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Fita mostra conversas de contrabandista

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| GLOBO ONLINE Rio de Janeiro Telefonemas gravados pela Polícia Federal revelaram a ação violenta de uma quadrilha de contrabando internacional de produtos eletrônicos que já tem 58 integrantes presos. A quadrilha é chefiada por José Antônio Martins, o Jam, e Clévio Degaspari. Os dois são acusados de importar ilegalmente toneladas de eletroeletrônicos de alta tecnologia. Carregamentos que saíam da Ásia, passavam por Miami e seguiam para Montevidéu. Depois, atravessavam a fronteira do Rio Grande do Sul e chegavam a São Paulo, onde eram recebidos por Ah Yong Um, o Stefano. Quadrilhas como essa chegam a movimentar em torno de R$ 50 milhões por mês. Um dos telefonemas gravados partiu de Florianópolis, onde duas cargas da quadrilha estavam retidas, por falta de documentação. O despachante contratado para resolver o problema liga para Stefano, o receptador. O assunto: propina para um fiscal da Receita. Despachante: Falei ali com o homem, tá? Acabei de sair da sala dele ali. Stefano: Pois não, senhor! Me dá uma notícia boa! Despachante: É, a notícia boa, ele diz que tudo bem! Mandando o dele, ele deixa quieto, mas... Aí, só que ele me pediu um valor ali de 20.000 ?verde?. Aí eu falei: ?Vou passar pro cliente, mas acho que é um pouco... um pouco alto, né?? Aí ele disse: ?Não, não... Pode ver o valor da mercadoria aqui, são quinhentos e poucos mil reais, aquela de CD e MP3?, imagina de câmeras! O certo é eu pedir 10% disso, não quero... Quero só... Me manda aí 20 mil dólares... Stefano: Entendi. E como é que eu mando isso? BRAÇO DIREITO NO URUGUAI Num telefonema entre Clévio e Jam, eles conversam sobre a perseguição policial a um caminhão carregado de contrabando. Clévio diz que orientou o motorista do caminhão a provocar um acidente para tentar a fuga. Clévio: Eu falei: ?Deixa encostar no pára-choque bem pertinho, soque o pé no freio que ele arrebenta lá pra trás! E sai andando?. No Uruguai, o braço direito da organização é Ricardo Guimarães, conhecido como ?Matador?. Guimarães foi expulso da Polícia Civil de São Paulo por envolvimento com um grupo de extermínio em Ribeirão Preto. Acusado de dez homicídios, ele chegou a ser preso, mas fugiu da cadeia no ano passado e foi para Montevidéu, trabalhar com o contrabandista Jam. Guimarães é o principal suspeito de ter dado sumiço em dois policiais civis de Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai. Ronaldo da Silva, 43 anos, e Leonel Ilha, de 38, estão desaparecidos há quatro meses. Eles estavam afastados da polícia gaúcha, desde que foram flagrados transportando uísque contrabandeado. Dois meses depois do sumiço dos policiais, a interceptação captou o seguinte diálogo entre Guimarães e Jam: Jam: Sabe quando você tá desanimando, velho? Juro por Deus! Sabe quando você já tá jogando a toalha já, meu? Guimarães: Eu cheguei a pensar... Sabe até o que, que não sei... Que será que porque nós fizemos tanta, tanta coisa que agora não estamos pagando um pouco? Jam: Depois de tudo isso, também fico preocupado aí, velho! Você sabe disso, porque aqueles dois lá... Bom, enfim, você já sabe quem sabe. Preso, um dos integrantes da quadrilha disse à polícia esta semana que Guimarães matou os policiais, porque suspeitou que eles tivessem denunciado o esquema. SEQÜESTRO DE CRIANÇA A investigação também registrou um telefonema em que Jam é informado sobre o roubo de uma carga da quadrilha, num depósito na fronteira com o Uruguai. O ladrão seria um conhecido. Jam recorre a Guimarães, o Matador, que apresenta um plano para forçar o ladrão a devolver a carga: Guimarães: Eu vou pegar o filho do cara, vou segurar o filho do cara e vamos negociar com o cara! Se ele devolver a carga inteira, devolvemos o filho dele inteiro. Se ele devolver a carga faltando alguma coisa, arrancamos um pedaço do filho dele também.

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