loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quinta-feira, 06/08/2026 | Ano | Nº 6283
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Nacional

Nacional

Ministra � contra instala��o de usinas

Ouvir
Compartilhar

| Hudson Corrêa Folhapress Campo Grande - A ministra Marina Silva (Meio Ambiente) disse ontem que ?estava enviando?? à Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul parecer contrário à instalação de usinas de álcool na região do Pantanal, mas que o documento ?não chegou a tempo?? de evitar a morte do ambientalista Francisco Anselmo Gomes de Barros, 65. Franselmo, como era conhecido o ambientalista, morreu no domingo, cerca de 22 horas após atear fogo ao próprio corpo durante protesto em Campo Grande (MS) contra o projeto de instalação de usinas na Bacia do Alto Paraguai, onde fica o Pantanal. O projeto foi enviado à Assembléia em agosto passado pelo governador José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, do mesmo partido da ministra. Marina foi ontem a Campo Grande. ?Esse acontecimento dramático fez com que eu me deslocasse para aqui??, afirmou. Ela não foi recebida por Zeca do PT que ontem descansava justamente no Pantanal. A recepção, no centro de convenções do governo estadual, ficou por conta de cerca de 200 ambientalistas com camisetas onde se lia na frente ?Não às usinas de álcool no Pantanal?? e, atrás, ?Franselmo vive??. Marina foi aplaudida ao anunciar que é contra o projeto. Segundo ela, ?há 15 ou 20 dias?? o ministério fazia um estudo sobre a proposta do governo do Estado a pedido da própria Assembléia. ?O meu chefe de gabinete me disse que eu assinaria [ontem o documento] e seria encaminhado provavelmente na quarta-feira?? com parecer contrário, disse ministra. ?Eu acho que não chegou o tempo. É claro que ninguém tinha como prever uma situação como essa, até porque o ministério não tem uma interferência no processo que ocorre aqui??, relatou. Como a ministra informou que o documento estava pronto, a reportagem pediu cópia. A assessoria do ministério informou que Marina ainda fazia anotações no parecer. Anteontem, após a morte da ambientalista, a ministra divulgara nota afirmando que o projeto de Zeca do PT contraria resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) de 1985. Na avaliação do governo do Estado, o projeto não afetará o Pantanal, situado na planície, pois permitirá a instalação de usinas de álcool apenas na região de planalto, em locais distantes no mínimo 1km dos rios e com segurança contra acidentes. A intenção de Zeca do PT é mudar uma lei estadual que desde 1982 proíbe os empreendimentos na Bacia do Alto Paraguai. É a terceira tentativa em dois anos do governador. Na avaliação dele, haverá desenvolvimento econômico na região. Conforme a ministra, o projeto apresenta três problemas: 1) a possibilidade de contaminação dos rios; 2) a monocultura da cana-de-açúcar pode comprometer a biodiversidade do Pantanal, causar erosão, queimadas e levar à contaminação por pesticidas e 3) não está assegurada a proteção contra acidentes (derramamento do subproduto do álcool nos rios). Após o encontro com os ambientalistas, Marina seguiu para a casa de Iracema Sampaio, 67, viúva de Franselmo. Sampaio chorou e justificou o ato do marido: ?Vamos respeitar a decisão dele??. Segundo ambientalistas, as provas de que Franselmo ateou fogo no corpo para protestar contra o projeto são ao menos 15 cartas deixadas em que fez referência a dar a vida pelo Pantanal. ?Na minha carta, ele disse que não queria tremeliques de viúva desconsolada??, afirmou Sampaio. Autora de livros sobre culinária, ela entregou o de nome ?Mani-Oca Delícia Brasileira?? à ministra. Ofereceu almoço com lingüiça de Maracaju. Marina, que é alérgica, aceitou apenas uma salada.

Relacionadas