Nacional
Trinta s�o presos por imigra��o ilegal
| Alexandre Hisayasu Folhapress São Paulo - Trinta pessoas suspeitas de pertencer a uma quadrilha internacional responsável pela entrada ilegal de imigrantes nos EUA foram presas ontem durante uma operação realizada em conjunto pelas polícias Civil e Rodoviária Federal e Ministério Público Estadual de São Paulo. Agentes do serviço secreto norte-americano também participaram das investigações. Três acusados estão foragidos. O grupo chegava a movimentar cerca de US$ 2,8 milhões por mês. Os acusados foram presos em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná. Os acusados estão com prisão temporária de cinco dias decretada pela Justiça e, em depoimento à polícia, negaram as acusações. A investigação foi batizada de Operação América. Segundo o delegado Eduardo Gobbetti, os imigrantes entravam nos EUA pela fronteira com o México. Cada um pagava cerca de US$ 10 mil para a quadrilha. ?Quem não tivesse o dinheiro era obrigado a deixar bens como garantia de pagamento. Temos casos de pessoas que hipotecaram suas casas para poder viajar??, explicou o delegado. Gobbetti contou que a quadrilha providenciava passaportes falsos e comprava as passagens aéreas com cartões de crédito clonados. A maioria dos imigrantes era aliciada em Governador Valadares (MG) com a falsa promessa de conseguir emprego fácil nos EUA. ?Quem não tinha dinheiro acabava se envolvendo em um esquema de trabalho escravo, pois a quadrilha pagava as despesas de embarque, mas só devolvia os documentos depois que a pessoa quitasse a dívida - o que nunca acontecia??, disse o delegado. Segundo o promotor Fábio Bechara, cada Estado era responsável por uma parte do trabalho de encaminhar um imigrante ilegal. ?Em Minas Gerais, a maioria das vítimas era aliciada, e os passaportes falsos, providenciados pelo bando; no Rio e no Paraná ficavam os integrantes responsáveis pela compra das passagens aéreas com cartões clonados; em São Paulo, estava o grupo que cuidava da hospedagem e do embarque no Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos??, afirmou Bechara. No México, o imigrante ficava em um hotel após ser recebido no aeroporto por um integrante da quadrilha. A travessia pela fronteira poderia ser feita a nado ou a pé pelo deserto ou com um carro. Por esse último, era cobrada uma taxa extra. ?Para burlar a fiscalização da fronteira, o coiote (pessoa que faz a travessia de imigrantes ilegais) deixava que os fiscais sempre prendessem dois ou três imigrantes. De cada 15 que tentavam passar, 3 eram pegos??, contou o delegado Gobbetti. A investigação teve como colaborador principal o investigador Robson Feitosa, que trabalhou disfarçado. Nesse período, o policial se aproximou dos principais integrantes do bando e até viajou para o México. ?As condições são muito precárias. Há até um cemitério clandestino onde estão os corpos de quem morreu no caminho. Pelo menos 500 são de brasileiros?, disse o policial.