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Esposa de preso pode ser c�mplice
| Kamila Fernandes Folhapress Fortaleza, CE - A polícia desconfia que Marli Cunha, mulher do ex-vigilante Deusimar Queiroz, preso por envolvimento no assalto ao Banco Central, em Fortaleza, possa ser cúmplice do marido. Anteontem, ela disse ter sido vítima de um seqüestro no qual os criminosos buscavam parte do dinheiro levado do banco. Segundo o delegado Luiz Carlos Dantas, do Departamento de Inteligência Policial da Polícia Civil do Ceará, está sendo investigada a hipótese de que ela sabia onde estava o dinheiro furtado que seu marido escondeu, após colaborar com o crime. À polícia, Cunha negou que soubesse. Ela relatou que, na sexta-feira pela manhã, foi levada com os dois filhos por dez homens armados, que afirmavam ser da Polícia Federal, até Irauçuba (a 148 km de Fortaleza). Lá, o grupo foi à casa de Olgarina Fernandes da Cunha, ex-cunhada da seqüestrada, e escavou o quintal até encontrar o dinheiro, estimado em até R$ 1 milhão, enterrados e protegidos por canos de PVC. Um sobrinho dela afirmou primeiro à polícia que a tia tinha sido levada ao local justamente por saber onde estava enterrado o dinheiro. Em seguida, em acareação, o adolescente negou. Apesar da desconfiança de que ela e a ex-cunhada possam ser cúmplices no esconderijo do dinheiro furtado, as duas continuarão em liberdade. ?Para a polícia, elas ainda são vítimas de um seqüestro. Apenas com as investigações poderemos chegar a qualquer outra conclusão?, disse Dantas. Já existe uma lista de suspeitos do seqüestro, não divulgada. Segundo Dantas, os autores podem até ter participado do assalto ao Banco Central também. ?Podem ser conhecidos do Deusimar, gente que pedia empréstimos a ele e que achou que havia mais dinheiro escondido. Não podemos descartar nada.? O furto ao BC ocorreu no início de agosto. Foram levados da caixa-forte do banco R$ 164,8 milhões, por meio de um túnel de 80 metros. Desde então, foram recuperados 11% do total, R$ 18 milhões. Sete pessoas estão presas. Queiroz foi preso no início de outubro e já confessou ter participado do crime, como informante. Ele havia trabalhado como vigilante no próprio prédio do banco. Em depoimento, ele disse ter recebido da quadrilha R$ 200 mil. Parte do dinheiro era usada para agiotagem. Com o restante, ele comprou casas e carros. Uma cunhada dele, porém, que o denunciou à polícia, disse que ele recebeu R$ 2 milhões na verdade. Esse foi o segundo seqüestro em que o objetivo era recuperar parte do dinheiro furtado do Banco Central. O primeiro, no início de outubro, aconteceu em São Paulo, quando foi seqüestrado Luiz Fernando Ribeiro considerado um dos líderes da quadrilha. O resgate de R$ 2 milhões foi pago, mas ele foi morto. Existem informações de que Fernandinho recebeu pelo crime R$ 25 milhões no total.