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Apoio ao governo Lula divide marcha

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| Fabiano Maisonnave Folhapress São Paulo - Visões divergentes sobre o desempenho do governo Luiz Inácio Lula da Silva com relação à desigualdade racial e disputas internas do movimento negro acabaram provocando um racha na organização da Marcha Zumbi+10, que agora são duas: a primeira foi realizada ontem em Brasília, promovida por 129 ONGs autoproclamadas independentes. A segunda, com o apoio do PT, da CUT e de algumas ONGs, está marcada para terça-feira. Os dois eventos marcam os dez anos da Marcha contra o racismo, pela igualdade e a vida, realizado em comemoração aos 300 anos da morte de Zumbi dos Palmares. Também realizada em Brasília, a marcha tinha um tom crítico contra o governo Fernando Henrique Cardoso e é considerada um marco importante pelo movimento negro. Participaram dela o próprio Lula e José Dirceu. ?A nossa marcha foi convocada por organizações do movimento negro que não têm vinculações partidárias e de outras organizações. É uma expressão política da sociedade civil negra, autônoma e independente?, disse Sueli Carneiro, diretora da ONG Geledés, sobre o evento de ontem, que reuniu, segundo a PM, até 3.000 pessoas. Já a organização falava em 15 mil participantes. ?A nossa conclusão é que as mudanças têm sido demasiadamente lentas, as iniciativas são incipientes, e os problemas estruturais que o racismo coloca permanecem e se agravam?, afirma. Entre os problemas que têm se deteriorado, ela destaca o aumento das mortes violentas entre os jovens negros. ?Os índices de mortalidade de jovens negros já se manifestam em déficits censitários, segundo o próprio IBGE. Entendemos que está configurando um verdadeiro genocídio.? Avanço, mas nem tanto Sobre o governo Lula, Carneiro disse que ?há iniciativas que acenam com avanços, mas não chegam às últimas conseqüências. Por exemplo a criação da Secretaria da Igualdade Racial (Seppir), com status de Ministério, mas que precisa de estrutura de Ministério para enfrentar a gravidade da situação da população negra?. Para o secretário nacional de Combate ao Racismo do PT, Martvs das Chagas, que apóia a marcha de terça, as principais divergências foram com relação à participação de outros setores da sociedade e ao governo Lula. ?A incorporação de entidades como a CUT, o MST, o movimento da igreja e outras é importante porque as condições objetivas não nos permitem fazer um movimento autônomo, de negros para negros. Até porque nossa luta é para fazer um movimento para a sociedade brasileira. E alguns propositores do dia 16 entendiam que tinha de ser uma marcha ?puro-sangue?, sem outros setores?. Sobre o governo Lula, Chagas disse que ?algumas pessoas do dia 16 defendiam uma leitura de que o Estado brasileiro é racista e que, por extensão, o governo atual também o é. Não que o governo Lula esteja resolvendo todos os problemas da sociedade. Mas alguma coisa foi feita, inclusive certas reivindicações de 95?.

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