Nacional
Levy deve deixar o Tesouro Nacional
| Regina Alvarez O Globo Brasília - O secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy, vai deixar o cargo e deve assumir um posto no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington. Levy foi indicado para o BID pelo ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que é o governador do Brasil na instituição. Ele poderá ocupar a vaga de João Sayad, que é vice-presidente de Planejamento e Administração, ou uma outra função no banco. Sayad ficou desgastado pela derrota na eleição para suceder Enrique Iglesias na presidência do BID e deixará a instituição. Já o secretário do Tesouro nunca teve uma posição muito confortável no governo Lula, embora conte com o apoio do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Desde que assumiu o cargo, em janeiro de 2003, Levy enfrenta o bombardeio de setores do PT, que consideram o secretário do Tesouro a personificação do que classificam de ?política econômica neoliberal adotada pelo governo?. O secretário do Tesouro está no exterior fazendo uma rodada de contatos com investidores. O Ministério da Fazenda ainda não quis se pronunciar sobre a saída de Levy do cargo. Na quarta-feira, Levy deve se encontrar com o presidente do BID, o colombiano Luis Alberto Moreno. Caso Levy abandone o governo, o ministro Antonio Palocci perderá um de seus principais secretários - é o Tesouro que libera recursos para os demais ministérios. Isso ocorre no momento em que Palocci sofre um forte desgaste. Ele foi criticado publicamente nesta semana pela ministra Dilma Rousseff e continua sendo pressionado a dar esclarecimentos sobre sua suposta participação no recebimento de contribuições do governo cubano para a campanha do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva e denúncias de corrupção em Ribeirão Preto (SP), cidade que já governou.