Nacional
CPI descarta mensal�o e endossa caixa 2
| Adriano Ceolin e Fábio Zanini Folhapress Brasília - O deputado Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG) prometeu apresentar hoje o relatório final da CPI do Mensalão e adiantou que não confirmará a existência de repasses de recursos mensais para congressistas votarem de acordo com as ordens do Palácio do Planalto. Segundo ele, o relatório também não pedirá o indiciamento de nenhum dos investigados. ?Não podemos provar o pagamento mensal, mas sim um sistema de distribuição de recursos ilícitos?, disse Abi-Ackel. ?No meu entendimento, as CPIs não têm competência para indiciar as pessoas. Quem oferece denúncias é o Ministério Público?, afirmou. A oposição ainda vai tentar um último esforço para coletar as assinaturas necessárias para prorrogar até abril a comissão, da mesma forma que fez com a CPI dos Correios. Para isso, é necessário o apoio de 171 deputados e 27 senadores - até ontem, 15 deputados e 30 senadores haviam assinado requerimento de extensão. A tarefa é difícil porque o governo não tem interesse na prorrogação. Além disso, a semana do feriado deve reduzir o quórum no Congresso. O relator da CPI adiantou ainda que vai dizer no relatório que a maior parte dos recursos foi usada para pagamento de despesas de campanha. Desse modo, ele corrobora a versão de alguns congressistas que admitiram o uso de caixa 2, o que é irregular. Abi-Ackel contou que deverá diferenciar os casos dos deputados que receberam dinheiro do esquema supostamente montado pelo empresário Marcos Valério Fernandes de Souza. ?Os que forem possíveis eu vou discriminar?, disse. Questionado se poderia adiantar em que casos deveria fazer essa diferenciação, o relator da CPI afirmou que não poderia responder porque, até o começo da noite de ontem, ainda não havia finalizado o relatório. ?Ainda está sendo digitado?, afirmou. Com o nome oficial de Comissão Parlamentar Mista da Compra de Votos (CPMI), a CPI do Mensalão foi instalada em julho e tem de ser encerrada hoje, 16 de novembro, porque já se passaram os 120 dias estabelecidos no requerimento de criação. A expiração do prazo pegou os integrantes da CPI desprevenidos. Abi-Ackel admitiu que não sabia do término do prazo. Desde seu início, a comissão enfrentou acusações de que foi criada com o apoio do governo como contraponto à CPI dos Correios, já que ficou com a responsabilidade de investigar a suposta compra de votos para a emenda da reeleição em 1997. Ontem, Abi-Ackel afirmou que a CPI não conseguiu levantar ?nenhum fato novo? sobre a compra de votos para a emenda da reeleição de Fernando Henrique Cardoso. ### Amigo de Lula depõe hoje em Comissão Folhapress Brasília Sem provas de que teria sido o responsável por quitar a dívida de R$ 29,4 mil do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o PT além de comprovantes de saques bancários em valores e datas não coincidentes com os pagamentos, o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, disse, por meio da assessoria, que vai ?tranqüilo? hoje à CPI dos Bingos. Ele vem se preparando nos últimos dias para o depoimento que mais aproxima Lula das investigações em curso no Congresso. Além de Okamotto, a CPI dos Bingos também convocou para hoje Afrânio Nabuco, que aparece como lobista em documentos da empresa Gtech. Mas, devido à antecipação do depoimento do ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para hoje à tarde, a CPI poderia adiar os dois depoimentos ou ouvir apenas um dos convocados. A decisão pode ser tomada no início da sessão. Ex-tesoureiro da primeira campanha presidencial de Lula, em 89, e amigo do presidente, Okamotto surgiu nas investigações em agosto, quando foi apresentado pela cúpula do PT como responsável por quitar a dívida de Lula com o partido. Havia quase um mês, o Palácio