado Palocci até aqui. Em seu quarto depoimento à CPI, Buratti disse que não pode afirmar se Lula e o ex-ministro José Dirceu conheciam o suposto esquema. ?Palocci sabia?, enfatizou Buratti, que foi secretário de governo na primeira gestão de Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto, em 1993 e 1994. Uma testemunha que teve o nome mantido sob sigilo contou ao Ministério Público de São Paulo esta semana que o empresário Roberto Carlos Kurzweil foi responsável pela arrecadação dos recursos em nome de Palocci. A testemunha disse que a doação de R$ 1 milhão foi feita por dois empresários angolanos, donos de bingos em São Paulo. Kurzweil também é personagem da denúncia de que o governo de Cuba teria enviado dólares para a campanha de Lula. De acordo com as primeiras denúncias de Buratti, em São Paulo foi arrecadado cerca de R$ 1 milhão por Ralf Barquete dos Santos, ex-secretário de Palocci na prefeitura e ex-diretor da Caixa Econômica Federal. Barquete morreu no ano passado de câncer. No Rio, segundo Buratti, foram arrecadados mais R$ 1 milhão, por Waldomiro Diniz, ex-assessor do então ministro José Dirceu.