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CPI acaba sem aprofundar investiga��es

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| Rose Ane Silveira Folhapress Brasília - O presidente da extinta CPI do Mensalão, senador Amir Lando (PMDB-RO), classificou ontem a falta de vontade política como o principal fator que fez com que a comissão encerrasse seus trabalhos anteontem, sem aprovar um relatório final e sem aprofundar devidamente todas as investigações. ?Foi um final desastroso, fruto de uma operação de alto risco. O que houve foi um sepultamento vivo?, avaliou Lando, que estuda a possibilidade de fazer nos próximos dias um pronunciamento na tribuna do Senado, para criticar a falta de empenho, principalmente do governo, para a prorrogação dos trabalhos da CPI. Segundo Lando, desde o dia 5 de outubro ele não conseguiu fazer uma única reunião administrativa na CPI para tratar de assuntos internos. A falta de quórum nas últimas semanas foi uma constante e, com isso, foi impossível avançar com os trabalhos. Ele lamentou a falta de empenho na busca por assinaturas e disse que apesar de essa não ser uma função sua, como presidente da comissão, ele foi obrigado a tentar pessoalmente a colher as assinaturas que faltavam. A CPI não foi prorrogada porque seu prazo terminou e faltaram 23 assinaturas para o apoio do requerimento de prorrogação. ?É lamentável que não pudéssemos concluir os trabalhos. Faltou vontade política. Eu sabia que seria muito difícil cortar na própria carne. É doloroso. Mas o resultado foi ruim para o Congresso, que foi exposto à execração pública.? Para Lando, houve partidarização dentro dos trabalhos da CPI e muita disputa de egos. ?Neste momento é preciso se despojar dos partidos. A CPI não é um lugar para se exibir, levar de maneira aleatória. Temos que ser juízes isentos, fazer um trabalho imparcial. Esse espírito não foi visto. Teve muita briga e pouca investigação?, avaliou. Lando afirmou que era possível desvendar as denúncias envolvendo as empresas Bônus-Banval e Guaranhuns. ?Era possível até provar a inocência de alguém. Agora ficamos sem ter como fazer isso e caminhando sobre um campo minado, que pode explodir a qualquer momento.? O presidente da CPI disse não querer ?emitir juízo de valor? sobre o relatório final do deputado Ibrahim Abi-Ackel. ### Câmara deve votar processo contra Dirceu na quarta-feira Brasília e São Paulo - A votação do processo contra o deputado José Dirceu (PT-SP) é o principal item da pauta da Câmara na próxima semana. O processo deve ser votado na quarta-feira, às 18h. O Conselho de Ética já aprovou o parecer que recomenda a cassação do parlamentar petista por suposto envolvimento no escândalo do mensalão. A votação será secreta. Entre os processos contra deputados por envolvimento direto ou indireto no escândalo do mensalão, um já resultou em cassação (Roberto Jefferson) e outro, em absolvição (Sandro Mabel). Para que um parlamentar perca seu mandato, é necessário que o parecer que pede a cassação seja aprovado por pelo menos 257 votos. O deputado petista é acusado de ser o mentor do esquema de distribuição de dinheiro a deputados de partidos aliados em troca de apoio ao governo. Revolução Francesa Em almoço de apoio organizado por prefeitos e deputados estaduais do PT de São Paulo, ontem, em São Paulo, Dirceu comparou o processo de cassação de seu mandato com a Lei do Suspeito da Revolução Francesa, em que vários lideres foram decapitados. Segundo ele, oposição e setores da mídia e da opinião pública aboliram o estado de direito em nome de uma caça às bruxas. Para Dirceu, se outras instituições, como a Igreja Católica, fossem alvo da suposta perseguição praticada contra o PT, hoje não existiriam mais católicos. ### CPI divulga relatórios semana que vem Agência Câmara Brasília O presidente da CPI dos Correios, senador Delcidio Amaral (PT-MS), afirmou que, na próxima terça-feira, o deputado José Eduardo Cardozo (PT-SP), sub-relator de contratos da CPI, apresentará seu relatório. Já na quinta-feira, será a vez do deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), da sub-relatoria de movimentação financeira, apresentar seu relatório. Delcidio contou ainda que esteve na última quinta-feira com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Nelson Jobim, para discutir as quebras de sigilo que foram derrubadas por liminares concedidas pelo STF, como a dos arquivos informatizados do empresário Daniel Dantas, presidente do Opportunity. Ele explicou ao ministro o porquê dos pedidos de quebra de sigilo. Segundo Delcidio, na exposição de motivos dos requerimentos que pediam as quebras, a CPI não podia detalhar informações sigilosas, mas ele combinou com Jobim que essas informações serão levadas a cada um dos ministros do STF que concederam essas liminares, para tentar convencê-los a derrubá-las. O presidente da CPI dos Correios acrescentou que, na reunião de líderes do Senado de quinta-feira, foi discutida a possibilidade de concluir os trabalhos da comissão antes de 11 de abril, prazo-limite estabelecido com a prorrogação aprovada pelo Congresso na semana passada - a princípio, os trabalhos seriam encerrados em 11 de dezembro. Delcidio acha possível a antecipação, mas disse que vai agir com cautela para definir a melhor data.

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