Nacional
PT se alia a Dilma e critica ajuste fiscal
| Lilian Christofoletti Folhapress São Paulo - O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, disse ontem ser ?inviável? a proposta de ajuste fiscal a longo prazo capitaneada pelo ministro Paulo Bernardo (Planejamento), com o apoio de Antonio Palocci (Fazenda). As divergências sobre o projeto abriram uma crise entre Palocci e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, nesta semana. ?É uma proposta de ajuste fiscal inadequada, mas isso não significa que estou mais alinhado a Dilma e menos alinhado a Palocci?, disse Berzoini, para quem o projeto não será aprovado pelo governo federal. ?Não existe a menor viabilidade política para que seja um projeto de governo nem para ser aprovado no Congresso.? O projeto de ajuste fiscal de longo prazo foi criticado por Dilma, que o classificou de ?rudimentar?. Ela disse ainda que o País deveria reduzir os juros ?para sair do atoleiro?. Palocci entendeu as declarações como tentativa de desautorizá-lo. Anteontem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva os repreendeu e pediu unidade. Superávit fiscal Berzoini disse que a sigla já se posicionou em vários momentos por uma ?aceleração na execução orçamentária? e defendeu um superávit fiscal equivalente a 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto). ?Não acho que há necessidade de ampliarmos o ajuste fiscal, pelo contrário. Estamos num cenário macroeconômico que permite a redução da taxa de juros, maior execução orçamentária, mantendo a responsabilidade fiscal?, disse Berzoini. ?Essa também é a opinião do presidente Lula?. Berzoini disse que, a despeito de sua opinião sobre a inviabilidade do projeto, o PT não apóia nenhum dos ministros em particular. ?Ambos defendem pontos de vistas de interesse do País?. Ele disse ainda não acreditar na saída do ministro Palocci. Sobre a possibilidade de perder o fundo partidário (verba proporcional repassada aos partidos) após denúncia contra o PT por uso de caixa dois, Berzoini pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tratamento igual para todos os partidos. ?Se isso acontecer com o PT, tem de ocorrer com outros partidos?, afirmou. Após o PT ter pedido ao TSE nova análise das contas tucanas, o próximo, disse o presidente do PT, poderá ser o PFL. ### Lula coloca panos quentes em crise FOLHAPRESS Brasília O presidente Luiz Inácio Lula da Silva dedicou parte da tarde de ontem para apaziguar os ânimos da sua equipe, que nos últimos dias vem travando um duelo verbal pela imprensa. Primeiro, foi recebido em uma audiência reservada o ministro da Fazenda, Antonio Palocci. A seguir, em uma antecipação da agenda do presidente, Lula reuniu-se também reservadamente com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. A assessoria de imprensa do Planalto confirma as duas audiências, mas não divulgou a pauta dos encontros. O presidente Lula já havia se encontrado com os dois ministros anteontem, em uma reunião na Granja do Torto. O presidente teria pedido o fim das trocas de críticas. A assessoria de imprensa de Dilma Rousseff nega a informação e disse que o assunto não foi tratado no encontro de ontem. Em entrevista dada à imprensa nesta semana, Dilma classificou de ?rudimentar? a proposta de ajuste fiscal de longo prazo. Afirmou que os juros altos minimizam o efeito da política fiscal (corte de gastos) e ?enxuga gelo?, pois não há diminuição significativa da dívida pública. Defesa tucana No Senado, as críticas da ministra deram força para que o ministro da Fazenda fosse convidado a depor na Casa no dia 22 deste mês. Para o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), as críticas da ministra acentuam a fragilidade do ministro Palocci. ?O PSDB sempre foi um defensor de primeira linha da política econômica e da figura do ministro Palocci. Não é novidade um integrante da cúpula petista atacar o ministro. Basta lembrar das constantes disputas com José Dirceu?, comentou. Apesar de defender Palocci, Virgílio disse ter se decepcionado com o ministro pelo círculo de pessoas que ele trouxe para Brasília, que o acompanharam desde Ribeirão Preto, e que agora estão diretamente envolvidas nos supostos casos de corrupção. O senador Virgílio acredita que mesmo sob ameaça de deixar o cargo, o ministro deveria ser obrigado a comparecer às CPIs. ?As questões de política econômica e sua briga com a ministra Dilma Rousseff poderão ser tratadas na audiência do dia 22, mas ele deve explicações mais profundas sobre os seus assessores e seu envolvimento nessas denúncias.?