do Planalto recusava-se a falar sobre o empréstimo, que Lula insistia em dizer desconhecer. O ?adiantamento? ao presidente foi registrado na prestação de contas do partido apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e a dívida, quitada em quatro parcelas, entre dezembro de 2003 e fevereiro de 2004. A CPI dos Correios passou a investigar se o pagamento da dívida havia sido feito com dinheiro do caixa dois operado pelo publicitário mineiro Marcos Valério Fernandes de Souza, uma pergunta que o ex-tesoureiro Delúbio Soares deixou sem resposta em seu depoimento à comissão. Depois de uma conversa com Lula, Okamotto assumiu o pagamento da dívida, mas disse que apenas providenciou o dinheiro por meio de saques em suas contas bancárias. Disse também que um dia espera receber o valor de volta do PT. A CPI dos Correios ouve hoje outro personagem importante na tentativa de esclarecer o pagamento da dívida de Lula com o PT: Solange Pereira de Oliveira, funcionária do departamento financeiro do partido. Ela foi identificada como uma das beneficiárias de saques em dinheiro das contas de Marcos Valério. Em depoimento à Polícia Federal, Solange afirmou ignorar o destino dos R$ 300 mil que sacou em dinheiro vivo no Banco Rural, em três ocasiões. O dinheiro teria sido entregue ao ex-tesoureiro Delúbio Soares. ### Nova testemunha no caso Celso Daniel Folhapress São Paulo De volta à cena do crime, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) encontrou ontem uma nova testemunha do seqüestro do prefeito Celso Daniel, morto em janeiro de 2002. Com vista para a rua em que o prefeito de Santo André foi seqüestrado, em Vila das Mercês, Y, 64, conta que, cercado por ?oito a dez bandidos?, Celso Daniel resistiu. ?Ele falava alto. Não queria subir [a rua até o carro onde foi carregado]?, disse. Y e a irmã assistiram, da cozinha de sua casa, ao momento em que Celso Daniel era ?empurrado? por dois homens, ?segurando em seu braço, um de cada lado?, ladeira acima. Informalmente ouvida por Suplicy, Y repetiu ontem que, em nenhum momento, viu o empresário Sérgio Gomes da Silva - o Sombra - ser rendido pelos bandidos. Sombra dirigia o carro. ?Ele ficou sozinho lá embaixo. Não ficou ninguém lá. Os bandidos estavam todos com o prefeito. Ele ficou sozinho. Não tinha ninguém. Ele ficou fora do carro?, lembrou ela, acrescentando que os seqüestradores entraram, rapidamente, em dois carros depois de empurrar Celso Daniel para dentro de um deles. Sozinho Diante do interesse dos repórteres que acompanhavam Suplicy, Y disse, porém, que não dava para garantir que Gomes da Silva estava sozinho no exato momento do seqüestro, porque só se deu conta da presença dele ?imediatamente depois? de o prefeito ser levado. ?Não sei se foi ao mesmo tempo?. A irmã de Y, que não quer falar, foi quem despertou sua atenção para o fato de Sombra ter ficado. ?Minha irmã comentou ?engraçado que levaram só um. Por que será? Quem é??. Ainda de acordo com o relato de Y, ?antes de a Polícia chegar, ele ficou sozinho lá embaixo, em frente ao carro batido [o jipe Pajero], falando no celular?. Não dava para saber se ele aparentava tranqüilidade, ?porque estava escuro?. ?Daí demorou uns 3, 4 minutos? e a polícia chegou. Ela disse que as duas ouviram barulho de tiros, mas só foram à janela ?quando acalmou?. ?Ele [Celso Daniel] já estava quase entrando no carro?. Y disse que não contou o que viu à polícia por temer pela segurança de sua família. Suplicy informou que pedirá sua convocação ao Ministério Público e à Polícia Civil. Y deverá depor, mantendo sua identidade sob sigilo. Para o senador Eduardo Suplicy, apesar de não serem conclusivos, são relatos importantes que podem endossar a tese da Promotoria de que o empresário orientava os criminosos. ?Como ele não se esforçou para deter o seqüestro do amigo??