Nacional
Rejei��o a Lula � a maior desde a posse
| Fernando Itokazu Folhapress Brasília - A rejeição de 46,7% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontada por pesquisa CNT/Sensus, divulgada ontem, dificulta o projeto de uma eventual reeleição, de acordo com análise do responsável pelo estudo. ?Com uma rejeição de 35%, o candidato está dentro do jogo político. Com 40% ou mais, nunca vi alguém se eleger?, afirmou o presidente do instituto, Ricardo Guedes. ?Com esses indicadores, fica difícil a reeleição.? O raciocínio é o seguinte: cerca de 20% do eleitorado opta por abstenção, voto branco ou nulo. Sobrariam portanto 80% a ser divididos por dois candidatos. Rejeição acima de 40% daria a vitória ao outro candidato. O porcentual dos eleitores que disseram que não votariam no presidente Lula era de 39,3% no último levantamento da CNT/Sensus, em setembro. Na semana passada, Lula disse em entrevista à emissoras de rádios que iria disputar as eleições e depois afirmou que foi um lapso. A pesquisa, realizada de 14 a 17 de novembro em 195 cidades de 24 estados, mostrou, além do aumento da rejeição, que a aprovação pessoal do presidente oscilou negativamente de 50% em setembro para 46,7% em novembro - é o pior nível desde a posse, em janeiro de 2003. Foram realizadas 2.000 entrevistas. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais para cima ou para baixo O item registra queda nas últimas seis pesquisas CNT/Sensus. Em fevereiro deste ano a aprovação de Lula era de 66,1%. O maior nível atingido pelo presidente em janeiro de 2003, no início de seu mandato, foi de 83,6%. Na opinião de 72,6% dos entrevistados, a imagem de Lula foi afetada pela crise política a ponto de prejudicar sua reeleição. Para 42,8% dos entrevistados o presidente participou dos atos de corrupção denunciados atualmente no País e 41,3% dizem que não. A grande maioria (82,1%) afirma que não votaria, de jeito nenhum, em um político envolvido em irregularidades, enquanto 13,9% disseram que o importante é o que ele faz pelo povo. O levantamento revela ainda que se a maioria dos pesquisados (77,5%) acredita que ainda podem surgir novos fatos sobre as denúncias de corrupção e 64,6% afirmam que a crise política vai influenciar seu voto nas eleições. ### Presidente perderia eleição para Serra FELIPE RECONDO Folha Online O presidente Luiz Inácio Lula da Silva perderia para o prefeito de São Paulo, José Serra (PSDB), caso as eleições fossem hoje. De acordo com pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem, Serra teria 41,5% dos votos e Lula 37,6%. A diferença está dentro da margem de erro, que é de três pontos. O instituto entrevistou 2.000 pessoas em 24 estados entre os dias 14 e 17 de novembro. Esta é a primeira vez que Lula perderia as eleições. Na pesquisa anterior, divulgada em setembro, Lula e Serra teriam empate técnico: o presidente teria 37,9% dos votos e o prefeito 37,5%. Com exceção do prefeito de São Paulo, Lula seria reeleito se a disputa fosse com outros candidatos tucanos - Geraldo Alckmin (governador de São Paulo), Aécio Neves (governador de Minas Gerais), Fernando Henrique Cardoso (ex-presidente). Mas o levantamento aponta outro dado inédito: Lula não se reelegeria sem a necessidade de disputar um segundo turno em todos os cenários sugerido aos entrevistados. Por outro lado, Lula iria para o segundo turno com o ex-governador do Rio de Janeiro Anthony Garotinho se os candidatos tucanos fossem Aécio e FHC. Na última pesquisa, realizada em setembro, Lula venceria em primeiro turno com exceção de uma eventual disputa com Serra. Crise política Na avaliação de Ricardo Guedes, do Instituto Sensus, a crise política e as denúncias de corrupção prejudicaram a imagem do presidente e ameaçam suas pretensões eleitorais. O levantamento aponta que 72,6% consideram que a imagem do presidente foi afetada a ponto de prejudicar sua reeleição. Outros 64,6% consideram que os casos de corrupção vão influenciar a escolha dos candidatos nas próximas eleições. Não há pesquisas anteriores sobre esses valores para efeito de comparação. A pesquisa é feita a pedido da CNT, que é presidida pelo vice-governador de Minas Gerais, Clésio Andrade (PL). Os índices de confiança na economia não apresentaram grandes alterações em relação ao levantamento de setembro. O número dos que confiam na economia brasileira nos próximos seis meses passou de 41,2% para 42,3% e dos que não confiam cresceu de 48,6% para 49,4%. Para 35,3% dos entrevistados, a política econômica tem sido conduzida de maneira adequada. Em setembro, eram 34,9% que pensavam assim. Desarmamento A pesquisa mostrou ainda que a maioria achou que a vitória do ?não? no referendo do desarmamento no mês passado representou uma derrota do governo federal: 51% dos entrevistados se manifestaram dessa forma contra 36,2% que disseram que não. Após a vitória do ?não? no referendo, 13,5% dos entrevistados dizem estar mais propenso a comprar uma arma de fogo e 80,2% dizem que não.