Nacional
Mulher ter� atendimento pelo 180
| Agência Brasil Brasília A Central de Atendimento à Mulher entrou em funcionamento na última sexta-feira para receber por telefone denúncias de violência contra as mulheres. A ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Nilcéa Freire, disse que a expectativa é que o serviço aumente a procura de ajuda por parte das vítimas. ?Como é um serviço sigiloso, elas poderão ligar sem medo de se exporem, sem medo de serem agredidas mais ainda depois que seus maridos souberem?, afirmou a ministra, na cerimônia de lançamento da central. O serviço funciona em todo o País pelo número 180. As vítimas podem ligar para pedir orientação e ajuda. A central também estará disponível para as pessoas que quiserem fazer denúncias de violência contra mulheres. A identidade de quem ligar será mantida em sigilo. Nos três primeiros meses, a central de atendimento funcionará em caráter experimental de 7h às 18h40, de segunda a sexta-feira. A partir de março, o serviço passará a funcionar 24 horas diariamente, inclusive fins de semana. Gravação Ao fazer a ligação de estréia do serviço, a ministra não conseguiu ser atendida por uma das quatro funcionárias de plantão. A mensagem gravada que a ministra ouviu foi transmitida pelo sistema de som da cerimônia: ?no momento, todos as linhas deste serviço estão ocupadas, por favor, tente novamente mais tarde. Obrigada?. Duzentas ligações por dia devem chegar à central telefônical. No ano passado, mais de 189 mil brasileiras acima de 10 anos foram internadas em hospitais por problemas ligados à violência. Segundo o ministro da Saúde, Saraiva Felipe, entre as principais causas dessas internações estão fraturas, luxações e traumatismos em diversas partes do corpo, inclusive no crânio. ?Isso realça e ressalta a importância desse trabalho?, avaliou o ministro. O lançamento do serviço marca o início da campanha Sua Vida Recomeça Quando a Violência Termina, iniciativa do governo federal como parte das atividades do Dia Internacional da Não-Violência Contra as Mulheres, comemorado na última sexta-feira. ### Mais de 2 milhões espancadas por ano AGÊNCIA BRASIL Brasília A cada 15 segundos, uma mulher é espancada no Brasil - ou seja, 2,1 milhões de mulheres espancadas por ano. Muitas vezes, o lugar menos seguro para uma mulher é a sua própria casa: mais de 70% dos casos de incidentes violentos registrados em delegacias são de espancamento de mulheres por seus companheiros. Os dados da pesquisa da Fundação Perseu Abramo (2001) foram divulgados na última sexta-feira pela organização não-governamental (ONG) Agende - Ações em Gênero, Cidadania e Desenvolvimento. A ONG está à frente da campanha mundial 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres, que começou na sexta-feira em 130 países. No Brasil, um caso célebre é o da cearense Maria da Penha Fernandes, ocorrido em 1983. Depois de sofrer diversas tentativas de homicídio por parte de seu então marido, Maria da Penha ficou paraplégica. Após aguardar a decisão da justiça brasileira por 15 anos, sem resultado, ela entrou com uma ação contra o País na Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Em 2001, o Estado Brasileiro foi condenado, pela primeira vez na história, por negligência, omissão e tolerância em relação à violência doméstica. Atualmente, a política de apoio à mulher vítima de agressão está presente em todos os estados brasileiros. O projeto Casa Abrigo, por exemplo, já possui 72 unidades implantadas e 54 em funcionamento em todo o País. ?A Casa Abrigo é um projeto sigiloso que acolhe mulheres vítimas de violência?, diz a diretora da Casa Abrigo do DF, a advogada Andréa Vasquez.